falecom@consecti.org.br
(11) 3718-6515 (61) 97400-2446

Mercado de carbono é pauta na COP26: Brasil pode gerar até US$ 100 bi - Consecti

Mercado de carbono é pauta na COP26: Brasil pode gerar até US$ 100 bi - Consecti

Notícias
16 outubro 2021

Mercado de carbono é pauta na COP26: Brasil pode gerar até US$ 100 bi

O mercado de créditos de carbono é uma das pautas da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP26, que acontece de 31 de outubro a 12 em novembro em Glasgow, na Escócia. Uma projeção feita pela consultoria estratégica com foco exclusivo em sustentabilidade e mudança do clima WayCarbon indica que o Brasil pode gerar entre 493 milhões e 100 bilhões de dólares em crédito de carbono até 2030. Essa estimativa equivaleria a 1 gigaton (1 bilhão de toneladas de CO2 equivalentes) ao longo da próxima década para os setores de agro, floresta e energia. Hoje, diz a WayCarbon, há um registro acumulado de mais de 14.500 projetos de crédito de carbono ao redor do globo, que corresponderam à geração de quase 4 gigatons de tCO2 de créditos até 2020.https://4407012711f0a6747d849f1904720418.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html “As oportunidades potenciais de geração de crédito de carbono, identificadas pelo estudo, apontam reduções de gases de efeito estufa extremamente relevantes, além de inúmeros benefícios socioeconômicos e oportunidades de alavancagem na cadeia produtiva”, diz Laura Albuquerque, gerente de finanças sustentáveis da WayCarbon.

O que é o crédito de carbono

O crédito de carbono é um instrumento econômico que visa a diminuição dos gases de efeito estufa, que provocam o agravamento das mudanças climáticas. Esses créditos fazem parte de um mecanismo de flexibilização, que auxilia países e empresas que possuem metas de redução de emissão de gases de efeito estufa a alcançá-las de forma mais custo efetiva. A cada tonelada reduzida ou não emitida desses gases, gera-se um crédito de carbono. Assim, quando um país ou empresa consegue reduzir a emissão, a depender das metodologias envolvidas, ele recebe um crédito. O estudo da WayCarbon, feito junto com o ICC Brasil, braço local da Câmera Internacional de Comércio, aponta que, na próxima década, o Brasil tem potencial para suprir de 5% a 37,5% da demanda global do mercado voluntário e de 2% a 22% da demanda global do mercado regulado no âmbito da ONU. Há, portanto, oportunidade de atuação nos mercados de carbono globais, com destaque para os setores agropecuário, florestal e energético. Em nota, a WayCarbon comenta que “entende-se que há um caminho a ser percorrido pelo governo brasileiro e pelo setor privado a fim de destravar e alavancar tais oportunidades de geração de receita, renda, saúde e bem-estar social”. O estudo traz mais de dez recomendações essenciais, mas há dois passos que são chave. O primeiro é entender os mercados de carbono como potencial de destravar oportunidades financeiras para planos de recuperação econômica e aceleração do crescimento sustentável da economia brasileira e, o segundo, desenvolver sistemas de monitoramento, relato, verificação e redução de emissões robustos que abarquem todos os setores produtivos da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) brasileira.

Setor agropecuário

Potencial de geração de crédito de carbono: entre 10 e 90 milhões tCO2e (até 9 bilhões de dólares em cenário otimista). Focos de investimentos: sistemas integrados de lavoura e pecuária (ILP), e lavoura, pecuária e florestas (ILPF), agricultura de baixo carbono (ABC), com foco principal em fixação do nitrogênio e plantio direto. Intensificação da pecuária bovina de corte, que inclui recuperação de pastagens degradadas, a adubação de pastagens extensivas e o confinamento. Cobenefícios socioambientais: redução da pressão sobre o desmatamento, melhoria da qualidade das condições de trabalho e contribuição para a segurança alimentar. Oportunidades para a cadeia produtiva: novas fontes de renda para os produtores rurais, recuperação do potencial produtivo em áreas degradadas, garantia da competitividade entre os principais fornecedores agrícolas internacionais e fortalecimento de pequenos produtores.

Setor de florestas

Potencial de geração de crédito de carbono: entre 71 e 660 milhões tCO2e (até 66 bilhões de dólares em cenário otimista) Focos de investimentos: reflorestamento, manejo e restauração florestal sustentável. Cobenefícios socioambientais: diminuição das erosões, manutenção na biodiversidade local, aprimoramento da qualidade e disponibilidade hídrica, efeitos positivos à saúde humana com a redução de desmatamento e queimadas. Oportunidades para a cadeia produtiva: geração de aproximadamente 7 milhões de empregos no Brasil

Setor de energia

Potencial de geração de crédito de carbono: entre 27 e 250 milhões tCO2e (até 25 bilhões de dólares em cenário otimista) Focos de investimentos: turbinas hidrocinéticas, repotenciação das hidrelétricas, eólicas offshore, usina solar flutuante, cogeração, etanol de segunda geração, biocombustíveis avançados e hidrogênio verde. Cobenefícios socioambientais: segurança energética e geração de empregos e de renda. Oportunidades para a cadeia produtiva: quase 839.000 novos empregos com a geração de biocombustíveis, 166.000 com a geração de energia solar e 498.000 por ano para a geração de energia eólica. Apoiaram a WayCarbon a fazer os cálculos de geração de receita com crédito de carbono no Brasil as seguintes empresas: Suzano, Microsoft, Shell, Natura, Bayer e BP. Fonte: Portal Exame em 21/10/2021