falecom@consecti.org.br
(61) 97400-2446

Pesquisas colaborativas entre Brasil e China são estratégicas para combate às mudanças climáticas - Consecti

Pesquisas colaborativas entre Brasil e China são estratégicas para combate às mudanças climáticas - Consecti

Notícias
08 dezembro 2021

Pesquisas colaborativas entre Brasil e China são estratégicas para combate às mudanças climáticas

André Julião | Agência FAPESP – Nos próximos anos, pesquisadores da China e do Estado de São Paulo poderão investigar juntos como o Brasil e o país asiático contribuem para as mudanças climáticas e quais medidas podem ajudar a mitigá-las. Um acordo firmado em 2019 entre a FAPESP e a National Natural Science Foundation of China (NNSFC) começou a tomar corpo com a realização, no fim de novembro, do workshop “The Sinergy on Climate Change Research in China and in São Paulo”.

“Brasil e China estão entre os maiores países no mundo. Nossas áreas combinadas representam 12% da área terrestre do planeta. Os dois países têm diversificados biomas e regiões ecológicas e estão localizados em lados quase opostos da Terra. Juntas, as duas regiões contribuem fortemente na regulação do clima global”, disse Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, durante a abertura do evento virtual.

Os debates tiveram como mediador Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

“O cumprimento das metas climáticas vai demandar fortemente pesquisas inovativas, que poderão ser desenvolvidas em conjunto com outros parceiros para benefício mútuo”, afirmou.

Luiz Eugênio Mello, diretor científico da FAPESP, explicou que o encontro é o passo inicial numa série de eventos para intensificar a cooperação entre pesquisadores paulistas e chineses.

“A ideia é aproximar pesquisadores no campo das mudanças climáticas e, em seguida, espera-se que nos próximos quatro anos haja uma série de projetos exploratórios. Seguindo isso, esperamos poder começar uma série de projetos de longo prazo e, finalmente, ter uma aliança em financiamento que pode prosseguir por um longo tempo”, contou.

Para Li Jinghai, presidente da NNSFC, Brasil e China têm uma relação de colaboração bastante ativa e há espaço para cooperação em áreas como energia, agricultura, indústria e biodiversidade.

“Lideranças científicas nos respectivos países, como a NNSFC e a FAPESP, dividem interesses comuns em alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável [ODS] da Organização das Nações Unidas [ONU]”, disse.

“Em 2015, quando foram lançados os ODS, a China, incluindo a NNSFC, considerou a agenda ONU como um marco para atingir os objetivos de cooperação e desenvolvimento para a humanidade. Todos concordamos que ciência e tecnologia era algo com que podíamos contar para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, inclusive as mudanças climáticas”, disse Liyao Zou, diretor-geral de cooperação internacional da agência chinesa.

Mudanças climáticas na prática

As pesquisas apresentadas nos dois dias de evento foram divididas em dois grandes temas: gerenciamento adaptativo e resposta dos ecossistemas às mudanças climáticas e os impactos sobre ambientes costeiros, sistemas agroflorestais e à saúde humana.

Denise Helena Silva Duarte, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, apresentou uma série de projetos desenvolvidos nos últimos dez anos que lidam com formas de mitigar as mudanças climáticas no ambiente urbano.

Em um desses projetos, usando sensoriamento remoto, medidas microclimáticas e simulações numéricas, o grupo liderado pela pesquisadora fez um levantamento da cobertura vegetal e da morfologia urbana na área metropolitana de São Paulo. Os resultados foram disponibilizados para a criação de políticas públicas.

“Fizemos um retrato da área metropolitana de São Paulo e pudemos destacar como a morfologia da cidade e a supressão da vegetação podem impactar na temperatura da superfície terrestre durante o dia”, disse.

Shaoqiang Wang, do Instituto de Ciências Geográficas e Pesquisa em Recursos Naturais, destacou o papel das mudanças climáticas nos desastres naturais, como inundações na China e secas no Brasil. O pesquisador apontou o papel da floresta amazônica e da bacia do rio Yantzé como ecossistemas sob pressão que têm papel fundamental na regulação do clima global.

“As mudanças climáticas e os desastres naturais têm uma grande influência nas funções ecossistêmicas e na segurança e por isso merecem atenção”, afirmou.

Marcos Buckeridge, professor do Instituto de Biociências da USP, falou sobre estudos pioneiros do seu grupo sobre como plantas brasileiras, cultivadas e encontradas na natureza, respondem ao aumento de CO2 atmosférico. Nos trabalhos mais recentes, seu grupo tem medido as respostas a combinações entre o gás de efeito estufa, estresse hídrico e aumento de temperatura.

“Agora, há milhares de genes que estamos procurando que podem ser usados para transformação das plantas e para desenvolver novas variedades. Temos, na verdade, uma nova variedade [de cana-de-açúcar] que cresce mais rápido no laboratório e produz mais açúcar. Estamos tentando entender o que acontece nesses genes e leva a esse resultado”, explicou o pesquisador, no segundo dia do evento.

Como definiu o presidente da NNFSC, “estamos todos cientes da crise climática e ao mesmo tempo enfrentamos uma transformação de paradigma na ciência. As mudanças climáticas são um desafio global e nenhum país vai ficar imune aos seus impactos”.

A lista completa de palestrantes pode ser conferida no site do evento: https://fapesp.br/15189.
Fonte: Agência Fapesp