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Coordenadora do CEPID Redoxoma ganha o 5º Prêmio Mulheres Brasileiras na Química - Consecti

Coordenadora do CEPID Redoxoma ganha o 5º Prêmio Mulheres Brasileiras na Química - Consecti

Notícias
30 junho 2022

Coordenadora do CEPID Redoxoma ganha o 5º Prêmio Mulheres Brasileiras na Química

Agência FAPESP* – Ohara Augusto, professora do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) e coordenadora do Centro de Pesquisa em Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma), é uma das ganhadoras do 5º Prêmio Mulheres Brasileiras na Química. Ela venceu na categoria Líder Acadêmica, em premiação promovida pela Sociedade Americana de Química (ACS, sigla em inglês) em parceria com a Sociedade Brasileira de Química (SBQ).

O Redoxoma é um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP e sediado no IQ-USP.

Ohara Augusto trabalha há quase 50 anos em pesquisas envolvendo radicais livres e oxidantes. Estudos realizados durante seu doutorado no Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da USP (1972-1975) forneceram indicações iniciais de que os radicais livres são gerados em sistemas biológicos.

“Naquela época, começou o reconhecimento de que a adaptação dos organismos terrestres a uma atmosfera rica em oxigênio molecular teve vantagens e desvantagens. A vantagem foi obter mais energia de menos nutrientes, possibilitando a evolução de organismos complexos. A desvantagem foi conviver com o fato de que o oxigênio molecular tende a gerar oxidantes e radicais livres que são tóxicos à vida. Para sobreviver e evoluir, os organismos desenvolveram defesas contra radicais livres e oxidantes e também aprenderam a utilizá-los em seu benefício. Ficou importante conhecer radicais livres e oxidantes e eu contribuí para esse conhecimento”, conta a pesquisadora.

Ela foi umas das responsáveis pela criação do laboratório de espectroscopia paramagnética eletrônica (EPR) no IQ-USP. Com esse laboratório, a professora continuou investigando a produção de radicais livres durante o metabolismo de drogas, focando em compostos usados contra doenças tropicais negligenciadas. “Mais importante, nosso laboratório de EPR fomentou a ciência brasileira porque atraiu pesquisadores de todo o Brasil e da América Latina”, afirma.

No final da década de 1990, a descoberta do óxido nítrico teve um grande impacto na biologia e medicina, demonstrando que radicais livres podem ser produzidos in vivo para mediar processos essenciais à saúde. A partir do óxido nítrico, novos oxidantes foram descobertos como causadores de dano celular em infecções e inflamações. Dentre eles, o radical carbonato por cuja caracterização Augusto recebeu a Medalha de Biologia e Medicina da Sociedade Internacional de EPR de 2002. Atualmente a pesquisadora investiga os efeitos do dióxido de carbono (CO2) na biologia redox.

“Fico muito orgulhosa com esta premiação por reconhecer tantos anos de trabalho nessa área, que é fundamental para a nossa saúde, e sinto-me recompensada por ter orientado muitos alunos. Alguns deles se tornaram cientistas conceituados”, comenta.

O objetivo do Prêmio Mulheres Brasileiras na Química é promover a igualdade de gênero em ciência, tecnologia, engenharia e matemática no país e avançar na compreensão do impacto da diversidade na pesquisa científica.

Também foram premiadas Carolina Horta Andrade (Líder Emergente), da Universidade Federal de Goiás (UFG), e Thais Guaratini (Líder Industrial), da empresa Lychnoflora. A premiação tem o apoio da Chemical & Engineering News e CAS, uma divisão da ACS.

As vencedoras foram homenageadas em cerimônia realizada no início de junho, em Maceió (AL), durante a 45ª Reunião Anual da SBQ.

 

Fonte: Agência Fapesp