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BRF prioriza Inteligência Artificial para mapear a cadeia produtiva - Consecti

BRF prioriza Inteligência Artificial para mapear a cadeia produtiva - Consecti

Notícias
18 abril 2022

BRF prioriza Inteligência Artificial para mapear a cadeia produtiva

Todo o movimento de adoção de ferramentas e tecnologias de inteligência artificial da BRF, que é dona das marcas Sadia, Perdigão, Qualy, entre outras, está integrado à jornada de transformação digital, que, por sua vez, está conectada à visão 2030 — um plano estratégico que visa a triplicar a receita daquela que é hoje uma das maiores companhias de alimentos do mundo. Atualmente, a BRF tem cerca de 60 iniciativas envolvendo a transformação digital e, em 2021, foram entregues 56 iniciativas, de acordo com Antônio Cesco, diretor de tecnologia e transformação digital da BRF.

Em entrevista exclusiva ao Convergência Digital, Cesco detalhou como a adoção de IA se encaixa nos planos da companhia. A BRF projeta investimentos na casa dos R$ 700 milhões a serem aplicados até 2025 em ações de transformação digital. Um dos principais projetos envolve a compra de commodities, principalmente, milho e soja que são usadas na cadeia produtiva. “Nosso desafio era buscar uma solução que nos ajudasse no mapeamento da cadeia produtiva e que desse uma viabilidade maior para que pudéssemos tomar decisões antecipadas”, explicou Cesco.

A BRF está investindo R$ 10 milhões no que chamou de Jornada Commodities 4.0. São projetos de atualização de plataformas existentes e implementação de novas tecnologias com o objetivo de garantir a rastreabilidade dos grãos adquiridos pela empresa. A meta é mapear a procedência de 100% dos grãos da Amazônia e do Cerrado até, no máximo, 2025, bem como no cumprimento de sua Política de Compra de Grãos Sustentáveis. Esse investimento é parte dos R$ 700 milhões que serão direcionados para iniciativas de transformação digital da BRF pelos próximos quatro anos.

Para se ter uma ideia da grandeza, somente na parte de milho, que hoje é o  principal componente da ração, são adquiridas 6,8 milhões toneladas por ano, segundo Cesco, o equivalente a 8% de todo volume disponível de milho. Com IA, a BRF consegue fazer o mapeamento satelital. São 2.500 parceiros na cadeia, fornecedores de grãos, que, com o mapeamento satelital, a BRF consegue saber, por exemplo, como está a evolução dos plantios, como está a expectativa de safra. “IA entra para nos ajudar a gerar insights. Rodamos modelos preditivos com antecedência de 24 meses da disponibilidade de grãos e, com base em dados de clima, bolsa de valores, possíveis preços, tentamos antecipar as tendências, saber se terá quebra de safra”, detalhou.

A Jornada Commodities 4.0 está aliada à Política de Compra Sustentável de Grãos e compõe parte importante dos esforços da empresa para que se torne Net Zero até 2040, incluindo suas operações e a cadeia produtiva. A nova política estabelece os procedimentos de compra com todos os parceiros, principalmente, aqueles que estão localizados próximos a áreas de alta vulnerabilidade social e ambiental, com risco de desmatamento no Brasil, diz a empresa.

“Estamos alinhados à ASG [sigla para Ambiental, Social e Governança, do correspondente em Inglês ESG ] e temos todo o rastreamento da cadeia de grãos. Fazemos cruzamento destas informações com órgãos governamentais, como Ibama, e identificamos a área de onde estamos comprando e podemos garantir a procedência do grão”, disse, explicando que, até 2025, a meta é ter todas as compras de grãos garantindo que não são de terras ilegais.

Para cumprir com essas diretrizes, a BRF conta com uma plataforma tecnológica que integra processos que envolvem a rastreabilidade dos produtos e analisa a origem dos grãos adquiridos, trazendo mais transparência, assertividade e agilidade aos processos de compra por conectar os produtores diretamente à BRF. Segundo a companhia, antes mesmo de dar início às negociações, é possível identificar os que estão em linha com os compromissos de sustentabilidade da empresa. A Jornada Commodities 4.0 conta ainda com um smart center, em Curitiba (PR). Nesta estrutura, a empresa utiliza monitoramento geoespacial, big data e inteligência artificial para acompanhar toda a sua cadeia de fornecimento.

Questionado se blockchain não seria ideal para rastrear a procedência, Cesco explicou que essa tecnologia não está sendo adotada para grãos, mas disse que há, sim, prova de conceito para fazer a rastreabilidade do produto acabado. A ideia é fazer todo o acompanhamento da produção. Contudo, a solução ainda não foi implantada. “Estamos em discussão de resultados”, adiantou. Para o diretor, a tendência do consumidor é verificar a rastreabilidade dos produtos. Neste sentido, uma das marcas do grupo, a Sadia, já oferece um código QR que, uma vez lido, direciona para o site que tem todas as informações daquela mercadoria. “Hoje, estamos buscando business case para viabilizar blockchain. Vemos que é para um futuro breve, mas estamos explorando ponto de ROI  para poder implementar”, disse.

Parceiros integrados

Ainda no campo, a BRF desenvolveu um aplicativo para o integrado, que é o parceiro que faz engorda dos animais, frango e suínos. O app aponta todas as informações dos lotes e, assim, a BRF pode programar melhor o envio de ração e de insumos. Por lá também, acompanha dados do crescimento do lote. “Fazemos o acompanhando online de todo desempenho e do crescimento do lote até estar pronto para seguir para nossa indústria. Na pandemia, isso ajudou muito, porque o nosso técnico não podia ir frequentemente ao local da produção”, explicou Antônio Cesco, diretor de tecnologia e transformação digital da BRF.

Atualmente, são cerca de 9 mil integrados para os quais a BRF envia, por exemplo, pintinho, ração, medicamentos. se precisar, faz a assistência técnica e o acompanhamento. O parceiro faz a engorda e, quando chega no peso de abate, vai para a indústria da BFR. Os integrados estão localizados em todo o Brasil e há também na Turquia, mas eles ainda não usam a plataforma, que deve ser implementada no segundo semestre.

O desenvolvimento começou há cerca de três anos, usando metodologia ágil e  squad para montar o aplicativo para o integrado. Aos poucos, a plataforma, que começou com  questões de comunicação com o integrado, evoluiu — passou a prover a programação de envio de insumos, depois a coleta de peso para acompanhar e monitorar o crescimento do lote. Todas as informações de peso que regem o lote — cuja quantidade  gira em torno de 20 mil animais — é por amostragem. Uma das últimas funcionalidades, contou Cesco, foi a possibilidade de o integrado grãos para a companhia e deles se relacionarem entre si pela  plataforma. Dentro da evolução, a BRF quer inserir a possibilidade de o parceiro se relacionar também com outros fornecedores.

Para além das commodities, chatbot

Outro projeto que faz uso de IA é a assistente virtual batizada de Flor do RH. Ela interage com os funcionários respondendo a itens transacionais, além de ter feito check-in de saúde na pandemia. “Os funcionários respondiam a questões antes de sair de casa para informar como estava se sentindo e, no caso de qualquer sintoma, eram direcionados para o nosso médico virtual para fazer atendimento proativo”, contou o diretor.

No Brasil, a assistente virtual faz em média 100 mil atendimentos por mês, que vão desde questionamentos que podem ser enviados por voz e texto a serviços transacionais, que permitem solicitar holerites, cartão de ponto, comprovante para o imposto de renda, relatório de coparticipação do plano de saúde, entre outros. Em três anos de operação no Brasil, a assistente virtual evoluiu para ser capaz de responder a mais de 22 mil perguntas, englobando cerca de 50 temas, e já foi utilizada pelo menos uma vez pela maioria dos funcionários brasileiros, segundo a companhia.

Recentemente, a BRF expandiu a cobertura do chatbot para fazer o atendimento aos colaboradores de cinco países no Oriente Médio (Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait). Via WhatsApp, mais de dois mil funcionários desses países passaram tem o apoio do chatbot, que oferece respostas para mais de 680 perguntas divididas em 59 temas mapeados pela área de Gente nestas localidades e está disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, no idioma inglês.

Na jornada 4.0, a BRF já implantou em três fábricas o conceito de sensoriamento que gera insights com objetivo de melhorar a eficiência e fazer a gestão online dos principais pontos. O objetivo, detalhou Cesco, é ter visibilidade de qualquer problema a tempo de tomar providência. “Por exemplo, na linha de produção tem os ganchos onde os animais são colocados e é apontado se tem gancho vazio, se tem problema de sobrepeso. Isso ajuda muito na questão de melhorar a produtividade”, disse. O projeto ainda está no início. Das 27 fábricas, apenas três têm o sistema, mas a meta é implementar o sensoriamento nos principais pontos da linha de produção nas demais nos próximos anos.

Balanço da jornada da transformação digital

Até 2019, a BRF tinha projetos isolados de digitalização e, naquele ano, fez o movimento de criar a jornada de transformação digital envolvendo todas as áreas, conforme explicou Antônio Cesco, diretor de tecnologia e transformação digital da BRF. Foi, então, definida a jornada para os próximos cinco anos, mas, no meio do caminho, o mundo foi impactado pela Covid-19.

“Veio a pandemia e ela nos ajudou a acelerar [a estratégia]. Implantamos iniciativas que permeiam toda a cadeia, do campo à mesa”, disse Cesco, enumerando alguns feitos como a digitalização da integração do integrado, o aplicativo para envolvimento com o parceiro, a indústria 4.0 com monitoramento instalado três fábricas e chegando à logística e o consumidor, que tem o canal de e-commerce — tanto para o B2C (com o Mercato em Casa) como para B2B (com o portal de relacionamento). “Temos avançado bem desde 2019, mas nossa cadeia é longa e complexa”, ponderou o executivo.

Cesco avalia que a inteligência artificial está sendo utilizada, mas ainda há muito para a BRF explorar. “Vejo como oportunidade quando vamos para advanced analytics, que é uma das nossas iniciativas, e temos o centro de excelência para desenvolver modelos preditivos. Temos iniciativas de commodities e também para, a partir do histórico, fazer projeções para frente e nos ajudar na tomada de decisão”, disse. O centro de excelência advanced analytics trabalha para acelerar o desenvolvimento de iniciativas com advanced analytics gerando insights e visibilidade à companhia. São 22 cientistas de dados trabalhando nisso.

Fonte: Convergência Digital