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Entrevistas

Entrevista com Dep. Izalci Lucas

Entrevista com Dep. Izalci Lucas:

Por Ivana Carolina, ascom – Consecti

Dep. Izalci Lucas foi Secretário de C&T pelo Distrito Federal e fez parte da vice-presidência do Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I (Consecti). Atualmente exerce o mandato de Deputado Federal pelo Partido da República (PR).

Abaixo o Dep. Izalci falará sobre da sua luta por uma melhor educação, ciência, tecnologia e inovação no Brasil.

1.     O senhor conseguiu ingressar no Ensino Superior graças à bolsa de estudos em uma escola. Como o senhor ver o incentivo a bolsa de estudos do governo do Distrito Federal?

Dep. Izalci Lucas: Na prática, hoje, o Distrito Federal não tem nenhum programa de apoio à inclusão no Ensino Superior. O que tem ainda é fruto de um contrato celebrado com relação a um programa lançado em 2007 quando eu ainda era secretário. Que foi a Bolsa Universitária.

2.     O que é a Bolsa Universitária?

Dep. Izalci Lucas: Programa que ajuda a implementar a Educação Integral.

O governo implantou em várias escolas, quase 200 escolas, mais de 50 mil alunos, o Programa Educação Integral e tinha dificuldade com relação principalmente a quantidade de professor (quem ficaria em contra turno) então, nós criamos o Programa da Bolsa Universitária onde a Secretaria concedia a bolsa integral aos alunos nas faculdades e, em contrapartida, os alunos trabalhavam 20 horas semanais no contra turno cuidando principalmente da Educação Integral em escolas públicas.

 Esse trabalho seria compatível ao curso que o aluno estaria fazendo. Por exemplo, quem estuda Geografia e Matemática daria reforço da matéria às crianças; se cursam Educação Física, tornariam responsáveis pela recreação.

Foi um programa muito bom que, com certeza, diminuiu a evasão e a repetência dos alunos do ensino básico.

Mas infelizmente neste governo não houve o incremento, foi apenas mantido o que já existia e, ainda, de uma forma precária. Muitos (alunos) acabaram desistindo porque não existia a flexibilidade com relação às 20 horas. Porque uns já estavam na época de estágio e outros, porque as atividades que iriam realizar não eram compatíveis com o curso da faculdade.

Então praticamente o que tem no DF é apenas um remanescente deste programa (Bolsa Universitária) e dos programas do governo federal como FIES e PROUNI. Essa foi a forma para oferecer mais oportunidade aos jovens irem para a faculdade, porque até então, só a elite estudava no ensino superior.

3.     O senhor acredita que as bolsas aumentam o número de jovens nas faculdades?

Dep. Izalci Lucas: As Bolsas é a forma de incrementar. Saiu uma pesquisa que o Brasil praticamente dobrou o número de alunos nas faculdades por conta destes programas. Por exemplo, o PROUNI tem mais de 1 milhão de alunos, o FIES 400 mil.

No Plano Nacional de Educação (PNE), a meta é dobrar nos próximos 10 anos esse número de vagas, passando de 6 milhões para12 milhões.

A questão das bolsas é muito importante e é um dos meus compromissos políticos.

Foi uma mudança de padrão na educação do Brasil, quando um aluno frequenta o ensino superior, há uma melhora no padrão da família, de renda e, acaba que outros procuram estudar. É um estimulo muito grande.

Então, uma das minhas missões na Câmara é também trabalhar para ampliação de oportunidades para que todos os jovens tenham direito de estudar, de fazer um curso superior.

4.     O senhor foi secretário de C&T (ciência e tecnologia) e fez parte da vice-presidência do Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I (Consecti). Qual o papel do conselho para a Construção da Política Nacional de CT&I?

Dep. Izalci Lucas: Fui vice-presidente. O papel do Consecti foi fundamental. O Brasil tinham políticas isoladas e, estados como São Paulo, tinha destaque.

Alguns estados não possuíam nem secretaria e nem Fundações de Amparo à Pesquisa. Então, o Confap e o Consecti, este último em especial, que é de secretários e com isso possuem um papel maior de política, sendo fundamental para a conscientização da importância de CT&I.

Contribuiu muito para a Política Nacional de CT&I, além da troca de experiências dos membros e das influências nas ações. Por exemplo, induzindo editais no Ministério (de Ciência, Tecnologia e Inovação).

Na época nós criamos a questão das contrapartidas, ou seja, nos estados do nordeste para cada real investido, o Ministério dava cinco reais. Aqui no Distrito Federal, conseguimos de um para dois (proporção). Praticamente não existia isso. Foi uma ação importante porque a partir daí, os estados passaram a investir mais em CT&I, sabendo que existiria uma contrapartida do governo federal.

O Brasil evolui muito nessa área e o Consecti teve um papel fundamental, como ainda tem. Até para universalizar realmente essas ações sem o Consecti não haveria Política Nacional.

 5.     Como Secretário de C&T, o senhor criou a Bolsa Universitária, essa iniciativa foi por conta do Distrito Federal possuir somente uma Universidade Pública, a UnB? É necessário que o Distrito Federal invista em uma Universidade Pública distrital para suprir o número de vagas à população?

Dep. Izalci Lucas: Isso é uma questão relativa. No governo passado havia um acordo que, para cada um real que fosse aplicado pela universidade, o governo do DF entraria com uma contrapartida de um real. Pois um dos programas da UnB era de abrir em várias regiões administrativas um campus universitário a exemplo do Gama e Ceilândia. No projeto original, estavam previstas a abertura de outras frentes como em São Sebastião, no Guará e, inclusive, no entorno. Realmente havia um projeto de expansão da Universidade de Brasília. Nessa situação, acho mais prático essa parceria do que criar uma nova estrutura. Seria mais prudente investir na UnB para expandir nas regiões, pois seria de uma qualidade melhor a um custo menor.

A Bolsa Universitária foi criada mais para resolver a questão da educação pública. Melhorar a educação pública no ensino básico do que propriamente beneficiar os alunos. Foi unir o útil ao agradável na prática, mas o objetivo principal da criação foi exatamente atender a implantação da Educação Integral e, ao mesmo tempo, proporcionar ao aluno na prática, porque a teoria já o tem na Universidade.

6.     Para o senhor, a educação, ciência, tecnologia e inovação precisam de investimento de 10% do PIB da nação, ou o recurso que já é oferecido precisa ser melhor utilizado?

Dep. Izalci Lucas: Não tem dinheiro e, o pouco que se tem está sendo mal administrado. Daí a nossa luta para aprovar os 10%  do PIB para a educação.

Os 10% do PIB na prática, seria aproximadamente 250 bilhões de reais nos próximos 10 anos. Inclusive, o problema maior que nós temos hoje é que as escolas do país estão todas em uma situação muito ruim em infraestrutura. Brasília, que é a capital da República, tem 85% das escolas públicas com necessidade de reforma e manutenção, 30% delas em estado calamidade pública. Isso na capital federal. Imagine no resto do país? Então, se nós, de fato estivéssemos com uma educação equilibrada, com investimentos de muitos anos e não tivéssemos esta dívida toda, acho que até 10% é muito, 7% ou 8% já seria suficiente.

O problema é a dívida que temos. São coisas que precisamos resgatar, recuperar e criar. A prova disso é que estão muito defasados os salários dos professores. Para você ver, o piso salarial dos professores do Brasil é de R$ 1.451,00, o que não é nada e vemos hoje. 19 estados que não cumprem isso, a Lei do Piso. A questão salarial é importante. Não tem como você achar que o professor ganhando isso (salário), vai criar no aluno uma expectativa de sonhar alto, de ter uma vida diferente. Então, a primeira medida é resgatar isso e, evidentemente, buscar a qualificação dos professores. Isso é um grande investimento que tem de ser feito no Brasil e que vai demandar muito tempo e dinheiro.

Temos uma meta de dobrar o número de vagas no Ensino Superior sendo um investimento muito alto. Temos muito analfabetos no Brasil. É fato que nesse primeiro momento 10% do PIB é pouco, ainda por cima em 10 anos.

7.     O senhor acredita que o “analfabeto de hoje não é só quem não sabe ler, é também quem não domina a informática, a tecnologia”. Porém o Brasil tem muitos analfabetos que não sabem ler, o ideal não seria acabar com o analfabetismo de quem não sabe ler e depois o de quem não domina a informática?

Dep. Izalci Lucas: Não. Temos que fazer de forma concomitante, pois acaba aumentando o buraco entre os dois. Temos que atacar os dois ao mesmo tempo. Alfabetizar não é só escrever o nome. Além de ensinar a ler e escrever tem que dá condições para que continuem os estudos. Não adianta só aprender a ler e escrever. A partir daí, ele próprio vai ter interesse a continuar estudar. Você tem que criar etapas.

8.     Para acabar com o analfabetismo digital, o senhor como Secretário de ct&i, criou o DF Digital, quais benefícios trouxeram à população?

 Dep. Izalci Lucas: O DF Digital foi o maior programa do país de Inclusão Digital e qualificação profissional. Foram atendidas 500 mil pessoas, incluindo três mil idosos, com bons cursos como: webdesigner, photoshop e AutoCAD.

Quando implementamos esse projeto, quase 80% da população do Distrito Federal era de analfabeto digital. Hoje Brasília está disparada na frente do país em termos de inclusão.

9.     Como secretário de C&T no DF, quais foram os seus programas principais? E suas respectivas mudanças? O senhor poderia citar qual a sua iniciativa mais importante?

 Bolsa Universitária

O estudante conquista até 100% de desconto no ensino superior particular. No caso da bolsa integral, em contrapartida, os beneficiados atendem alunos do ensino integral, conquistando experiência profissional e diminuindo a repetência e a evasão escolar.

O programa Bolsa Universitária já beneficia mais de 5000 estudantes, com até 100% de desconto em faculdades particulares – são 32 as instituições educacionais conveniadas com a Secretaria de Ciência e Tecnologia.

Para conquistar o benefício, diversos critérios têm que ser atendidos pelo candidato. Entre estes, carência, tempo de moradia no DF e nota do Enem. A primeira avaliação é eletrônica e mesmo após selecionado, o estudante tem que passar num vestibular aplicado pela faculdade que deseja. O programa Bolsa Universitária Integral é uma versão adaptada ao poder público do Cheque Educação, outra criação de Izalci Lucas – esta enquanto empresário – para democratizar o acesso à educação de excelência.

Professor e Servidor Informatizados

Melhorando o ensino público, ao facilitar a informática aos servidores da Educação, a Secretaria de Ciência e Tecnologia, entregou 31 mil computadores subsidiados em 24 parcelas de R$ 38,41.

O programa Professor/Servidor Informatizado, parceria entre a Secretaria de Ciência e Tecnologia e o BRB(Banco de Brasília), subsidiou para professores e servidores da Educação do GDF, efetivos e em exercício, notebooks que puderam ser adquiridos em 24 parcelas de R$ 38,41. A Secretaria paga a outra metade. A idéia foi facilitar a estes profissionais, o acesso e domínio da informática, para que isto se torne ferramenta que agregue maior qualidade ao ensino na rede pública. Foram entregues mais de 31 mil computadores.

Escolas Técnicas (Educação Profissionalizante)

 “Durante anos – avaliou Izalci -, o brasileiro sonhou seus filhos em universidades. O que provocou um vazio enorme de técnicos para o mercado de trabalho. Hoje, estes profissionais, quando bem preparados, são muito valorizados e podem contribuir imensamente para a evolução da sociedade. Hoje, as Escolas Técnicas/DF são referência inquestionável. Há empresas que só contratam profissionais que tenham sido formados nelas. Um orgulho para todos nós”, concluiu Izalci, adiantando que o Parque Tecnológico Capital Digital deve ser sede para mais uma Escola Técnica DF, com cursos especialmente direcionados à área de inovação.

Brasília Digital

A internet oferecida como serviço público gratuito a toda a comunidade do Distrito Federal, disponibilizará a Inclusão Digital geral.

O Distrito Federal terá a primeira capital do mundo a oferecer internet gratuita e de qualidade à sua população. É o programa Brasília Digital, pelo qual se pretende, inclusive, diminuir os níveis de exclusão digital da população local. A implantação começará por Brasília e Taguatinga, utilizando redes já existentes, mas logo se estenderá às demais regiões.

10.  Para o senhor, o Brasil está mais sedento de educação, ciência, tecnologia ou inovação?

Dep. Izalci Lucas: Isso é um conjunto de ações, não se faz educação de qualidade sem tecnologia e, muitos menos, sem inovação. Quando você investe em educação, automaticamente estará investindo em tecnologia e inovação. São ações fundamentais para o Brasil.

O Brasil faz hoje muita inovação sem saber que está fazendo. O brasileiro é muito criativo, mas para isso o governo precisa colocar a inovação como política pública.

O grande problema do Brasil é que as pessoas pensam em curto prazo. Normalmente em CT&I, principalmente ciência, os resultados são em longo prazo sem interesse por parte dos governantes. Por isso, estamos fazendo agora o Projeto Brasília 100 anos. Voltado para a conscientização de todos nós e melhor qualidade de vida em todo o Distrito Federal. Está sendo construído no sentido de criar e garantir um Planejamento Estratégico para a nossa capital, para que, de fato, transformemos os Projetos de Governo em projetos de Estado (para todo o Brasil).

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