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Universitários mineiros vencem desafio em Paris

Dois graduandos mineiros propõem sistema de captação da água pluvial e tratamento do esgoto e lixo para geração de energia e vencem desafio internacional em Paris.

Um edifício residencial sustentável, capaz de proporcionar conforto, funcionalidade, satisfação e qualidade de vida aos moradores. E especialmente sem comprometer a infraestrutura, gerando o mínimo possível de impacto ao meio ambiente e alcançando o máximo possível de autonomia. Com um projeto assim, os mineiros Marcellye Miranda, de 19 anos, e Igor Soares, de 20, venceram o desafio Go Green in the City, promovido pela Scheneider Electric, empresa alemã do setor de gestão de energia, com atuação mundial.

Marcellye é aluna do quinto período de engenharia mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Seu companheiro, Igor Soares, cursa o terceiro período de engenharia de produção na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). A disputa envolveu 600 projetos de todo o mundo – além do Brasil, China, França, Alemanha, Índia, Polônia, Rússia, Turquia e Estados Unidos -, que versavam sobre soluções para a gestão energética nas cidades.

De acordo com Marcellye, os participantes tiveram de enviar suas ideias em inglês, por meio de um vídeo de um minuto ou apresentação em PowerPoint composta por texto ou imagens. “Para a segunda fase foram selecionadas as 100 melhores apresentações e as duplas tiveram de criar uma sinopse de um case para seu projeto com o auxílio de um mentor da Schneider Electric, que nos orientou sempre por meio da internet. Era uma espécie de fase de monitoria”, conta ela.

A etapa final do desafio envolveu 25 trabalhos, que foram apresentados para um juri de executivos da empresa em Paris, no mês de junho. Denominado Green Light Concept, o projeto dos mineiros propõe sistema de captação da água pluvial e tratamento do esgoto e lixo para geração de energia. Inicialmente, o projeto previa apenas a construção de uma mini-hidrelétrica. “O Igor tinha uma ideia do que a gente ia fazer, uma mini-hidrelétrica que aproveitasse a água da casa. Colocaríamos uma polia, que giraria o alternador e, consequentemente, geraria energia”, conta Marcellye, que resolveu expandir a criação.

“A partir daí, resolvi pesquisar a Schneider e descobri que a empresa tem grande atuação em hospitais e edifícios. Pensei, então, em algo maior. Pegamos o projeto inicial, que era inovador, e aplicamos outras coisas. Pensamos no tratamento de esgoto, porque é um grande problema brasileiro, e, em vez de casa, aplicamos em um edifício grande. Dimensionamos o projeto para algo bem maior.”

Placas fotovoltaicas

A dupla também se preocupou com o aproveitamento da energia solar, por meio da utilização de placas fotovoltaicas. “Pensamos nas placas fotovoltaicas angulares nas laterais do prédio, porque pegam mais radiação, e espalhamos em pontos estratégicos árvores de metal, das quais as copas são formadas por pequenas placas. Essa árvore foi criada por um norte-americano de 13 anos. Então, aplicamos a ideia dele. É mais barato do que usar a placa de tamanho normal”, explica Marcellye.

“Tornamos o prédio eficiente, 100% autônomo na produção de energia e o máximo que conseguimos em água. Preocupamo-nos com o tratamento de esgoto e reutilizamos parte da água, porque ela não pode ser reutilizada infinitamente. Também tratamos a água da chuva”, acrescenta.

O projeto dos estudantes mineiros agora vai entrar na fila de execução. Segundo a estudante, não há data prevista para ele ser aplicado. “Como a Schneider não é uma construtora, ela deverá fazer uma parceria para desenvolvê-lo, mas é difícil falar quando, porque o da vencedora do ano passado ainda está em estudo.” Enquanto o projeto dos estudantes mineiros não se torna realidade, eles fazem planos. Ambos ganharam uma oportunidade de trabalho em uma das sedes da Scheneider. Também vão conhecer as filiais da empresa na China, nos Estados Unidos e na Rússia.

Árvore solar

O norte-americano Aidan Dwyer, de 13 anos, estudante da sétima série, bolou e executou no início do ano um projeto de estrutura solar que capta 20% a mais de energia do que as placas fotovoltaicas convencionais. Para chegar à estrutura, o menino inspirou-se na própria natureza e desenvolveu um projeto que imita uma árvore. Ele constatou que a presença de galhos e folhas (no caso pequenas placas fotovoltaicas) dispostos de maneira irregular em diferentes níveis captaria mais energia do que um painel convencional. A árvore solar também ocupa menos espaço do que um painel fotovoltaico comum e é mais eficiente no inverno, em condições de frio e neve e em locais que não são totalmente voltados ao sol. O projeto de Aidan foi premiado pelo Museu Americano de História Natural.

Fonte: Estado de Minas

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