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Um mês depois, agenda de Kassab ainda se concentra em justificar fusão

O ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, completa um mês no cargo ainda às voltas comjustificar, especialmente perante a comunidade científica nacional, a decisão de reunir as duas pastas. Nesta quarta, 15/6, como tem feito em todas as semanas até aqui, o ministro foi mais uma vez cobrado publicamente pela decisão do governo interino.

“É o futuro do país que está em jogo. O ministério das Comunicações ficou confortável, tinha três secretarias e manteve, porque a nova Sepin terá viés de comunicações. Já o MCTI encolheu com a fusão, de quatro secretarias ficará com duas”, lamentou o presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich.

Segundo ele, a comunidade não vai desistir de convencer o governo interino a voltar atrás. “Se a criação do ministério, que demorou 30 anos, demonstra a persistência da comunidade acadêmica, posso afirmar que essa persistência vai continuar”, concluiu o presidente da ABC.

Como tem sido rotina para Kassab, representantes das varias representações científicas e acadêmicas nacionais voltaram a criticar severamente a incorporação do Ministério das Comunicações pela Ciência, Tecnologia e Inovação. “Não é só o mundo acadêmico, mas todo o empresariado inovador subscreve nossos questionamentos a essa fusão”, resumiu a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Helena Nader.

Desta vez, o debate foi patrocinado pela Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara e ainda contou com um elemento adicional: houve protesto contra a decisão em si, e contra o próprio governo interino. Aliados pressionaram pela retirada de cartazes que alinhavam Michel Temer e o ministro Kassab como ‘golpistas’ – e para isso sacou-se uma recentíssima decisão da direção geral da Câmara que proíbe manifestações de servidores da Casa.

O ministro nem se abalou. Manteve a tranquilidade demonstrada ao longo das várias sabatinas com os cientistas – já duas vezes antes ocorridas no Senado, na própria SBPC e em reuniões em Brasília entre a comunidade científica e o novo MCTIC. E repetiu a cantilena de que “a redução de ministérios é uma grande aspiração da sociedade brasileira”.

“Na minha percepção, a fusão veio para ficar”, afirmou o ministro. Mas ele prometeu manter recursos para pesquisas. “O programa nuclear, e não apenas a ele, todos desenvolvidos no MCTI, serão mantidos e ampliados, até por conta de sua importância. Essa é a razão principal de termos mantidos os principais quadros que estavam à frente do ministério”, disse, referindo-se aos titulares da áreas de pesquisa (Seped) e desenvolvimento tecnológico (Setec).

E embora Kassab repita (como fez nesta quarta) que o extinto foi o Ministério da Comunicações, a comunidade científica enxerga o rearranjo com pessimismo. Foi mais de uma vez repetido que com a dança de cadeiras, o Minicom é quem foi preservado. “Quem encolheu foi o MCTI”, destacou a presidente da SBPC.

Helena Nader também lamentou que a fusão já gera efeitos negativos, como a discussão para a extinção de secretarias estaduais de C&T. “Tem um efeito cascata, e isso preocupa muito”, afirmou a presidente da SBPC, referindo-se especificamente ao caso do Ceará, onde está em andamento um debate sobre eliminar essa e outras secretarias. Na véspera, a SBPC enviou uma carta à Assembleia Legislativa cearense pedindo que essa medida não vá adiante.

Fonte: Convergência Digital

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