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UFRJ inicia expansão de incubadora de negócios

Na próxima semana um pequeno prédio começa a ser construído na Ilha do Fundão. Menos luxuoso que seus vizinhos do parque tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o edifício de 1,5 mil metros quadrados vai abrigar até nove empresas em sete salas.

Ao custo de R$ 2,5 milhões, esse é o terceiro prédio da incubadora de empresas da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da universidade (Coppe/UFRJ). O projeto contou com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e doação de mais R$ 1 milhão pela OGX, empresa de óleo e gás natural do empresário Eike Batista.

Atualmente, as 18 empresas residentes na incubadora ocupam 21 salas em uma área total de 1,9 mil metros quadrados. A área é considerada pequena, ao contrário dos números que produz.

Em 2011, as empresas residentes e outras 45 graduadas [que nasceram na incubadora, mas se tornaram independentes] faturaram R$ 182 milhões, 13% acima do valor registrado em 2010. Juntas, as 63 unidades geram mais de mil postos de trabalho.

A ligação com a universidade é umbilical. Desde a criação da incubadora, há 14 anos, cerca de 95% das empresas ali abrigadas foram criadas por ex-alunos ou pesquisadores da UFRJ. O professor aposentado Ronaldo Nóbrega não é exceção. Em 2004, com outros quatro pesquisadores, ele deixou um laboratório da universidade para desenvolver membranas de microfiltração.

“Quando chegamos, enfrentamos o problema da falta de área disponível para produção industrial”, contou Nóbrega. Para iniciar a produção, seu grupo ocupou uma caldeira desativada. Graduada em 2009, a Pam-Membranas instalou-se no Parque Tecnológico do Fundão. Hoje, a empresa produz membranas de diferentes aplicações para clientes como a Petrobras e a DuPont. Em 2011, a companhia faturou R$ 2,5 milhões.

Em busca de mais espaço será projetado um novo prédio, cujas instalações poderão abrigar empresas de perfil industrial. O foco é a área de óleo e gás, a vocação do parque tecnológico.

A instalação de empresas graduadas no local é cada vez mais comum. Só no ano passado, quatro delas foram abrigadas no local.

“Estar na cidade universitária é uma vitrine para essas empresas”, disse Lucimar Dantas, gerente de operações da incubadora. “Não temos dinheiro, mas temos muitos contatos e recebemos muitas visitas de fundos de investimento.” Para Nóbrega, da Pam-Membranas, a incubadora traz visibilidade.

O desafio da iniciativa é transformar cientistas em empresários. “O perfil desse empreendedor é alguém que entende tudo de tecnologia, mas pouco de negócios. O nosso trabalho é ajudar nessa passagem, desenvolver o perfil do executivo. As capacitações que oferecemos são ligadas a esses temas”, explicou Lucimar.

As empresas têm acesso a serviços que vão de assessoria em marketing, finanças, comunicação e jurídica até aulas de idiomas, além do acompanhamento da equipe da incubadora.

“Só uma boa ideia e o ‘background’ acadêmico não são suficientes para entrar no mercado”, disse o sócio da OilFinder, Manlio Mano, ele mesmo um doutor formado na Coppe. Com um projeto inovador de prospecção de petróleo no mar a partir de exuldações – vazamentos espontâneos dos reservatórios -, a OilFinder promete reduzir em até 75 vezes a área investigada na prospecção de poços de petróleo. “Podemos abrir um escritório no centro para ficar perto dos clientes, mas o objetivo é seguir para o parque tecnológico para ficarmos próximos da inovação”, disse Mano.

Com o novo prédio, a incubadora poderá abrigar até 30 empresas simultaneamente. Para chegar mais perto desse número, foi publicado um edital, que ficará aberto até o dia 18, para seleção de quatro empresas. Os projetos aprovados têm prazo de 60 dias para que sejam constituídas as respectivas empresas.

Para aumentar o acesso das empresas graduadas ao parque, a UFRJ pretende construir um prédio capaz de abrigar até cem pequenas empresas. Chamado de Torre da Inovação, o projeto passa por estudos de viabilidade e pode sair do papel em 2013.

Fonte: Valor Econômico

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