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Transferência de tecnologia dificulta negociações na Rio+20

A transferência de tecnologia continua sendo um dos pontos de difícil solução nas negociações da Rio+20. O desafio é encontrar meios que possam tornar real a transferência de tecnologias limpas dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento. O tema da transferência de tecnologias faz parte do que os diplomatas chamam de “meios de implementação” do desenvolvimento sustentável. É uma discussão que torna-se ainda mais sensível em meio à crise econômico-financeira global, uma vez que os países ricos tendem a não aceitar assumir novos compromissos nessa área da negociação.

“Essa [a transferência de tecnologia] segue sendo uma questão divisiva e de difícil solução. Já na Rio 92 esse foi um tema em que houve esforço negociador grande, mas se olhar o que foi prometido nessa área [se conclui que] não foi cumprido. Então mais do que um texto há que se encontrar [nas discussões da Rio+20] meios de tornar real a transferência de tecnologias limpas”, disse o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, secretário-executivo da Comissão Nacional para a Rio+20.

Na visão dele, a crise econômico-financeira é um elemento importante a ser considerado em termos da disposição dos países desenvolvidos de avançar nessa discussão. “Há retração forte de países antes doadores que agora, por força da crise econômica, têm dificuldades até internas de justificar uma postura mais solidária e até mesmo o cumprimento de compromissos antes assumidos. Então não tendo os meios como [os países] vão se comprometer com as ações? Esse é o cerne da negociação”, afirmou Figueiredo.

E acrescentou: “Não podemos ficar reféns de uma retração gerada pela crise econômico-financeira nos países ricos. Temos de pensar a longo prazo”.

Segundo ele, a questão dos meios de implementação segue sendo um ponto de divergência que vai exigir um esforço mais intenso dos negociadores até amanhã. “Dessa área depende o resultado de outros pontos do texto. Para toda recomendação de ação é preciso que fiquem claros quais serão os meios à disposição dos países para que essas recomendações sejam implementadas”.

Os meios de implementação incluem pontos como financiamento, tecnologia e capacitação de recursos humanos. Perguntado se a transição para uma economia verde, terá um custo maior para os emergentes, Figueiredo discordou. Disse que países como China e Brasil investem nessas tecnologias. “A China é líder mundial em investimento em energias renováveis”, afirmou.

O mais importante, segundo ele, é difundir e dar acesso a essas tecnologias para que a sustentabilidade seja algo que todos os países possam abraçar e ninguém fique para trás. O diplomata disse que quando conversa com colegas da Ásia, da África e da América Latina a preocupação é sempre essa: situar-se na ponta do avanço tecnológico. “E essa ponta de avanço tecnológico está em tecnologias verdes que façam sentido econômico, social e ambiental”.

Fonte: Valor Econômico

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