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Telefônica avança no plano de agrupar AL

Um grupo de cem executivos da Telefónica América Latina vai desembarcar no Brasil ao longo de 2013, por conta da transferência da sede da holding para o país. Segundo o presidente do grupo Telefônica no Brasil, Antonio Carlos Valente, em um primeiro momento serão mantidas duas estruturas em separado, a do Brasil e a da América Latina.

A mudança é mais um passo rumo ao projeto de criar duas companhias independentes – uma no Brasil e outra na Europa -, com o objetivo de proteger a multinacional espanhola do turbulento cenário econômico internacional. Com isso, ganha força a ideia de fazer uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) dos ativos da Telefônica América Latina, conforme sinalizou o principal executivo de finanças da companhia, Angél Vilá, durante teleconferência com analistas no início de novembro.

Nesta semana, o jornal espanhol “Expansión” informou, sem revelar fontes, que a Telefónica pretende fazer o IPO das operações da América Latina ainda em 2013, na Bolsa de Valores de Nova York. A ideia seria oferecer no mercado uma participação minoritária da holding, segundo o jornal. Valente não quis dar mais detalhes sobre o assunto. Ontem, o executivo apresentou a parceria da Telefônica/Vivo com a MasterCard, para a criação da MFS – uma joint venture entre os dois grupos, que existe desde 2011 na Argentina e no Peru sob o nome de Wanda, e que começa a operar no Brasil agora no desenvolvimento de soluções de pagamento com telefonia móvel.

“A América Latina é estratégica para o grupo e mantemos os nossos investimentos aqui”, limitou-se a dizer Valente. Ontem, a operadora informou que vai manter os investimentos de R$ 24,3 bilhões no Brasil, previsto para o período entre 2011 e 2014, apesar de todos os esforços da matriz para tentar reduzir o endividamento, da ordem de € 56 bilhões até setembro.

Na América Latina, além do Brasil, a Telefónica tem operações na Argentina, no Chile, no Peru, na Colômbia, no México e na Venezuela. Este ano, pela primeira vez, a receita da Telefónica na América Latina superou a da Europa: 48,5% ante 48,4% no acumulado de janeiro a setembro. No mesmo intervalo de 2011, a Europa respondeu por 51,5% da receita, enquanto as operações na América Latina significaram 46%.

Em 2011, a companhia fez aporte de R$ 4,9 bilhões no Brasil. O capex (orçamento em investimento) no acumulado de janeiro a setembro deste ano soma R$ 3,27 bilhões, volume 13,1% superior ao que foi registrado no mesmo período do ano passado.

Com o novo Plano Geral de Metas de Competição (PGMC), publicado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) este mês, a operadora terá sua receita com tarifas de interconexão reduzida. “Isso acontece em um momento crítico, em que a empresa precisa realizar investimentos pesados na rede 4G”, disse Valente. Apesar disso, segundo o executivo o PGMC foi “de modo geral, positivo”. Como forma de compensar a queda na receita de interconexão (não revelada), Valente disse que a empresa precisa procurar soluções criativas, com a oferta de novos produtos e serviços, a exemplo do produto que será lançado em parceria com a MasterCard em abril.

Trata-se de uma conta pré-paga, acessada por meio de um cartão de crédito ou do celular. O usuário compra o cartão (os valores ainda não estão definidos) e pode, por meio do aparelho, enviar uma ordem de pagamento para outro usuário da Vivo. O cliente digita um código e tem acesso a um menu com as opções de recarga, pagamento de contas e de transferência de dinheiro. “É um produto que promove a inclusão financeira”, disse Gilberto Caldart, presidente da MasterCard Brasil. O executivo se refere ao público-alvo do cartão, usuários de celulares pré-pagos que não têm conta corrente. Segundo a empresa, que citou dados do instituto de pesquisa Data Popular, 60% da população não tem conta em banco.

O carregamento dos valores do cartão será feito nos pontos de recarga de celular, como bancas de jornal. A expectativa da MFS, segundo o presidente da empresa, Marcos Etchegoyen, é atingir entre 1,8 milhão e 2,3 milhões de transações até o fim de 2013.

Fonte: Valor Econômico (Colaborou Cibelle Bouças, de São Paulo)

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