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Suécia Sem Fronteiras

Imagine um país onde se pode fazer mestrado ou doutorado de graça em universidades classificadas entre as top 100 globais em Engenharia, Medicina, Computação, Biotecnologia, Arquitetura e Economia. Esse país dos sonhos é a Suécia, com a vantagem adicional de os cursos serem ministrados em inglês. Suecos e até estrangeiros com passaporte da União Europeia têm essa opção – que até uma lei aprovada em 2010 estava ao alcance de brasileiros.

A boa notícia para os estudantes daqui é que a mudança na lei obrigou universidades locais a brigar com americanas, inglesas e australianas para atrair pós-graduandos de fora, porque em 2011 houve queda de 60% no número de alunos estrangeiros no país. E as bolsas oferecidas por meio do programa Ciência Sem Fronteiras (CSF) passaram a ser alvo das grandes universidades do país.

Há questões pendentes que estão sendo negociadas pelos governos dos dois países. Os cursos de mestrado duram dois anos na Suécia – um a mais que o limite das bolsas do CSF. Além disso, estrangeiros ouvidos pelo Estadão.edu destacam dois problemas: a falta de moradia estudantil e o custo de vida, na média do salgado padrão europeu. Entre moradia e alimentação, o gasto mensal pode chegar a R$ 2 mil – o curso de mestrado sai por R$ 27 mil a R$ 40 mil anuais.

Mas as vantagens para quem faz pós na Suécia podem valer a aposta. “É um país tolerante com estrangeiros, com excelente qualidade de vida e universidades de primeira linha”, diz Mariana Buongermino Pereira, formada em Física Médica pela USP. Ela mora há três anos no país e já fez mestrado em Bioinformática antes de iniciar o doutorado na Universidade de Tecnologia Chalmers, em Gotemburgo.

O idioma, segundo Mariana, não chega a ser problema. “Quando veem que você fala mal a língua, eles mudam para o inglês na hora”, diz. A maioria dos suecos fala fluentemente o inglês, ensinado desde o ensino fundamental.

Outro atrativo, principalmente para bolsistas do CSF, é a proximidade das universidades com multinacionais suecas – e seus cobiçados programas de estágio. O Estadão.edu visitou seis universidades e todas reiteraram essa característica.

A Chalmers é uma delas. Com cerca de 40 cursos de pós em diferentes áreas, como Engenharia Automotiva, Naval e Mecânica, Ciência da Computação, Bioengenharia e Gestão de Negócios, ela tem 1.300 alunos de mestrado e 1.100 de doutorado. Gigantes com sede na cidade, como Volvo, SKF e Astra-Zenica, vivem recrutando alunos lá.

O Instituto Real de Tecnologia, mais conhecido pela sigla em sueco KTH, de Estocolmo, tem renome internacional em Engenharia de Materiais, Civil, Mecânica e Ambiental, em Tecnologia da Informação e Arquitetura, na qual oferece cursos de planejamento urbano. Pelo menos 85% dos estudantes conseguem emprego em menos de um ano no competitivo mercado europeu.

Outra universidade de ponta é a de Linköping, uma tranquila cidade de 150 mil habitantes a 286 quilômetros de Estocolmo. Com 27 mil alunos, é conhecida pelos cursos de Engenharia Aeroespacial, Mecânica e Aeronáutica e seu câmpus fica perto da sede da gigante de aviação Saab, fabricante de caças e turbinas.

Em Medicina e pesquisa avançada, a referência é o Instituto Karolinska, de Estocolmo – de onde saíram cinco prêmios Nobel de Medicina. Conhecido pela sigla KI, concorre com a Universidade de Uppsala, a 67 km da capital. Fundada em 1477, Uppsala, a universidade mais antiga da Escandinávia, tem um leque de cursos extenso, que inclui Humanidades.

Outra que investe pesado em pesquisa é a Universidade de Lund, no sul do país. Criada em 1664, oferece cursos disputados de Telecomunicações, Engenharia, Educação, Medicina, Direito, Ciências Sociais e Artes.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

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