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SP quer ampliar ensino técnico estadual

A Secretaria Estadual de Educação de São Paulo quer ampliar o ensino médio integrado à educação profissional. Para isso, a pasta lançará um programa que objetiva aumentar o número de matrículas para 20 mil neste ano, estabelecendo parcerias com escolas particulares, como o Centro Paula Souza e o Instituto Federal de São Paulo. Com isso, o tempo médio de conclusão dessa etapa de ensino pode chegar a quatro anos – hoje, são três.

Wilton Junior/AE–29/3/2011
Wilton Junior/AE–29/3/2011
Foco. Estudante de ensino técnico em Itaguaí numa parceria da ThyssenKrupp com Senai

 

Atualmente, a Secretaria de Estado da Educação já tem contrato com sete instituições de ensino profissionalizante, atendendo cerca de 6 mil alunos. Para expandir a oferta, a proposta da secretaria se divide em duas modalidades: ensino médio integrado ao profissionalizante e ensino médio simultâneo a curso profissional técnico. O projeto abrange apenas os municípios com mais de 50 mil habitantes.

A pasta pretende abrir, até o fim do mês, um chamamento público para instituições de ensino interessadas em se credenciar ao projeto, voltado para os alunos matriculados no 2.º ano do ensino médio das escolas da rede. Cada turma terá, no máximo, 40 alunos e, no caso de haver mais demanda do que vagas, haverá um processo seletivo.

Se as instituições interessadas forem aceitas – elas devem atender a uma série de critérios -, receberão uma verba que ainda está sob análise. De acordo com a secretaria, os projetos estão em fase adiantada de elaboração.

“É importante dizer que permanece a formação básica desse jovem”, disse ao Estado o secretário Herman Voorwald. “Vamos formatar o projeto de acordo com o interesse das escolas e dos alunos nesse programa. Tudo depende do retorno que teremos desse credenciamento.”

Sobre aumentar o tempo de conclusão do ensino médio, o secretário admite que a ideia está em estudo. “Isso provavelmente ocorrerá, mas depende ainda da formatação da proposta. Ainda não está fechado”, disse.

Além da parceria com as escolas particulares, está sob análise um acordo com o Centro Paula Souza, com a intenção de oferecer educação profissional técnica integrada ao ensino médio regular para duas turmas de até 40 estudantes em escolas selecionadas. Procurado pelo Estado, o Centro Paula Souza confirma que existe uma proposta da Secretaria de Educação e está estudando o projeto.

Atendimento. O acordo com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) também prevê a formação de duas turmas de 40 alunos por escola. O Ministério da Educação (MEC), responsável pelo IFSP, afirma que o acordo está em fase de construção e o projeto-piloto prevê um atendimento de 2 mil alunos em 20 câmpus do instituto a partir de março do ano que vem.

Pesquisadores em educação elogiam a proposta e são unânimes em dizer que ela daria mais motivação para os estudantes do ensino médio. “Sem dúvida é uma proposta válida, porque incentiva o interesse dos alunos”, afirma Wanda Engel, especialista em ensino médio e superintende do Instituto Unibanco. “O governo está respondendo ao que os jovens estão mostrando: desestímulo em ingressar no ensino superior”, afirma o economista e pesquisador em educação Ernesto Martins Faria.

Ressalvas. Mas os educadores fazem ressalvas. “Temos de pensar se todo esse foco no ensino técnico, com os programas federal e estaduais, não vai causar um boom de profissionais sem mercado para atuar”, afirma Faria.

Para Naércio Menezes, economista e professor do Insper, as autoridades devem ficar atentas às escolas que se credenciarão. “O ensino técnico profissionalizante custa caro e, portanto, deve haver preocupação em relação à qualidade dessas instituições parceiras.”

Wanda destaca que os governos – tanto federal quanto estaduais – deveriam pensar em outras alternativas para o ensino médio, além de somente vinculá-lo ao técnico profissionalizante.

Expansão

HERMAN VOORWALD
SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO

“Para o ensino médio, o programa (credenciamento de instituições particulares) é uma das ações mais importantes da secretaria, especialmente em função da demanda. O projeto dá ao jovem uma qualificação para se inserir no mercado de trabalho. A ideia é que seja um programa crescente.”

PARA LEMBRAR

Dilma lançou programa federal

No mês passado, o governo federal lançou o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). A meta é formar mão de obra qualificada por meio de capacitação técnica e profissional de alunos do ensino médio, além de beneficiários do Bolsa-Família e reincidentes do seguro-desemprego. Em quatro anos, o programa deve ofertar 3,5 milhões de bolsas de estudo e garantir que 8 milhões de pessoas se qualifiquem para o mercado.

Fonte: O Estado de São Paulo