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Setor aeroespacial busca engenheiros

O mercado de Defesa está crescendo no Brasil e, com ele, a necessidade de uma mão de obra especializada em novas tecnologias para atuar na indústria aeroespacial. Esse tipo de profissional, no entanto, ainda é escasso no país.

Empresas como a Embraer e a Helibras, envolvidas em programas complexos de desenvolvimento de aeronaves, helicópteros e sistemas de segurança e Defesa estão sendo obrigadas a se mobilizar e a investir mais na formação de talentos e na especialização dos funcionários.

Iniciado em 2001, o Programa de Especialização em Engenharia (PEE) da Embraer, por exemplo, já formou mais de mil profissionais. Depois de reduzir suas atividades em 2009 por conta da crise, ele está sendo ampliado agora com a formação de novas turmas no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), parceiro no desenvolvimento do curso.

Segundo a Embraer, o investimento no programa aumentou consideravelmente, passando de R$ 2,8 milhões em 2010 para R$ 6,7 milhões este ano, valor que deverá ser mantido em 2012. Em fevereiro, foi iniciada uma turma com 57 engenheiros recém-formados e, em agosto, haverá a seleção de mais 60 alunos – a média por ano deve ser de 100.

Para Diogo Jundi Toyoda, que foi aluno do PEE e hoje trabalha como engenheiro de desenvolvimento de produto da Embraer, o programa proporcionou uma visão bastante ampla da aeronáutica. Atualmente, isso o ajuda a entender melhor os desafios da sua área e a oferecer soluções mais eficientes para a empresa.

Na Helibras, a produção de 50 helicópteros EC-725 no Brasil- um contrato de € 1,847 bilhão, envolve um processo gradual de transferência de tecnologia, que exigirá a contratação de mais 500 empregados até 2012, o dobro do número atual. Segundo o presidente da Eurocopter, Lutz Bertling, a contratação de mão de obra qualificada será fundamental para dar suporte ao crescimento da produção de aeronaves para o mercado civil e para cumprir os contratos com o Ministério da Defesa.

Essa será a primeira vez que a Eurocopter implementará uma linha de montagem de um helicóptero tão sofisticado fora da França ou da Alemanha.

A área de engenharia da Helibras assumiu a responsabilidade de montar a nova equipe. “A Eurocopter está firmando convênios envolvendo a Helibras, a Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e uma universidade francesa para a troca de conhecimentos e treinamento”, diz Richard Marelli, diretor do programa EC-725 no Brasil.

Uma das principais referências no Brasil na formação de engenheiros aeronáuticos, o ITA também tem sido solicitado pelas empresas para ampliar a oferta de cursos. Segundo o reitor da instituição, brigadeiro Reginaldo dos Santos, o instituto quer lançar uma nova pós-graduação em engenharia aeroespacial. O programa, que irá integrar vários grupos de pesquisa do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), está sendo avaliado pela Capes e a expectativa é de que ele seja aprovado este ano.

Em 2010, o ITA lançou o curso de graduação em engenharia aeroespacial, oferecendo 10 vagas para o vestibular realizado no final de 2010. O novo curso, segundo o reitor, foi um pedido não só da indústria, mas dos institutos de pesquisa como o Inpe e o DCTA, que ao longo dos últimos anos vêm perdendo cientistas por conta de aposentadorias e da transferência para a iniciativa privada. A Vale Soluções em Energia (VSE), do grupo Vale, também renovou o seu contrato com o ITA para a realização de mais um mestrado profissionalizante na área de turbinas a gás.

Outro doutorado que começará em breve no ITA é na área de infraestrutura aeronáutica. Ele vai dar continuidade ao projeto de expansão nos cursos de graduação. O objetivo é dobrar o número de vagas das atuais 120 para 240 por ano. As obras nas instalações do ITA, segundo Santos, devem começar em 2012 e a previsão é que consumam R$ 60 milhões. “Vamos aumentar as vagas em 20%.”

A empresa sueca Saab, que atua nos segmentos de Defesa, aviação e segurança civil, vai inaugurar em maio um centro de pesquisa e desenvolvimento de alta tecnologia em São Bernardo do Campo (SP). “Estamos negociando várias cooperações acadêmicas entre as universidades suecas e as indústrias brasileiras. Além disso, criamos um curso de especialização em engenharia de Defesa no ITA, nos mesmos moldes do PEE da Embraer”, diz o vice-presidente de tecnologia da Saab, Pontus de Laval.

O centro conta com a participação de empresas como a Volvo, Vale, Inventia e de agências governamentais da Suécia, além de institutos de tecnologia como o Royal Institute e a Chalmers University.

Fonte: Valor On Line

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