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Reconfiguração Estratégica: CNPq discute a internacionalização da Ciência

Integrando as atividades relativas ao Plano de Reconfiguração Estratégica do Conselho, na segunda-feira (20) foi realizado encontro para debater o desafio da internacionalização da Ciência.

Participaram da mesa de abertura o diretor de Engenharias, Ciências Exatas e Humanas e Sociais do CNPq, Guilherme Sales Soares de Azevedo Melo, a professora Emérita da UFRJ, a socióloga Alice Rangel de Paiva Abreu e o diplomata Ademar Seabra da Cruz Junior, hoje membro do serviço exterior do Ministério das Relações Exteriores.

A pesquisadora Alice Paiva Abreu, que já foi vice-presidente do CNPq de 1999 a 2002, fez um panorama da situação da Ciência na América Latina e Caribe, pontuando os grandes desafios para a região avançar cientificamente. “O desenvolvimento socioeconômico desigual entre os paises acabou gerando diferentes graus de organização das comunidades cientificas. Temos grandes centros de excelência, porém de forma desequilibrada, por isso, precisamos juntar esforços para adotar o modelo de uma ciência compartilhada e sustentável que busque ter mais sinergia e integração com diferentes atores, não só locais como também globais”, afirma Alice.

Em sua apresentação, a socióloga diz ser inegável o crescimento da Ciência Brasileira dos últimos tempos. “O papel do CNPq foi fundamental para a construção dos alicerces da ciência brasileira, e nestes últimos anos, a agência aumentou significativamente o investimento em bolsas e fomento à pesquisa, trazendo com isso grandes resultados para o País”. Nesse contexto, destacou alguns mecanismos de atuação do CNPq, como os INCTs, o Pronex, a cooperação bilateral e as bolsas de formação no exterior. No caso das bolsas, ressaltou a importância da retomada de uma formação integral: “precisamos estar no topo da pesquisa mundial e isso se faz lá fora”.

Alice Abreu enfatizou também a importância da colaboração científica. “A colaboração é um indicador que informa sobre as relações que existem entre as instituições científicas no processo e ainda consegue dar maior visibilidade aos resultados científicos publicados. A colaboração internacional é uma das formas dos nossos pesquisadores mostrarem nosso potencial científico”, ressalta.

Para o diplomata Ademar Seabra Júnior, a realização do Plano de Reconfiguração Estratégica do CNPq é fundamental para construir um pensamento articulado e preparado às demandas futuras. “É indispensável à agência potencializar energia para as grandes discussões e desafios que integram o bem sucedido trabalho do Conselho. O Brasil sempre foi um terreno fértil para a ciência, porém foi com a articulação do CNPq e outras importantes agências de fomento que foi possível difundir a cultura do conhecimento e conseqüentemente institucionalizar a ciência brasileira”, diz Ademar.

Para Ademar, que atualmente tem-se dedicado ao estudo da globalização econômica, particularmente do papel da inovação, do conhecimento e do desenvolvimento tecnológico na competitividade dos países, o Brasil, juntamente com outros países emergentes passou nestes últimos anos, por um processo de estabilização científica e política.

“Atualmente, o País atravessa um processo de maturação e vem tendo ótimos resultados no panorama mundial, principalmente no que tange ao hemisfério sul. Porém ainda temos grandes desafios pela frente, como diminuir as assimetrias regionais, ampliar o debate da ciência no cenário político, estimular as redes nos processos de inovação, intensificar investimentos em áreas tecnológicas, internacionalizar as empresas de base tecnológica, melhorar a qualidade do ensino, enfim o Brasil precisa acabar com os gargalos que impedem o País de crescer com desenvoltura”, pontua o Ademar.

Ao final do encontro, após debate que envolveu vários servidores do CNPq, que participam de grupos de trabalho temáticos, instituídos no âmbito do plano de reconfiguração estratégica da instituição, o diretor de Engenharias, Ciências Exatas e Humanas e Sociais da Agência, Guilherme Melo, afirmou que o órgão vem trabalhando arduamente para ampliar mais o papel do Brasil no cenário internacional.

“O novo programa Ciências sem Fronteiras buscará promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional”, finalizou Melo.

Fonte: Jornal da Ciência

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