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Quanto mais longe e ao norte, mais caro se paga diz Rogério Santanna da Telebrás

Entrevista de Rogério Santanna ao Jornal O Estado de SP – Presidente da Telebrás

O preço da internet no Brasil é alto e varia entre regiões. O PNBL pode mudar isso?
O mercado brasileiro de banda larga é muito centralizado em poucas empresas. Cinco empresas detêm 95% do negócio: Telefônica, Oi e Embratel, GVT e CTBC. Dessas, três são donas de mais de 80% dele. Elas detêm a infraestrutura de redes de transporte de dados nas regiões em que dominam o mercado. Quem tem as redes domina. No Amazonas é caro porque não tem estrutura de cabo. É via satélite. Sem cabo e sem concorrência o preço é alto mesmo.

Como a Telebrás entra nisso?
O papel da Telebrás é introduzir uma rede neutra, permitindo ao provedor decidir de quem vai comprar. Mas as operadoras também podem se beneficiar. A Telefônica poderia ir para o Nordeste disputar com a Oi usando nossa rede. Nosso papel é fazer que participantes do mercado não limitem por questões da rede.

Quais os primeiros passos?
Vamos iluminar a rede já existente da Petrobras e Eletrobras primeiro nos anéis Nordeste e Sudeste, jogando sinal para um raio de 100 km ao longo dos cabos. Vamos chegar com uma banda mínima de 200 Mbps para o provedor e aí ele, em contrapartida, vai oferecer uma parte disso a um piso de velocidade estipulado a R$ 35 – ou R$29,90 sem ICMS – ao usuário final, como um pacote mínimo, de entrada. Isso ele tem que reservar, o resto ele vende do jeito que quiser.

O Plano está sendo executado?
Hoje, todos os contratos essenciais para a implantação dos anéis já estão assinados, não há mais nenhum empecilho para começar. Só falta selar o acordo com a Petrobras – que a diretoria já aprovou, só falta burocracia – e Eletrobras – só falta a Aneel aprovar. Temos quatro meses para ligar algumas cidades. A meta é cobrir 1.173 cidades até o final do ano e 4.283 até 2014.

Vocês vão vender cada 1 Mbps por R$ 230. Esse preço não é alto?
Não é. Tem provedor em certas regiões do Brasil que paga R$ 1 mil ou até R$ 9.500 para operadora. A regra é: quanto menos concorrente e quanto mais longe e para o norte for a cidade, mais alto será o preço da internet.

Fonte>O Estado de São Paulo