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Protesto na Bahia barra carga de urânio

Cordão humano impediu a entrada do material radioativo em Caetité, onde funciona mina. Segundo a Cnen, o concentrado de urânio apresenta baixa radioatividade.

Formando um cordão humano, cerca de três mil pessoas bloquearam na noite de anteontem a entrada de nove carretas com 90 toneladas de urânio na cidade de Caetité (624 km de Salvador). Os manifestantes diziam que a carga era “lixo radioativo”.

A carga estava sendo transportada de uma reserva da Marinha em Iperó (126 km de SP) para Caetité, onde está a única mina de urânio em funcionamento no País. O material é da estatal INB (Indústrias Nucleares do Brasil, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia). Segundo a Cnem (Comissão Nacional de Energia Nuclear), o concentrado de urânio tem baixa radioatividade.

Nos últimos anos, suspeitas sobre a qualidade da água mobilizaram os moradores. Um estudo do Ingá (Instituto de Gestão das Águas) – órgão do governo baiano – detectou que parte da água consumida apresentava índice de radioatividade maior que o recomendado.

A Agência Internacional de Energia Atômica da ONU concluiu, porém, que as atividades da mina não provocavam impacto ambiental superior ao aceitável.

O protesto de anteontem foi convocado por ambientalistas. Segundo Marcell Moraes, presidente da ONG Geamo (Grupo Ecológico Amigos da Onça) e vice-presidente do PV na Bahia, a organização do ato “perdeu um pouco o controle da situação”. “A comunidade queria queimar a carga”, afirmou. A Polícia Federal acompanhou a ação. Não houve confronto.

Devido ao bloqueio, a carga foi levada para Guanambi, mas o prefeito da cidade vizinha, Charles Fernandes (PP), recusa a guarda. A Prefeitura de Caetité disse que uma reunião hoje definirá o destino do material.

A INB diz que o material supriria um déficit de produção da mina de Caetité. Seria reembalado e seguiria para a Europa, onde passaria por processo de enriquecimento.
Depois de enriquecido, o urânio serve de combustível para as usinas de Angra dos Reis (RJ). “As atividades desenvolvidas pela INB não geram “lixo radioativo”. O urânio é trabalhado em seu estado natural”, diz a empresa.
Fonte: Folha de São Paulo