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Profissional com ensino superior engaveta diploma

Mesmo com diploma de curso superior na mão, muitos profissionais se lançam em concursos públicos para cargos de ensino médio. Trocam atuar na área de formação por estabilidade e salários iniciais atrativos.

Ana Céli Jardim, 26, concluiu o ensino superior em gestão petrolífera, uma área em franca ascensão no mercado. Mas não pretende seguir carreira no setor.

Ela diz que entrou no curso por pressão da família, mas, após concorrer a uma vaga de ensino superior na Petrobras e não ser convocada, focou vagas de nível técnico em instituições públicas.

“No curso preparatório, eu me apaixonei pela área do direito”, afirma ela, que estuda para passar em uma vaga técnica. O próximo passo, diz, é cursar faculdade de direito para prestar concurso para promotora do MPU (Ministério Público da União).

Formada em engenharia elétrica em 2008, Taisa Fujita, 25, também não quer saber de emprego em empresa privada. Ela se prepara há dois anos para concursos.

Fujita diz gostar de engenharia, mas o salário inicial e a estabilidade em cargos públicos são mais atraentes do que a área de formação.

Segundo ela, o objetivo, por enquanto, é prestar concursos que exijam ensino médio, por oferecerem mais vagas atualmente.

“[Depois de ser aprovada,]pretendo usar meu tempo livre para fazer projetos de engenharia, já que, no serviço público, o horário de trabalho é bem definido”, planeja.

O irmão de Fujita, que também é engenheiro, foi nomeado técnico da Fazenda Estadual no último dia 4.

ILUSÃO
Levantamento feito pelo site Concurso Virtual a pedido da Folha mostra que 72% das pessoas com ensino superior completo cadastradas na empresa pleiteiam vagas de ensino médio. No ano passado, o número era de 58%.

Para o professor Ricardo Ferreira, especialista em concurso público, o aumento é fruto do baixo volume de vagas para pessoas com ensino superior e de uma “ilusão” de que as provas de ensino médio são mais fáceis.

“As questões de níveis técnicos costumam envolver fórmulas, equações e regras que, depois de saírem do colégio, as pessoas acabam esquecendo porque não aplicam no dia a dia”, analisa.

Para Maria Thereza Sombra, diretora-executiva da Anpac (Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos), a tendência é a redução de seleções para cargos técnicos e o aumento das de ensino superior, principalmente na esfera federal.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

 

 

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