Notícias

Previsão do tempo é o serviço mais requisitado

Uma senhora viúva, de 80 anos, que morre de medo de relâmpagos, é uma das pessoas que liga com frequência para o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC). Telefonam também pessoas que querem saber se podem estender a roupa no varal, desmanchar um telhado, viajar no fim de semana e agricultores.

 

“Atendemos todo o tipo de gente, às vezes vira até uma terapia”, brinca a meteorologista Kelen Martins Andrade. Uma senhora que vende coco verde em Aparecida também entra em contato direto com os meteorologistas. “Se for fazer calor, ela sabe que precisa levar mais cocos”, explica Kelen.

José Antonio Aravequia, chefe da divisão de operações do CPTEC, conta que a previsão do tempo também é utilizada por seguradoras (para ver quantos guinchos devem deslocar para cada área), por transportadoras (para fazer seus planejamentos de transporte) e empreiteiras (para saber que dia devem concretar, já que quando chove elas perdem tudo).

“A indústria têxtil também faz consultas para saber que tipo de tecido deve usar na próxima estação”, afirma Kelen.

Avisos meteorológicos sobre chuvas fortes ou baixa umidade do ar são enviados para a Defesa Civil e publicados no site do centro. Por tudo isso, Aravequia avalia que esse é o setor do Inpe com mais benefícios diretos para a sociedade.

Resolução. Atualmente, a previsão do tempo é feita com uma resolução de 20 km (é como se o quadrado analisado tivesse 20 km por 20 km). “É por isso que às vezes a previsão dá certo para uma cidade e não funciona para o município vizinho. Mas, quando entrei aqui, a resolução era muito pior, de 200 km”, conta Kelen, que é formada pela Universidade de São Paulo (USP).

Está em teste há um mês a previsão com uma resolução melhor, de 15 km. Com o supercomputador adquirido pelo Inpe, será possível chegar a 5 km.

“Quanto maior a resolução, mais contas é preciso fazer. Então, é necessário ter mais memória e velocidade”, esclarece Aravequia.

Hoje, os meteorologistas trabalham em três turnos, das 6 horas até a meia-noite. Mas em breve haverá também pessoas na madrugada.

As previsões darão suporte ao Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) do Ministério de Ciência e Tecnologia. O centro será baseado nas instalações do Inpe de Cachoeira Paulista (SP) e deve começar a funcionar no segundo semestre.

Apesar de a confiabilidade da previsão do tempo ter melhorado muito nos últimos anos, alguns erros ainda são inevitáveis. Na primavera e no outono – épocas de transição – é quando o índice de acerto é menor.

Kelen ainda se sente culpada depois de dar uma previsão errada. “Mas quando faz sol em vez de chover as pessoas ficam menos bravas.” A previsão do CPTEC pode ser vista no site cptec.inpe.br.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

Próximos Eventos