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Polo de MG aproxima-se de militares

No fim do mês passado, um grande e potencial cliente bateu na porta das empresas de eletroeletrônica baseadas em Santa Rita do Sapucaí. Uma comitiva de militares do Ministério da Defesa reuniu-se com empresários locais para conhecer o tipo de tecnologia fabricado ali. O interesse do ministério é pôr a cidade no mapa de compras de produtos de defesa pelas Forças Armadas.
Santa Rita, de 40 mil habitantes, é o principal polo mineiro de eletroeletrônica. Dali sai uma variedade de equipamentos, componentes e softwares para TV digital, telefonia móvel, segurança e outros. São 11 mil itens e exportações para mais de 40 países. O setor de defesa é novidade para a maioria das pequenas e médias empresas.
A comitiva foi liderada pelo general Aderico Visconde Pardi Mattioli, diretor do departamento deprodutos de defesa da secretaria que trata do assunto no ministério. Ele explicou a um grupo de empresários que o ministério se reestruturou e que o governo coloca a indústria de defesa como um dos vetores para o crescimento da economia. E que depois de muito tempo com a demanda represada, há uma retomada do orçamento para o setor.
“Material de defesa é tudo, do coturno ao radar”, diz Mattioli. “Santa Rita tem potencial para atender à nossa demanda na área cibernética, de comunicação via rádio, de câmeras de vigilância e equipamentos de visão termal [para uso em locais escuros].” O interesse do ministério é em equipamentos de uso dual – para fins civis e militares. Isso permite que os empresários não dependam das compras governamentais para sobreviver.
O Ministério da Defesa ainda não terminou o diagnóstico que apontará quais são os produtos de maior demanda pelas Forças Armadas. Existe uma grande dependência de importados, principalmente dos produtos de ponta, disse Mattioli. O interesse do governo é incrementar a participação da indústria nacional também nesses segmentos mais avançados.
Para o general, o polo mineiro tem condição para disputar contratos desse tipo. “Os empresários de Santa Rita em algum momento vão participar da cadeia produtiva dos Veículos Aéreos Não Tripulados (Vant), de mísseis e da cibernética”, disse ele.
Marco Antonio Castello Branco, um dos vice-presidentes da Federação das Indústrias de Minas (Fiemg), reforça: “As empresas de Santa Rita têm muito potencial para serem integrantes da cadeia do sistema de defesa, fabricando equipamentos de visão noturna, recursos de mira, cabos para veículos militares, peças para radar.” O que faltava até agora, diz, era apresentar as empresas para as Forças Armadas e vice-versa.
Fonte: Valor Econômico

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