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Poli-USP quer captar verba para pesquisa nos moldes de Harvard

O orçamento anual da Universidade Harvard (EUA), considerada a melhor do mundo, beira os R$ 6 bilhões. Mas só 20% desse montante vem do governo americano.

O resto do dinheiro é uma soma de anuidades, doações e rendimentos dos chamados “endowments”, fundos de investimentos da instituição.

Esse é o modelo importado pela Escola Politécnica da USP, que agora terá seu fundo de investimentos –iniciativa pioneira nas universidades públicas brasileiras.

Assim como em Harvard, o fundo será gerenciado por uma empresa, a Endowments do Brasil, responsável por aplicar o que virá do setor privado e de ex-alunos.

“O dinheiro permanecerá intocável. Os dividendos da aplicação serão revertidos em recursos para pesquisa”, explica José Roberto Cardoso, diretor da unidade da USP.

A escola ganha autonomia para financiar parte de seus trabalhos sem depender de agências de fomento e do Estado (85% dos R$ 2,89 bilhões liberados pelo governo à USP são consumidos pela folha de pagamento da universidade).

A iniciativa, no caso da Poli, veio dos próprios alunos. Foi o Grêmio da Poli que criou o “endowment” e fez a primeira doação: R$ 100 mil. Agora, a expectativa é por recursos vindos de fora.

“Esperamos que o fundo desenvolva uma cultura de doação que ainda não existe no país”, diz Danielle Gazarini, presidente do grêmio.

A falta de “costume” em doar e receber doações é tão grande que a própria USP não contabiliza quanto dinheiro extraorçamentário recebe.

Cardoso diz que a ideia é difundir a proposta internamente na universidade. “Já fomos procurados por algumas unidades da USP para falar da nossa iniciativa.”

Por enquanto, a estrutura gerencial do fundo é pequena. A Endowments do Brasil tem alguns sócios, e só. “O custo do gerenciamento não consumirá mais de 10% do valor que se resgate”, diz Felipe Sotto-Maior, um dos diretores da empresa.
Por isso, não está previsto inicialmente uma equipe de captação de recursos, ou seja, pessoas responsáveis por contatar os ex-alunos e seduzi-los para que contribuam.

Em Harvard, há 150 funcionários gerenciando os vários “endowments” da universidade e fazendo a captação. De acordo com Sotto-Maior, o fundo pode ainda ajudar a aproximar o setor produtivo da universidade.

Mas as empresas não vão interferir no gerenciamento do fundo. Quem decidirá quais projetos receberão os recursos será um conselho, afirmam os idealizadores. “Será como uma agência de fomento: o pesquisador submete um projeto e o conselho avalia”, diz Cardoso.

O site da Politécnica é http://eepolitecnica.org.br.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo