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Plano ajuda a enfrentar China, mas não inova

De acordo com análise de Claudio Angelo, publicada na Folha de São Paulo de hoje (3), a Política Industrial deixa de fora incentivos a pesquisa e ao desenvolvimento.

No início do ano, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, costumava dizer que o Brasil precisava de um “Sputnik”: um programa maciço de inovação tecnológica para driblar a crise internacional e estimular sua indústria.

A nova política industrial passa longe disso. Desenhada para combater um sintoma – a conjuntura externa desfavorável e o sucateamento de indústrias tradicionais em competição com a China -, ela é tímida no ataque à doença – a falta de investimentos em pesquisa. Além disso, não resolve o nó da competitividade das empresas a longo prazo.

A própria decisão de anunciar uma política industrial separada da política de ciência e tecnologia (a ser conhecida nas próximas semanas) denuncia essa dissociação cognitiva do governo.

As indústrias mais beneficiadas pela desoneração da folha de pagamento são quase todas do século 19 (calçados, confecções e móveis), que geram muito emprego, mas pouco valor agregado. A exceção é a de softwares e TI, que ganhou mais do que pediu: queria gastar até 2,7% do faturamento, levou 2,5%.

Já recursos para indústrias do século 21, como biotecnologia, energias renováveis e espaço, foram em geral ensacados numa linha de R$ 2 bilhões da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) que não é nova. O recurso já tinha sido anunciado e foi quase todo disponibilizado.

“Fiquei achando que eles haviam guardado alguma coisa para anunciar amanhã [hoje] num evento com empresários”, disse Carlos Américo Pacheco, do Instituto de Economia da Unicamp. Segundo ele a formação de engenheiros, por exemplo, um dos gargalos da indústria de base tecnológica nacional, poderia ter sido objeto de medidas mais agressivas.

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), elogiou o programa de compras governamentais.Mas observa: “Isso não está no bloco de inovação. Seria mais útil que elas considerassem a capacidade tecnológica, e não simplesmente favorecer um setor porque ele não pode competir”.

Fonte: Jornal da Ciência

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