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Pesquisa pode levar a novo tratamento contra a dengue

Uma equipe internacional de pesquisadores identificou o mecanismo pelo qual um anticorpo natural humano consegue neutralizar o vírus causador da dengue, o DENV.

A pesquisa obteve sucesso contra uma das quatro variantes do vírus, mas a equipe já está procurando anticorpos que possam atuar contra as outras três.

A descoberta abre a possibilidade de um tratamento eficaz contra a variante (“sorotipo”) número 1 do vírus.

A equipe coordenada por Paul A. MacAry e Ee Ping Teoh, da Universidade Nacional de Cingapura, publicou o achado na edição desta quinta (21) da revista médica “Science Translational Medicine”.

Eles lembram que em torno de 2,5 bilhões de pessoas vivem em áreas de risco de transmissão da doença em mais de cem países, a maioria em áreas tropicais. O vírus infecta cerca de 100 milhões de pessoas todo ano.

Transmitida por mosquito, a dengue pode variar na sua intensidade. Há pacientes sem sintomas, outros apresentam febre e, nos casos de dengue hemorrágica, a doença pode matar. O aumento da temperatura do planeta tende a aumentar a área de transmissão da doença.

Faltam tratamentos eficazes contra a dengue; basicamente, o paciente recebe reposição de fluidos.

Uma pessoa infectada por um dos subgrupos produz imunidade contra ele para o resto da vida, mas não adquire proteção contra os outros três.

“A identificação dos determinantes protetores da resposta de anticorpo humana ao DENV é um requisito vital para o projeto e avaliação de terapias preventivas e tratamentos futuros”, afirmam os autores.

O anticorpo neutralizador, conhecido como 14c10, foi isolado do organismo de uma vítima da doença infectada pelo DENV1.

“Anticorpos podem neutralizar infecções virais por mecanismos diversos incluindo a inibição da ligação do vírus a membranas”, dizem os pesquisadores; ou então bloqueando mudanças na conformação das proteínas na superfície do vírus.

Eles descobriram que o anticorpo age ao se ligar ao vírus e bloquear a sua capacidade de se grudar a uma célula humana. O 14c10 recobre o vírus com proteínas “grudentas” que impedem a fixação nas células.

Testes também mostraram a capacidade do anticorpo de neutralizar o vírus antes e depois de ele se fixar na célula-alvo, embora a concentração do anticorpo precisasse ser “significantemente maior” no segundo caso.

O efeito neutralizador não ocorreu apenas em “proveta”. Apesar de o DENV não afetar roedores na natureza, é possível provocar uma infecção em camundongos modificados para ter uma resposta imune deficiente.

O anticorpo 14c10 diminui a carga viral dos camundongos quando injetado 24 horas da infecção e também quando administrado 48 horas depois dela. E não foi preciso dar doses cavalares; mesmo em concentrações relativamente baixas o anticorpo demonstrou grande eficácia “in vivo”.

O resultado nos camundongos já era visível meras duas horas depois da administração do 14c10. Os pesquisadores já planejam testes clínicos em seres humanos sabidamente infectados pela variante 1 do vírus.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

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