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Pela 1ª vez, Unifesp será dirigida por uma mulher

A farmacêutica Soraya, que já foi presidente da associação dos docentes, defende uma gestão mais plural.

Pela primeira vez, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) será dirigida por uma mulher – e que não é médica, fato também inédito. A farmacologista Soraya Smaili foi eleita pelo Conselho Universitário este mês. Seu nome seguirá para o Ministério da Educação e Palácio do Planalto para oficialização. Ela deve assumir em fevereiro.

Quando o atual reitor, Walter Albertoni, assumiu o cargo em 2009, o desafio era acabar com a crise que veio na esteira das denúncias de gastos irregulares do antigo dirigente Ulysses Fagundes Neto. Agora, Soraya precisa desenrolar os nós que ainda entravam a infraestrutura de unidades, como ocorre no campus de Guarulhos. A aposta da professora, que é ligada à associação dos docentes, é em uma gestão mais plural, defendendo a descentralização do orçamento.

O que significa a escolha de uma mulher como reitora?

Acredito que as pessoas gostaram muito dessa mudança porque tem um grupo grande que gostaria de ter representação. Acredito que viemos contemplar principalmente as unidades que surgiram depois da expansão, onde tivemos maior apoio. Sou a primeira pesquisadora de área básica a ocupar o cargo. Sou da Escola Paulista de Medicina (EPM), mas lá não temos só a Medicina.

Qual a bandeira da gestão?

O nosso programa se chama Unifesp Plural e Democrática. A EPM ficou circunscrita na área da saúde até meados de 2004. Mas a partir daí houve uma expansão grande e muito rápida. Crescemos muito. Queremos que essa pluralidade tenha representação maior, sem deixar de ter o devido espaço para a EPM.

Quais serão as ações para essa mudança?

Queremos aumentar a eficácia da gestão, ter uma administração mais rápida e ágil. Precisamos de uma reorganização da administração, que os campi tenham seus próprios orçamentos. Será uma reconstrução com planejamento.

Como resolver os desafios de falta de infraestrutura?

Nós temos de resolver isso rápido. Já poderíamos ter feito no ano passado (obras e adequações) se tivéssemos feito a descentralização do orçamento. Queremos um compromisso compartilhado. E temos ainda de fortalecer a assistência estudantil.

Quais são as metas?

A reforma administrativa deve acontecer nos primeiros seis meses após o início gestão. Mas precisamos de planejamento, porque há problemas que conseguimos solucionar em três meses. Outros, como a construção de um prédio, não são tão rápidos.

Como deve ser a ação em Guarulhos, onde há problemas de acesso ao local e infraestrutura precária?

Em Guarulhos, elementos de complexidade se acumularam. Em relação ao acesso, a reitoria já conseguiu fechar a ponte Orca do Metrô Itaquera até o campus. Já o prédio novo, esperamos que agora a licitação não vá parar (a universidade lançou um novo edital, a terceira tentativa). Temos um grupo de docentes que está colaborando e os estudantes estão sendo ouvidos.

Com tantos desafios, sobra tempo para pensar na qualidade dos cursos?

Na graduação, vamos discutir a flexibilização dos currículos. Na pós-graduação, precisamos dar mais condições de funcionamento da pesquisa. Os cientistas estão sofrendo com a falta de infraestrutura para fazer publicações e se internacionalizar. E, em ciência, a internacionalização é um dos pontos-chave.

QUEM É:

Professora associada livre docente na Unifesp, Soraya é formada em Farmácia e Bioquímica pela USP, tem pós-doutorado na Thomas Jefferson University e no National Institute of Health, nos EUA. Foi presidente da Associação dos Docentes da Unifesp.

Fonte: O Estado de São Paulo

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