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Para empresas, juro elevado é maior obstáculo à inovação

A indústria brasileira gasta quase três vezes mais com juros em relação ao desembolso com investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Também o elevado custo financeiro é apontado por mais da metade das fábricas paulistas como o principal obstáculo à inovação para ampliar a competitividade dos produtos, revela pesquisa do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Decomtec/Fiesp).

A enquete, feita com cerca de 200 indústrias no Estado de São Paulo para mapear os principais obstáculos à inovação, mostra que 59% das empresas consideram a elevada taxa de juros a pedra no caminho da inovação. Esse obstáculo ganha relevância entre as pequenas (64%) e médias (56%) empresas. Mas também atinge fatia significativa das grandes indústrias (39%).

“O custo financeiro é o principal problema para as indústrias”, afirma o diretor titular do Decomtec e responsável pela pesquisa, José Ricardo Roriz Coelho. Ele ressalta que no momento atual de crise, em que a inovação é tida como a solução para elevar a competitividade dos produtos manufaturados brasileiros frente à competição internacional, gasta-se mais com spread bancário do que com investimento em pesquisa e desenvolvimento. O spread bancário é a diferença entre o quanto os bancos pagam para captar o dinheiro no mercado e quanto cobram para emprestar.

O desembolso da indústria com investimentos em pesquisa e desenvolvimento em 2008, em valores atualizados para 2010, atingiu R$ 13,7 bilhões, segundo Pesquisa de Inovação Tecnológica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao mesmo tempo, as indústrias gastaram R$ 39,36 bilhões com spread bancário em 2010, de acordo com dados do Banco Central. A despesa com spread é 2,9 vezes superior ao gasto com pesquisa e desenvolvimento. “O custo do dinheiro no Brasil é muito alto, por isso é caro fazer inovação”, diz Roriz Coelho.

Procurada pelo Estado, a Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban) informou, por meio de sua assessoria, que prefere se pronunciar oportunamente sobre os resultados do estudo da Fiesp.

Fonte. Outro resultado relevante da pesquisa se refere às fontes de financiamento. Cerca de 90% dos recursos usados para financiar os investimentos com pesquisa e desenvolvimento são das próprias empresas. Quando os financiamentos são públicos, aponta o estudo, normalmente são voltados para indústrias de grande porte.

“As empresas grandes e que têm uma estrutura especializada para isso acabam tendo acesso às linhas de crédito e concentram a maior parte do dinheiro. Elas sabem como vencer os obstáculos”, observa Roriz Coelho. Já para a pequena e média empresa, o processo é muito burocrático.

Mão de obra. A pesquisa revela que as elevadas despesas com mão de obra especializada para desenvolver as inovações foram apontadas como um problema por 31% das indústrias. De acordo com a enquete, o peso da mão de obra é expressivo e representa a metade das despesas internas das empresas com pesquisa e desenvolvimento. Além disso, os encargos trabalhistas no Brasil são elevados e representam 32,4% dos custos com inovação, uma fatia muito maior, quando comparada a Taiwan (14,7%), Argentina e Coreia do Sul (17%) e México (27%).

Roriz Coelho ressalta que contratar gente especializada no Brasil é caro e os encargos sobre a folha de pagamento são elevados. Por isso, diz ele, as empresas médias e pequenas não têm massa crítica para contratar gente especializada que possa fazer todo o processo de pesquisa e desenvolvimento que levam à inovação.

Além dos elevados custos financeiros e de mão de obra, o empresário alerta que o custo de fabricação de um produto inovador no Brasil é muito alto em comparação com outros países. Isso aumenta o risco do investimento, já que as condições de competição com outros produtos no mercado internacional são desvantajosas.

Para o diretor da Fiesp, a saída para ter uma indústria inovadora deve contemplar dois pontos cruciais. O primeiro é ter financiamento para inovação a um custo baixo. O segundo ponto é desburocratizar o processo para que mais empresas, especialmente as pequenas e médias, tenham acesso a esses recursos.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

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