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Pandemia aumenta procura por cursos online sobre habilidades comportamentais e vida digital

Em menos de um mês, o Brasil completará um ano de pandemia. As vivências, aprendizados e readaptações necessárias ao longo desses meses mostram que rotinas repletas de atividades exibidas nas redes sociais – ler, cozinhar, assistir lives, praticar exercícios, fazer yoga, meditação, praticar o autocuidado, reorganizar os móveis e manter a conexão com os amigos – deram lugar a um cenário mais realista, no qual pessoas precisam equilibrar o trabalho remoto, o cuidado da casa e dos filhos e manter a saúde mental em dia.

Entretanto, também é verdade que o tempo antes gasto no deslocamento para o trabalho, por exemplo, foi utilizado por quem precisava ou tinha curiosidade de aprender habilidades que nem sempre a escola ou a universidade conseguem oferecer no tema, tempo ou duração esperados. Esse movimento impactou diretamente plataformas de cursos online, que viram a procura crescer vertiginosamente.

Romina Ederle, diretora sênior de comunicação global da Udemy, marketplace destinado a ensino e aprendizado no Brasil e no mundo através de cursos online, explica que apenas nos dois primeiros meses da pandemia no Brasil, houve um aumento de 95% nas inscrições em cursos da plataforma. A nível global, o aumento foi de 425% nas inscrições, enquanto a criação das formações também cresceu (55%). Números de três dígitos também foram percebidos na Hotmart, plataforma destinada à venda e distribuição de produtos digitais.

Nathália Cavalieri, vice-presidente de marketing da empresa, comenta que, ao longo do ano passado, a procura por cursos teve um aumento de 161%, elevação também percebida no número de profissionais interessados em montar suas próprias formações, isto é, oferecer seus conhecimentos a outras pessoas.

Desenvolvimento pessoal x qualificação profissional
Logo no início da pandemia, a equipe da Hotmart acreditou que muitas pessoas iriam usar o momento do trabalho remoto para se dedicar ao desenvolvimento profissional. Entretanto, o tempo em casa também serviu para que muitos se reconectassem a outros aspectos da vida pessoal. Entre as categorias da plataforma que mais apresentaram aumento na procura estão: negócios e carreiras, finanças, relacionamentos e desenvolvimento pessoal.

Alguns cursos podem conversar tanto com interesses profissionais, quanto pessoais, como é o caso de confeitaria, formação que, com um aumento de 227% na procura, pode ser usada tanto para quem criar um negócio, como para quem quer aprender para si. “De um lado, o curso de empreendedorismo, totalmente voltado a quem quer abrir o próprio negócio. Do outro, 100% voltado ao desenvolvimento pessoal, um curso sobre espiritualidade: os dois tiveram aumento de 200% na procura”, expõe Nathália Cavalieri.

Segundo a especialista, o movimento em 2020 correspondeu a uma migração do interesse de aprendizado e de desenvolvimento para o universo online, em todas as frentes e nos mais variados nichos. Além disso, outra hipótese é de que as pessoas se viram em uma situação propícia para migrar seus negócios e estabelecer ou melhorar sua presença online.

Habilidades comportamentais e a migração do trabalho para o mundo online
Já no caso da Udemy, o relatório Online Education Steps Up: What the world is learning (from home)(“A educação online avança: O que o mundo está aprendendo (de casa)”), traz outros dados interessantes, como maior engajamento em cursos envolvendo as chamadas socioemocionais, como mentalidade de crescimento (com um aumento de 206%), criatividade (51%), domínio do foco (119%), inovação (98%) e comunicação (131%).

Segundo Romina, os cursos online que trabalham essas habilidades comportamentais levam vantagem em relação a cursos de graduação, por exemplo, em razão de maior agilidade na abordagem de novas tendências. “Muitos dos cursos disponíveis na Udemy são ensinados por profissionais que são especialistas em seus mercados e que trabalham com esses temas em seu dia a dia. Isso, somado à agilidade com que um curso pode ser publicado na Udemy, faz com que os alunos tenham acesso a temas que são tendências antes mesmo de eles chegarem às universidades, onde precisariam ser aprovados e entrariam na grade, no mínimo, apenas no semestre seguinte.”

O estudo traz um panorama no qual é possível observar quais habilidades foram mais buscadas pelos cursistas na plataforma no mundo todo. No Brasil, o cenário foi: marketing de Instagram (com aumento de 103%), edição de vídeo (102%) e desenho (84%). Os dois primeiros conversam com tendências observadas pela Udemy na maior procura por cursos que ensinam habilidades técnicas, voltadas à vida profissional.

“Acreditamos que esses os dois tipos de cursos [mais procurado no Brasil] podem ter sido muito úteis, e continuar sendo, para empreendedores que passaram a vender online com a pandemia, por exemplo. Para os professores que passaram a oferecer cursos de forma online também, entre muitos outros perfis. A maior parte dos profissionais precisou adequar os seus trabalhos para os tempos de pandemia, por exemplo para o trabalho remoto ou para as vendas online”, explica Romina.

Entretanto, a diretora observa que, com mais pessoas em casa, principalmente nos primeiros meses da pandemia, houve aumento na busca por cursos relacionados a hobbies e desenvolvimento de interesses pessoais. Pilates, yoga, ukulele, meditação e aquarela, bem como o curso de desenho citado acima, foram alguns que apresentaram aumento de 402%, 175%, 292%, 111%, 210% e 84%, respectivamente.

Novas oportunidades de trabalho
O tempo antes gasto para ir e voltar do trabalho foi uma janela para que Nathalia Leite, jornalista e profissional da área de experiência do cliente, pudesse colocar em prática a vontade que já tinha de se aprofundar em assuntos de seu interesse. “Já havia procurado cursos online mas nunca foi algo que deu certo, seja por falta de disciplina ou procrastinação. Com a pandemia, decidi preencher os inúmeros finais de semana em casa de uma maneira útil. Com esses meses em casa, tive mais tempo para pensar em temas dos quais gosto muito. Então conclui que seria o momento para investir nessas satisfações pessoais e, quem sabe, trabalhar com isso no futuro”, comenta.

‘A Amazônia do século 21: Os riscos e as oportunidades para a maior floresta tropical do planeta’ e ‘Para entender o Oriente Médio e o conflito Israelo-Palestino’ são algumas formações que se encaixam no que a jornalista chama de satisfação pessoal, por não terem relação direta com seu trabalho. Entretanto, essas vivências mostraram que é possível usar também realizar cursos para aperfeiçoar seu trabalho e apoiar sua qualificação profissional, inclusive conduzindo a novas oportunidades, como as formações de produção de conteúdo para web, escrita criativa e Canva.

“Os cursos que fiz e os próximos que farei são voltados para interesses pessoais ou para me capacitar para outras oportunidades de trabalho. O curso de produção de conteúdo, por exemplo, me ajudou muito na preparação para um processo seletivo”, explica.

A preocupação com o mercado de trabalho também se faz presente entre aqueles que ainda estão na universidade. Eduardo Saraiva, aluno do curso de jornalismo, aproveitou a pandemia para aprofundar assuntos relacionados à área de comunicação, na qual pretende seguir carreira. Marketing e produção audiovisual estão entre os temas buscados.

“No começo de 2020, já estava planejando complementar minha formação com diferentes cursos, online ou presenciais. A chegada da pandemia fez com que todos eles fossem online. Acredito que a faculdade fornece um esboço dos conteúdos, passando apenas superficialmente. Além disso, leva mais tempo para se atualizar do que um curso online. Essas formações vieram para acrescentar ao meu currículo e me preparar melhor para o mercado de trabalho, que está desafiador no quesito de vagas”, completa.

Mesmo para quem via cursos a distância com desconfiança, o momento também foi propício para uma dedicação extra aos estudos. “Estava entrando em desespero com o confinamento e aprender uma nova língua foi a possibilidade que eu encontrei de poder sair, viajar e viver além dos limites impostos pela pandemia”, diz a professora de educação básica e universitária, Selma Regina Olla.

Para ela, o formato online permitiu avançar mais rápido nos conhecimentos em francês. “Confesso que se fosse para aprender francês presencialmente, não teria sido possível esse ano. E online, meus estudos deslancharam. Eu não entendia nadinha e já estou no quinto módulo”, diz.

No entanto, avalia que cursos precisam ser interativos para funcionar. “Tem cursos a distância que a interação com o professor é mínima. Tudo com apostila com o conteúdo mastigado e a comunicação com o professor ou entre os próprios alunos é só por fórum. Esses eu acho bem ruim”, descreve.

Com as novas habilidades adquiridas durante a pandemia espera avançar em sua pesquisa de mestrado. “Como tenho intenção de fazer doutorado, gostaria de ler esses autores no original. Não curto muito o inglês, mas estudo e falo essa lingua, porém como na minha pesquisa eu critico a questão de tudo ser em inglês, achei que seria uma boa oportunidade de fazer o exame de proficiência da segunda lingua estrangeira em francês”.

Elementos que definem os melhores cursos
Romina, da Udemy, reforça que, para ser atrativa, uma formação online precisa ser dinâmica, ir direto ao ponto e oferecer exercícios práticos. Todos os cursos pagos oferecidos na plataforma fornecem certificado, um elemento que, para a diretora, é um diferencial para quem está escolhendo uma formação online.

Nathália Cavalieri, da Hotmart, explica que o fato de a plataforma oferecer mais de 250 mil cursos permite algumas observações de elementos que contam positivamente na hora de pessoas escolherem os cursos e se engajarem mais ou menos durante as formações. A oferta de certificados de conclusão, por exemplo, aumenta não apenas o engajamento durante as aulas, mas também a procura pelas formações.

Outro ponto positivo é o uso de legendas. Ao contrário do que muitos podem pensar, elas não têm apenas a função de traduzir idiomas ou de proporcionar acessibilidade, mas também de aumentar o aprendizado ao reforçar o conteúdo que está sendo ministrado. Algumas formações próprias da Hotmart também possibilitaram aprendizados no que diz respeito à organização dos cursos: criar um vídeo introdutório, explicando o que os cursistas irão aprender ao longo da formação, bem como iniciar e encerrar módulos com explicações e retomadas de conteúdo são estratégias que ajudam a engajar as pessoas.

Nathália também ressalta a importância do uso de diferentes tipos de quizzes para testar os conhecimentos dos cursistas. “O quiz no contexto online não tem toda essa pressão da prova com dia e hora marcados. As pessoas podem se preparar mais e notamos que elas gostam de saber se estão evoluindo no ensino.”

Outro elemento que também marca deve ser observado nos cursos online é a interação com os estudantes. Uma formação via plataforma digital não deve manter distância dos alunos, mas sim aproveitar os mecanismos disponíveis, como o fórum de discussão e mensagens privadas, para criar um canal de comunicação efetivo e real com os cursistas.

Para Eduardo, esse é um ponto fundamental que diferencia a aprendizagem em cursos online e na faculdade. “Na sala de aula, é possível tirar dúvidas com o professor, e acredito que essa interação direta é muito importante para o desenvolvimento pessoal e profissional. Nos cursos online, existe a possibilidade de mandar e-mails ou mensagens, mas não é a mesma coisa”, defende.

Pandemia trouxe mais disciplina
No universo dos cursos online, existe uma grande diferença entre se inscrever em um curso e de fato assistir e participar das aulas. Esse foi outro cenário alterado pela pandemia: de acordo com Nathália Cavalieri, houve um aumento de 283% na taxa de finalização das formações. “Notamos que as pessoas não estavam apenas comprando mais cursos, mas, de fato, estiveram mais engajadas com o conteúdo, consumindo-o até o fim.”

A especialista também aponta que uma das tendências que marcou 2020 foi a realização de lives. No começo da quarentena, o assunto virou meme nas redes sociais, devido ao grande número de transmissões ao vivo por dia sobre os mais variados temas. Entretanto, depois que a Hotmart realizou dois eventos online com transmissão ao vivo e mais de 600 mil inscritos, pode perceber que o público estava mais disposto a consumir conteúdo ao vivo, o que é comprovado na prática. “Nesse período, percebi que as aulas ao vivo funcionaram melhor para mim, já que tenho certa dificuldade em ter uma rotina regrada e me disciplinar para assistir aulas gravadas”, comenta Nathalia Leite.

Fonte: Portal Porvir.org em 23/02/2021

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