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País quer priorizar exportação tecnológica

Portugal já tem estratégia para reequilibrar as contas públicas e se livrar da crise que abala a economia do país: exportar mais e com foco na tecnologia. Em maio, lança o programa “Mais Portugal no Mundo”. Brasil e EUA foram definidos como alvos principais.

Os portugueses não produzem apenas azeite, cortiça, vinho, cerâmica ou têxteis: “Seu país não tem conhecimento exato do que é moderno na economia portuguesa. Alguns setores não viram as mudanças profundas que passamos nos últimos tempos”, disse ao Valor Basílio Horta, presidente do Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (Aicep), órgão do governo.

Para apresentar o que Portugal pode oferecer, a Aicep marcou para maio um encontro em São Paulo entre empresários brasileiros e portugueses. “Vamos fazer uma mostra da nossa tecnologia em biotecnologia, tecnologia da informação, comunicações, energias renováveis, eólica, painéis solares fotovoltaicos, biotecnologia. Em 2010, 63% das nossas exportações foram de produtos de média e alta tecnologia. 46% da energia que produzimos é renovável”, diz ele.

Com a usual lógica portuguesa, Horta afirma: “Sei que o Brasil não precisa de nós para nada, mas talvez seja útil olhar para Portugal e dizer: nós estamos ali. Costumo dizer aqui na agência que o Brasil não é um mercado e sim um destino. Portugal pode ser o Brasil da Europa e gostaríamos muito que o Brasil fosse o Portugal da América Latina”, filosofa.

Para Horta, multinacionais brasileiras poderiam fazer como a Petrobras: “A comercialização de produtos petroquímicos para Europa passaria por aqui”, afirma. Uma das meninas dos olhos dos portugueses é o Porto de Sines, ao sul de Lisboa Desenvolvido desde 2002, de águas profundas, de multipropósito, são dois mil hectares de plataforma logística junto ao porto de 150 hectares. A área de contêineres é administrada pela cingapuriana PSA Sines (PSA – Port Singapore Authority).

Uma relação que os portugueses estreitaram com o Brasil está sendo por meio da Embraer. Ao redor da unidade, em Évora, está se desenvolvendo um cluster aeronáutico fornecendo peças para aviões. Na última grande feira do setor, 42 empresas portuguesas se apresentaram no estande da Embraer. Este ano, todas irão à feira de Le Bourget, na França.

A Portugal Telecom veio para o Brasil com a privatização das telecomunicações. Entrou na telefonia celular e junto com os espanhóis da Telefónica criaram a Vivo. A parceria atrapalhou os planos da espanhola de integrar a Vivo com a Telesp. As relações azedaram e em janeiro a portuguesa formalizou sua entrada na Oi, a maior do setor no país. A ideia é trazer para cá a tecnologia de fibras ópticas que permite oferecer a preço acessível telefonia fixa, banda larga e TV

O governo português está mobilizando os empresários. No início do mês realizou ampla reunião em Santa Maria da Feira, perto de Lisboa, para discutir mecanismos de incremento às exportações.

Houve por parte de alguns dúvidas quando ao sucesso uma vez que o maior desafio é a competitividade dos produtos portugueses disse uma fonte ouvida pelo Valor, em Lisboa. Com a adesão ao euro, em 1999, a moeda vem sendo considerada demasiadamente forte para os niveis portugueses de produtividade e o valor agregado relativamente baixo que se caracteriza parte da produção local.

Horta avalia que os dados falam por si. Diz que em 2010, as exportações cresceram 15,8%, 15% na Europa e 18% fora dela. Mesmo tendo sido o ano seguinte à crise mais forte no continente europeu e a base de comparação pode comprometer a avaliação ele afirma que a tendência está se mantendo no primeiro trimestre deste ano.

Um grande problema português é o déficit da balança comercial. Enquanto o país exportou, em 2010, € 36,5 bilhões, segundo estimativas da Economist Intelligence Unit, importou € 53 bilhões. Traz do exterior combustíveis minerais, veículos, máquinas e equipamentos, plásticos, fármacos, ferro e aço. Os maiores fornecedores são Espanha, Alemanha, França e Itália.

“Nossa dívida vem fundamentalmente porque importamos demais. Temos que diminuir. Importamos mais do que a Finlândia, Romênia, Grécia. Se importássemos o mesmo que esses países, o déficit seria quase nulo”, afirma.

Horta avalia que o português conviveu muitos anos com uma economia fechada, privando-se de muita coisa. As pessoas compraram caros, casas, provisões, viajaram. Grande parte da população procurou ter acesso a bens diferenciados, refletindo no aumento da dívida que já vinha se acumulando por muitos anos”, diz.

Na pauta das exportações, além de carros, o país vende máquinas e equipamentos, calçados e vestuário, móveis. Os maiores compradores são a Espanha, Alemanha, França, Angola, Reino Unido.

Portugal tem fábrica de automóveis de grandes multinacionais que exportam um bilhão de euros mas na hora da ponta do lápis ficam em Portugal € 200 milhões a € 300 milhões. Os maiores ganhos das exportações de veículos não ficam no país, diz Horta.

Lembra que a Galp exporta gasolina mas importa o oleo cru. Boa parte das importações é de combustíveis e a frota de carros em Portugal cresceu 32% no ano passado. O país também importa alimentos, que contribuiram para um déficit, em 2009, de € 4 bilhões.

Fonte: Portal Itamaraty 24/02/2011

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