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Organizações do futuro, do inovador à inovação com impacto social

Acredito que as organizações do futuro são aquelas que combinam dois fatores principais: estão apenas antenadas e se antecipando a inovações e tecnologias emergentes, e têm clareza e medem impacto social e ambiental. Não sou apenas eu que estou falando isso. Alguns dados apontam esta tendência.

O campo de finanças sociais e negócios de impacto movimentou mais de R$ 13 bilhões em 2014 e espera movimentar R$ 50 bilhões anuais até 2020, segundo dados da Força-Tarefa de Finanças Sociais.

Sir Ronald Cohen, fundador do modelo de venture capital na Europa, dedica seu tempo em promover o investimento de impacto social e reforça que “no século 19 o setor financeiro só avaliava o retorno dos investimentos, enquanto no século 20 passaram a avaliar retorno e risco e no século 21 passarão a avaliar retorno, risco e impacto”.

Se você ainda não ficou convencido, saiba que no mundo mais de 2.000 empresas se certificaram como Empresa B, selo que permite ter clareza e monitorar métricas ambientais e sociais.

Os inovadores disruptivos, segundo Christensen no livro “The Innovator’s DNA”, nunca buscaram apenas o lucro, eles foram tão inovadores porque queriam revolucionar o status quo.

Quem mais deseja causar essa transformação do que o empreendedor de impacto social? Para mim, isso apenas reforça como as oportunidades de inovações disruptivas podem ser negócios de alto impacto social e ambiental positivos.

A inovação surge da combinação de dimensões antes opostas, como lucro e impacto social ou tecnologia e humanidade. Estamos entrando na era pós-digital, em que as pessoas estão sempre conectadas, e as organizações deixam de usar ferramentas digitais e passam a ser digitais.

Hoje e cada vez mais o engajamento das pessoas será humanizado e personalizado, atendendo às necessidades individuais e não às da massa.

Teremos em nossas mãos dados que nos levarão a entender as necessidades do nosso público-alvo de forma muito mais assertiva do que nunca.

As organizações do futuro serão orientadas por dados (data driven), assim como utilizarão inteligência artificial, realidade virtual e aumentada, e os dispositivos físicos serão conectados entre si pela internet.

Esse futuro já é hoje, mas o que eu amo é que, como a internet e os celulares se democratizaram e ficaram acessíveis, estas tecnologias emergentes também serão democratizadas e deixarão de ser emergentes para serem “mainstream”.

E quem vai liderar tais organizações do futuro? Segundo Darlene Damm (Singularity University), serão lideranças com habilidades humanas, que têm alta capacidade de empatia para construir soluções que entreguem valor para problemas reais, com alta capacidade para lidar com frustrações, com tentativa e erro de projetos inovadores e com equipes horizontais, em que o que prevalece é mérito e não escolaridade ou idade.

Segunda ela, “em um mundo de tecnologia exponencial, todos somos poderosos e a mudança acontece rapidamente. Precisamos de novos tipos de lideranças e novas definições de humanidade”.

Organizações do futuro são aquelas que o Social Good Brasil quer cada vez mais impulsionar no país, e não poderíamos deixar de estrear nossa parceria com o Prêmio Empreendedor Social da Folha de S.Paulo de outra forma se não compartilhando nossa crença.

Em um dos nossos programas, o SGB Lab, estamos atentos ao empreendedor e ao seu comportamento inovador de uma forma muito profunda e especial, e abordamos todas estas tendências com mentoria e ferramentas práticas para criar uma organização do futuro.

Para mim, o SGB Lab é o ambiente hoje onde eu renovo minhas energias e crenças de que, apesar de toda essa crise, há esperança! E muita esperança vestida de pessoas comuns que chegam com ideias e saem corajosas para empreender.

CAROLINA DE ANDRADE, mestra em Gestão de Tecnologia e Inovação pela Universidade de Sussex, é diretora-executiva Social Good Brasil, parceira do Prêmio Empreendedor Social

Fonte: Folha de São Paulo

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