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No Vale do Silício, mulheres ainda são raridade

Um novo estudo confirma o que qualquer um que já trabalhou no Vale do Silício já sabe: as companhias de tecnologia estão dolorosamente atrás na inclusão de mulheres nos cargos executivos e de diretoria mais bem remunerados.

Das 400 maiores empresas de capital aberto da Califórnia, as companhias de tecnologia apresentam as porcentagens mais baixas de mulheres diretoras e executivas, segundo o Estudo de Líderes Empresariais Mulheres realizado anualmente pela Universidade da Califórnia e pela Watermark, organização de San Francisco que procura aumentar a participação feminina entre os líderes empresariais. “Este é um quesito em que as empresas de tecnologia estão muito atrás das outras”, disse Marilyn Nagel, presidente executiva da Watermark.

Os setores de software e semicondutores apresentam as porcentagens mais baixas de mulheres entre os cinco executivos mais bem remunerados – 4,4% e 2,7%, respectivamente, segundo o estudo. Somente 5,2% dos diretores no setor de semicondutores são do sexo feminino e apenas 7,7% dessas empresas têm mais de uma mulher em cargo executivo, em comparação à média de 40% das companhias dos demais setores.

Há, naturalmente, exceções. A Advent Software ocupa o segundo lugar na lista do estudo das principais empresas californianas em termos de lideres mulheres. Trinta e seis por cento de seus executivos e diretores são mulheres, incluindo a presidente executiva, Stephanie DiMarco. A Hewlett Packard é a sexta, com 35% de executivas mulheres, incluindo a presidente executiva, Meg Whitman. A Yahoo é a única outra empresa de tecnologia entre as primeiras 25, com 27% de líderes mulheres, ainda que sua presidente executiva, Carol Bartz, tenha sido demitida recentemente.

Por outro lado, mais de uma dezena de companhias de tecnologia aparecem na lista do estudo de grandes empresas de capital aberto sem nenhuma mulher diretora, incluindo Adobe Systems, Demand Media, LeapFrog, Nvidia e National Semiconductor. O mesmo é verdade para os cinco executivos mais bem pagos. As empresas de tecnologia sem nenhuma mulher nessa categoria incluem Apple, Electronic Arts, Qualcomm and Tesla Motors.

Diversidade. Parte do problema, disse Nagel, é que as companhias de tecnologia com frequência procuram membros de seus conselhos de administração que tenham sido presidentes executivos em outras empresas de tecnologia, e apenas 3% dos presidentes executivos dessas empresas são mulheres.

Como as empresas de tecnologia tendem a ser globais, elas dão mais destaque à diversidade racial que à diversidade de gênero. Por conseguinte, há menos programas para encorajar mulheres a ascender em companhias de tecnologia. As empresas também têm dificuldade de recrutar engenheiras, mesmo para níveis inferiores, em parte porque não é comum a presença de meninas nos cursos de ciência da computação das escolas.

“As empresas de tecnologia nem sempre se concentram em construir o sistema de preparação de mulheres para cargos de direção. Isso explica em parte por que há menos mulheres progredindo rapidamente no setor”, disse Nagel.

Bill Campbell, conselheiro da Intuit e consultor de muitas empresas de tecnologia, disse que a diversidade de gênero na companhia ajuda a atrair mais pessoas talentosas. “Em poucas palavras, nós consideramos a diversidade de gênero nos níveis superiores uma necessidade para contratar e manter grandes talentos”, afirmou.

Gigantes. Lançando uma rede mais ampla, o estudo considerou também as companhias da Califórnia entre as 1.000 maiores empresas da revista Fortune. Neste universo, a Hewlett-Packard tem quarto mulheres diretoras, e a Intel três, incluindo a presidente do Conselho, Jane Shaw. Cisco, Google e Oracle têm duas cada, e a Apple, uma.

Os números são piores para os executivos mais bem remunerados. A Hewlett-Packard tem duas mulheres nessa lista dos mais bem pagos, enquanto Google e Oracle têm apenas uma, e Apple, Intel e Cisco, nenhuma.

Não são apenas as empresas de tecnologia da Califórnia que não contratam números significativos de dirigentes mulheres, segundo o estudo. Nas maiores empresas de capital aberto da Califórnia, somente cerca de 10% dos membros de conselhos de administração e altos executivos são mulheres, um nível que não mudou muito nos sete anos que a Universidade da Califórnia vem fazendo o estudo. Isso apesar de que conselhos com diversidade de gêneros revelam um retorno 53% maior sobre o capital, segundo o estudo.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

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