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No Pantanal, pesquisadores buscam explicar ataques a seres humanos

Eram 19h, quando o pescador voltou à barraca onde havia deixado o filho dormindo, às margens do rio Paraguai, e viu a cena terrível: o corpo do jovem de 22 anos sendo arrastado por uma onça-pintada. Eram duas as onças, e o pai, apenas um facão na mão, não pode fazer nada. Dois anos depois, em 2010, uma pintada saltou sobre um barco de turistas que se aproximava da beira e arrastou um rapaz para a água. Foi sua sorte. Os outros deram com os remos na cabeça do bicho e salvaram a vida do moço.

Ataques de onças-pintadas a seres humanos são raros. Descobrir por que esses animais vem agindo assim no Pantanal está na base de uma expedição que acaba de acontecer em Cáceres, na área da Estação Ecológica Taiamã.

Oito pesquisadores do Cenap/ICMBio e da estação ecológica tentaram capturar onças para colocar o rádio-colar com GPS. Eles trabalham com a suspeita que o comportamento dos felinos pode estar ligado ao fato de alguém estar “cevando” as onças – jogando restos de animais e peixes em lugares que elas frequentam. As iscas as atraem, criam um hábito e garantem a exibição aos turistas, mas mudam o comportamento do animal e fazem com que as onças associem gente a comida.

“Estamos especulando. Queremos fazer um trabalho científico para ter subsídios, orientar o turismo e evitar acidentes”, diz Ronaldo Morato, do ICMBio. Com os transmissores, os pesquisadores podem verificar se os animais estão se aglomerando em um único local e descobrir a razão.

Em agosto, o Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema) baixou resolução que regulamenta a observação de onças -pardas e pintadas. As normas dizem que alimentar os animais é proibido e quem estiver em barco, e quiser observar os animais na margem, tem que ficar quieto. Os barcos só podem permanecer ali por 20 minutos e, no máximo, três barcos simultaneamente. Se a onça estiver em terra firme, os barcos ficam a dez metros de distância; se estiver dentro d’ água, a 30 metros. Nem pensar em desembarcar. A normativa tomou por base o que se pratica na África, diz Morato.

Não existem mais do que 30 estudiosos de onças-pintadas no país. Não se sabe, sequer, qual a população no Pantanal. Mas ele comemora: a recente expedição ao Pantanal foi muito bem-sucedida. Conseguiram colocar um colar em um macho de 82 quilos.

Fonte: Valor Econômico

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