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‘Na sexta era presidente da Fiocruz, na segunda, não era mais’, diz médica

Nos últimos dias a Fundação Oswaldo Cruz, instituição centenária composta de várias unidades e institutos de pesquisa, viveu dias bastante atípicos. Na virada do ano, surgiu a notícia de que a médica Tania de Araujo-Jorge, segundo lugar nas eleições internas, seria a nova presidente. Seria.

A favorita, a socióloga Nísia Trindade, havia sido preterida pelo ministro da Saúde Ricardo Barros (PP). A escolha, feita de acordo com o que permite o regimento, havia sido feita com base em uma lista-tríplice –que só tinha os dois nomes.

Em entrevista à Folha, Tania disse ter ficado surpresa com a escolha e com as “relações nebulosas” que fizeram o Governo Federal ter que voltar atrás na decisão.

Divulgação
Médica Tania de Araujo-Jorge foi escolhida presidente da Fiocruz pelo final de semana
Médica Tania de Araujo-Jorge tinha tudo certo para ser a nova presidente da Fiocruz

Tudo estava certo para a nomeação no dia 2 de janeiro no “Diário Oficial” da União, mas a pressão pela nomeação de Nísia acabou gerando um acordo que coloca a primeira colocada na presidência, mas que dá poder de indicação de duas das cinco vice-presidências da instituição para Tania e a de uma vice-presidência para o ministro Ricardo Barros.

Na avaliação de Tânia, apesar de ter perdido a presidência da Fundação, o saldo foi positivo, mas os grandes vencedores foram Temer e Ricardo Barros. Temer evitou o desgaste de ter de assinar a indicação da menos votada e Barros “saiu bastante satisfeito e feliz porque nunca um ministro da Saúde teve tanta influência na Fiocruz.”

No entanto, para a médica ainda restam algumas arestas a serem aparadas sobre a pressão política que a tirou do cargo: “A presidência da Fiocruz vai ter que se explicar como ela consegue apoio como o do Moreira Franco [(PMDB), secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos da presidência] e da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) para interferir com a decisão de um ministro. São relações nebulosas que não se sabia que a presidência da Fiocruz tinha.”

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Como você recebeu a notícia de que seria presidente da Fiocruz?
O resultado da eleição me deixou em 2º lugar, com 40% dos votos. Houve um conjunto de pressões para que eu me retirasse da lista e pra mim isso seria incabível. Tendo a regra bem-estabelecida de que deveria haver uma lista-tríplice, se você reduz as opções as opções do governo, você fragiliza a instituição, porque se não gostarem daquela opção, vão escolher uma uma externa. Eu quis me manter na lista como segunda opção e não fazer nenhuma articulação para que eu fosse nomeada. Eu simplesmente aguardei.

Fiz uma entrevista com o ministro [Ricardo Barros (PP)] no dia 9 de dezembro. Ele entrevistou as duas. Eu acho que me saí bem porque ele levou meu jornal de campanha e disse que consideraria minhas propostas para a decisão. Fui surpreendida na quinta-feira (29) pela notícia de que já teria tomado a decisão na qual ele ficou trabalhando por três semanas, com a Casa Civil e Presidência da República.

Pra nós era boato, mas aquela notícia era real. A minha indicação já estava feita, a nomeação estava assinada pelo governo e dentro do Palácio do Planalto alguém achou que isso seria problemático para a Fiocruz, sustou a publicação e vazou a notícia para a imprensa.

Houve aquele conjunto de reações, uma pressão enorme como se eu fosse golpista, como seu fosse causadora do Massacre de Manguinhos [ocasião em que um total de dez pesquisadores da Fundação foram cassados e aposentados compulsoriamente pela ditadura]. Ouvi uma série de impropérios e resolvi esperar o “Diário Oficial” da União, já que a nomeação sairia no dia 2 de janeiro.

Mas você recebeu uma ligação do ministro no meio do caminho.
Recebi a ligação no domingo para ir segunda-feira à Brasília. Ele queria confirmar dados e queria defender a minha indicação. Michel Temer pediu a ele que conseguisse apoiamento político e científico. O ministro fez ligações e conseguiu. Com isso ele foi segunda-feira à noite discutir sobre a minha indicação.

O que aconteceu foi que Michel Temer perguntou se ele não conseguiria fazer uma “composição”. Ele achou que o governo se sairia melhor indicando a primeira colocada e ainda harmonizaria a Fiocruz. O ministro saiu com a incumbência de tentar fazer a composição e para isso pediu para que eu estivesse preparada para uma sabatina hoje de manhã [3 de janeiro], às 10h, na Casa Civil.

A sabatina foi com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha [PMDB], o ministro da Saúde, Ricardo Barros e Moreira Franco [PMDB, secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos da presidência], que intercedeu para que prolongasse essa negociação de modo a poder reverter a indicação que o ministro da Saúde tinha feito e todos os secretários do Ministério da Saúde para que eles conhecessem as candidatas, que até então só o ministro conhecia. Achei que só eu seria entrevistada, dado o empenho do ministro. Mas Nísia também foi entrevistada, às 11h30.

E como se saiu?
Acho que fui bem. Fui elogiada. A proposta estava clara, coerente. Moreira Franco me perguntou se eu aceitaria uma composição com a Nísia, se eu fosse a indicada. Eu disse que aceitaria desde que as vice-presidências de Produção, Gestão e Pesquisa ficassem sob minha indicação. Eram aquelas onde tínhamos mais divergência e eu tinha de mantê-las para implementar meu projeto de gestão.

Eu saí e entrou a Nísia. Ela entrou com o Paulo Gadelha [atual presidente da Fiocruz, gestão da qual Nísia faz parte]. O ministro pediu para ele se retirar. Possivelmente fizeram a mesma pergunta sobre a composição e ela aceitou. Mas como ela não era a recomendação do ministro, ele disse que seriam duas vice-presidências que ela indicasse, duas que eu indicasse uma indicada por ele.

Você mesma não seria vice-presidente?
Eu até poderia, se quisesse. Mas eu disse que não queria nenhum cargo, que eu tinha disputado a presidência com um projeto independente e não faria o menor sentido. Eu teria interesse em compor porque era importante para Fiocruz. Com 40% da força na instituição mais 54% de apoiamentos [para o nome entrar na lista-tríplice], tínhamos legitimidade.

O ministro então fez a articulação de que vice-presidências seriam colocadas para cada uma. Eu disse que queria indicar a de Gestão e a de Pesquisa. Ela [Nísia] não concordou com a Gestão. O ministro não concordou com a posição dela e disse que a Gestão ficaria na cota dele. Claro ela tem que aprovar o nome que ele indica. Da mesma maneira, eu indiquei alguns nomes dos quais ela discordou. Indiquei as vice-presidências de Pesquisa e de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde –representando a nossa força no processo eleitoral e o prestígio que nossa proposta tinha com o ministro.

No fim das contas, todo mundo se deu bem?
O presidente se saiu bem da história porque ele indicou a primeira da lista, além disso ele orientou e conseguiu compor um hibridismo na Fiocruz.

O ministro pediu que fôssemos ao Palácio do Planalto conversar com o presidente, já que o acordo tinha sido selado. Nós tivemos que fazer um encontro com o presidente sentado ao lado das duas –uma forma simbólica de mostrar que pacificou a Fiocruz. E foi feita essa foto que deve ser divulgada pela Presidência da República

A Fiocruz ganhou um status mais importante porque deixou de ser uma questão de âmbito ministerial e a presidência da Fiocruz vai ter que se explicar como ela consegue apoio como o do Moreira Franco e da Firjan para interferir com a decisão de um ministro. São relações nebulosas que não se conhecia que a presidência da Fiocruz tinha.

O ministro da Saúde assumiu o risco de um desgaste escolher sua candidatura. Por que essa opção?
Essa pergunta você deveria fazer a ele. A minha plataforma era muito simples. Nós tínhamos um conjunto de críticas com a tese central de concentração de estrutura de poder e de orçamento na presidência que deveriam ser mais descentralizados. E ele concorda com essa crítica porque percebe isso. Qualquer um que veja minha apresentação e olhe a questão de forma técnica, vai concordar.

E ele tem mais dados em relação ao relacionamento que a Fiocruz vinha tendo com o ministério. Eles tinham queixas de que a Fiocruz funciona sem sintonia com o ministério. De que convoca coletivas de imprensa sem avisar Coisas do gênero.

Eu acho que o fato de ele concordar com todas as nossas críticas é que foi decisivo. Além do fato de eu ser médica, de eu ser uma cientista com um currículo forte, ele comprou uma briga que foi ele que mediu os riscos. Mas ele saiu bastante satisfeito e feliz porque nunca um ministro da Saúde teve tanta influência na Fiocruz.

Como você viu protestos de sociedades científicas que queriam mudar a escolha do ministro?
Eu entendo que todas as manifestações das associações eram no sentido da indicação da mais votada como primeira da lista. E isso é absolutamente normal. Eu mesma me posicionei assim durante a campanha, depois da campanha e nas duas entrevistas com o ministro. Não vi cartas especificamente criticando o modelo de lista tríplice, elas falavam da democracia e é algo que eu concorde. Por outro lado, eu não me retiro da lista. Eu sofri um processo de assédio moral para me retirar da lista. E isso eu achei um absurdo. E foi contra isso que resisti.

De 1988 até agora a regra é essa [usando lista tríplice]. Agora, questionar a regra foi um absurdo. A meu ver foi um processo de oportunismo político interno de um grupo que não queria perder o poder caso eu fosse indicada estando em segundo lugar. Mas seria absolutamente legítimo se eu tivesse sido –e eu teria aceitado. Não tenho o menor constrangimento em relação a isso. O nosso regimento diz que quem escolhe é o presidente da República, ouvindo o ministro da Saúde, com base em uma lista tríplice composta pela comunidade.

Todo esse processo vai abrir um questionamento na Fiocruz. Não dá para mudar a regra do jogo como o jogo já jogado. Mas isso é uma forma de pressão –e ela foi bem exercida, inclusive por forças que eu não imaginava que atuassem na Fiocruz, como a Firjan e como o secretário de investimentos do Governo, que foi quem pediu o tempo para tentar a reversão, e quem fez, de fato, a proposta de composição.

Sua campanha teve uma tônica contrária à expansão da fundação.
O que importa para o ministério é que os 7 bilhões de orçamento da Fiocruz dê um bom retorno à sociedade. O mote da minha campanha foi à concentração de orçamento na presidência. É uma questão de ser sustentável. A minha crítica é que a gestão atual vinha com megaprojetos totalmente insustentáveis e ao mesmo tempo subfinanciava os processos de pesquisa, inovação e assistência da própria Fiocruz.

Existe algum exemplo emblemático?
O campus do Ceará, de 200 mil metros quadrados, a um custo de R$ 200 milhões para 23 pessoas, que são as que trabalham lá. Só o custo de manutenção é de R$ 20 milhões por ano. Isso em um local pouco acessível –nem estradas adequadas tem para ir até lá. Fica longe das universidades. É um projeto totalmente questionável.

A lógica de governos anteriores era a de expandir universidades para o interior.
Isso está correto. A Fiocruz também expandiu sua pós-graduação. Outra coisa é expandir estruturas físicas de pesquisa sem ter laboratórios para instalar. Foi muito correta a expansão para o paraná, com equipes e laboratórios completos, equipamentos. Ali eles nuclearam o crescimento no local.
Agora você montar um elefante branco que não tem nem como preencher é um problema. Mas agora não é mais meu problema, antes seria (risos).

OUTRO LADO
Procurada pela reportagem, a Firjan mandou uma nota dizendo que é contra a interferência político-partidária na Fiocruz, “uma das mais importantes instituições de ciência e tecnologia da saúde não apenas do Brasil, mas de toda a América Latina”.

“O presidente do Sistema Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, é um dos integrantes do Conselho Superior da Fundação. Em função do recente processo de escolha do presidente da Fiocruz, destacou a importância de ser mantido o resultado do pleito interno, com a confirmação da candidata mais votada, e do efeito negativo que teria, para a comunidade científica, se tal não ocorresse”, completa a nota.

Procurados, o ministério da Saúde, a Casa Civil e a Presidência da Fiocruz não se manifestaram até a publicação do texto.

Fonte: Folha de São Paulo

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