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Na China, Dilma aposta em maior parceria em ciência, tecnologia e inovação

A presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, inaugurou nesta terça-feira (12/04) em Pequim o Diálogo de Alto Nível Brasil-China sobre Ciência, Tecnologia e Inovação, em seu segundo dia de viagem à China e antes de reunir-se com o presidente do gigante asiático, Hu Jintao, no Grande Palácio do Povo.

Dilma, cuja passagem pela China está marcada pelo objetivo de exportar mais produtos elaborados ao país asiático e não apenas matérias-primas, reuniu-se antes da cerimônia oficial de boas-vindas com o presidente da Foxconn, Terry Gou.

O maior produtor mundial de componentes eletrônicos foi fundado em Taiwan em 1974, instalou-se na cidade industrial de Shenzhen em 1988, conta com 900 mil funcionários em todo o mundo e é fornecedora dos principais clientes do setor de TI.

A primeira visita bilateral de Dilma à China, onde participará da cúpula dos Brics (Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul), tem a meta de fortalecer as relações comerciais e econômicas, já que os vínculos políticos com a China atravessam um bom momento.

A cooperação internacional do Brasil em ciência, tecnologia e inovação à qual se refere o diálogo aberto nesta terça-feira, é parte de sua “diplomacia científica” para diminuir o vão entre países desenvolvidos e em desenvolvimento e identificar processos de inovação produtiva.

Diplomatas brasileiros disseram à agência Efe que ciência, tecnologia e inovação são elementos fundamentais para o desenvolvimento, a criação de empregos e a busca de oportunidades, e que Pequim reconheceu em seu Plano Quinquenal a necessidade de mudar o modelo de crescimento, inovar e produzir qualidade para seu mercado interno e exportação.

Também na integração latino-americana, disseram, a difusão do conhecimento científico e tecnológico mediante associações de benefício mútuo contribuiu para elevar o desenvolvimento e ampliar a capacidade em inovação produtiva.

Na China, o presidente Hu Jintao defendeu a pesquisa e a inovação rumo ao que chamou de “crescimento científico sustentável” para reduzir a dependência tecnológica do exterior.

Após a reunião de Dilma e Hu, está prevista para hoje a assinatura de cerca de 20 convênios em diversas áreas, como saúde, energia, esportes, defesa e agricultura, assim como um contrato para a venda de aviões da brasileira Embraer à China.

Segundo as fontes brasileiras, além da cooperação em satélites de comunicações, a associação mais significativa no setor nos últimos anos foi a criação do Centro China-Brasil de Mudança Climática e Tecnologias Inovadoras em Energia na Universidade Tsinghua de Pequim, que é vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O centro também permite o desenvolvimento de projetos bilaterais em energia eólica e biodiesel com a Academia de Ciências da China.

Embora Pequim dê preferência aos países na vanguarda da produção tecnológica, o país reconhece que o Brasil possui a maior capacidade científico-tecnológica e de inovação da América Latina e busca setores específicos complementares, acrescentaram as fontes.

A China já é o maior parceiro comercial do Brasil e grande investidor no país sul-americano (US$ 30 bilhões em 2010), principalmente em minerais, petróleo, soja e telecomunicações.

Em 2010 a empresa estatal chinesa Wuhan Iron Steel (Wisco) se associou ao Grupo EBX para instalar uma siderúrgica no norte do Rio de Janeiro por US$ 3,5 bilhões, comprou os direitos de prospecção de ferro em Morro de Santana (MG) por US$ 5 bilhões, e adquiriu por US$ 400 milhões o direito de explorar 50% do ferro de Serra Azul (MG).

Segundo o porta-voz da Presidência do Brasil, Rodrigo Baena, a primeira viagem de Dilma à China tem caráter econômico, “pois queremos reciprocidade nas exportações e a abertura do mercado chinês a nossos produtos”. As matérias-primas são majoritárias no comércio bilateral de US$ 56 bilhões.

O Brasil é um dos principais celeiros do mundo e líder na exportação de soja (US$ 17,115 bilhões à China em 2010), café e carne, cujo mercado o país deseja abrir na China o mais rápido possível, enquanto Pequim já aprovou nove frigoríficos brasileiros.

Segundo dados oficiais, quase 8% do investimento chinês no Brasil em 2010 foram destinados à compra de terras agrícolas, sobretudo de grãos e cereais para exportar ao gigante asiático.

Em 2009, gigantes energéticos chineses investiram US$ 10 bilhões no promissor horizonte de hidrocarbonetos descoberto pelo Brasil no pré-sal do oceano Atlântico, e em 2010 a Sinopec adquiriu 40% das ações da Repsol Brasil por US$ 7,1 bilhões.

Fonte: SECT-AM com informações da Folha de São Paulo