+55 (61) 9 7400-2446

Destaques

Morre Ken Robinson, defensor da escola mais criativa e inovadora

Autor, palestrante e consultor sobre inovação na educação, Ken Robinson morreu aos 70 anos na última sexta-feira (21), após luta contra um câncer. Seu vídeo para o TED realizado na Califórnia (EUA), em 2006, trouxe uma discussão importante até hoje para a educação: como ensinar de modo a atender os interesses dos alunos e promover a criatividade. Não por acaso, este é o vídeo mais visto do TED, com mais de 66 milhões de exibições

Nascido em Liverpool, na Inglaterra, Ken Robinson era quinto filho de uma família de sete irmãos. Em 2018, disse em uma entrevista ao criador do TED, Chris Anderson, que cresceu sem saber o que faria da vida. Até os quatro anos, seu pai estava convencido de que ele se tornaria jogador de futebol, até que a poliomielite acabou com os planos. A paralisia o deixou oito meses internado e, na sequência, Ken foi matriculado em uma escola de educação especial. O bom desempenho fez com que fosse avançado por uma professora. Mais tarde, aos 11 anos, foi a provado para uma escola de gramática, o que precocemente já indicava uma trajetória acadêmica.

Por 12 anos foi professor de educação em artes na Universidade de Warwick, no Reino Unido. Em 1999, comandou uma comissão sobre criatividade, educação e economia para o governo britânico, que levou à publicação do documento “All our futures: creativity, culture and education” (“Todos os nossos futuros: criatividade, cultura e educação”, em tradução livre), conhecido como o Relatório Robinson. Ele também liderou projetos nacionais e internacionais de educação criativa em outros países da Europa, e também na Ásia e nos Estados Unidos.

Nas últimas duas décadas, Ken Robinson conquistou seguidores em todo o mundo por falar de educação e muito mais por acreditar que as crianças nascem curiosas, com talentos naturais que devem ser desenvolvidos pelas escolas. Entretanto, o foco em matemática, leitura e provas, às custas do ensino de arte e de atividades criativas, acabava por sufocar suas habilidades. “O resultado é que estamos educando as pessoas a partir de suas capacidades criativas.”

Ele acreditava que a criatividade é o ato essencial de viver e navegar em um mundo imprevisível. “A melhor evidência da criatividade humana é nossa trajetória pela vida. Nós criamos nossas próprias vidas. E esses poderes de criatividade, manifestados em todas as formas de agir dos seres humanos, estão no cerne do que é ser um ser humano”, disse na entrevista a Chris Anderson mencionada acima.

Para Robinson, muito do que acontece nas escolas é influenciado pelas leis, mas não é obrigatório. Por exemplo, educar as crianças por faixa etária, oferecer uma grade horária fixa, usar alertas sonoros para marcar o fim de uma aula ou traçar uma hierarquia de assuntos. “Essas coisas não são exigidas por lei. São hábitos institucionalizados que podem ser quebrados, e muitas das escolas que visito e recomendo estão fazendo essas inovações dentro do sistema como ele é. Na verdade, não há nada que as impeçam de fazer isso.”

Fonte: Portal Porvir

Próximos Eventos