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Micro e pequenas empresas podem alavancar mercado de cloud computing no Brasil

O mercado de cloud computing poderá posicionar o Brasil entre as cinco maiores potência do mundo em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), desde que a regulamentação não crie amarras para esse desenvolvimento. A afirmação é do diretor de convergência digital e infraestrutura da Brascom, Nelson Wortsman, que participou nesta terça, 24, de audiência pública na Câmara dos Deputados. “Nosso apelo é que essa Casa não pense apenas no Brasil na hora de regular e sim no mundo. A regulação tem que ser amigável,” disse ele.

O grande filão que poderá levar o Brasil a esse patamar é o das micro e pequenas empresas. Segundo o executivo, esse mercado hoje não tem acesso à tecnologia das grandes corporações de TI, o que pode mudar com os serviços em nuvem. Wortsman disse que Argentina e Chile estão com a legislação mais adiantada que o Brasil enquanto que a Europa já pensa em atualizar o seu marco regulatório, que é de 1996. No caso dos EUA, foi adotada com sucesso o chamado “Cloud First”, programa federal que economizou cerca de 30% nos custos dos sistemas do governo.

O diretor-presidente da Abranet, Eduardo Neger, concorda que o mercado de pequenas e médias empresas seja o grande filão da computação em nuvem, já que normalmente não possui uma departamento de TI para cuidar dessa área.

Mas será que o Brasil está preparado para alavancar esse mercado? Segundo dados do NIC.br, 35% dos registros “.br” estão hospedados fora do Brasil. Para o diretor de projetos da entidade, Milton Kaoru, esse número mostra que o chamado “custo Brasil” ainda afugenta parte dos investidores no País. “Isso tem uma razão de ser. O custo lá fora está melhor que aqui”, afirma ele. Kaoru ainda acrescenta que o custo da banda Internet também é “relativamente” alto no País, o que pode ajudar a explicar o motivo de boa parte dos sites brasileiros estarem hospedados no exterior.

Alías, banda é um fator crítico para o desenvolvimento do mercado de cloud computing no Brasil tanto pela baixa velocidade das conexões brasileiras quanto pela concentração geográfica dos acessos ditos de alta velocidade.
“Se não houver garantia de acesso de banda larga, não adianta ter um processamento de alta capacidade. Hoje, grande parte dos datacenters estão se alocando em São Paulo e precisamos de uma distribuição maior para que isso seja acessado de forma adequada em outros pontos do País”, afirma o diretor comercial da Telebras, Rogério Boros. Ele concorda que o Brasil tenha potencial para ser um dos centros de cloud computing do mundo, se o País conseguir explorar o potencial do que será desenvolvido de conteúdo em português. Isso gerará tráfego e, consequentemente, mais rotas de interconexão com o Brasil (a exemplo da parceria da Telebras com a Angola Cable para cabos submarinos), o que gera potencial econômico não só em TI, mas também em telecomunicações.

A audiência foi convocada pelo deputado Ruy Carneiro (PSDB/PB) justamente para debater algumas das implicações desse tema para o País, como a extraterritorialidade de armazenamento e a portabilidade de dados, promoção da interoperabilidade e da neutralidade tecnológica da rede e a necessidade de estruturar ações coordenadas entre países para o desenvolvimento de diretrizes comuns. Outros temas relacionados ao assunto devem ser tratados no Marco Civil da Internet, como a questão da privacidade e da neutralidade de rede.

Fonte: Teletime

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