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Mercadante aponta desafios do setor para os próximos anos

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, apontou na semana passada quais serão os principais desafios para a ciência, tecnologia e inovação (CT&I) nos próximos anos no Brasil. Na opinião dele, a agenda de futuro do setor deve contemplar ações que ampliem o acesso à ciência, bem como definam o que é prioritário.

“O CNPq, por exemplo, deve fomentar o que é estratégico e mostrar o que os cientistas fazem”, disse o ministro na quinta-feira (27), durante a cerimônia de posse do novo presidente do conselho, Glaucius Oliva. O evento foi realizado na sede do CNPq, em Brasília (DF).

Para popularizar o acesso à produção científica, Mercadante sugeriu abrir canais na Plataforma Lattes para registro de informações sobre a realização de seminários, palestras e aulas magnas, nos formatos áudio e vídeo. “A nova geração é digital. Precisamos modernizar nossa linguagem”, defendeu.

Ainda na sua visão, o Brasil deve estimular programas que atraiam talentos internacionais, bem como os pesquisadores brasileiros que estão fora do país. A proposta apresentada por ele é realizar bolsas sanduíche “ao contrário”.

Outro ponto que deve ser trabalhado com urgência, na opinião do ministro, é a divulgação do impacto do trabalho dos cientistas no dia a dia da sociedade. Segundo Mercadante, o corte no orçamento do MCT pode ser explicado, em parte, pela falta de conhecimento da importância da pasta e revela o sentimento de grande parcela da sociedade. “Precisamos melhorar o diálogo e mostrarmos que a solução dos grandes problemas depende fundamentalmente de investimentos em CT&I”, considerou.

A opinião foi corroborada pelo presidente do CNPq. Na avaliação de Oliva, o país deve fazer mais ciência e de melhor qualidade, antenada aos grandes problemas nacionais. “Temos que mostrar que o desenvolvimento econômico e social do Brasil envolve necessariamente o desenvolvimento e a disseminação ampla da CT&I”.

Mais com menos
Ainda dentro dos grandes desafios, Mercadante reforçou a máxima que vem pontuando desde que assumiu a pasta. Segundo ele, os órgãos de fomento à CT&I deverão aprender a produzir mais ciência com menos recursos e, dentro desse contexto, a solução é compartilhar infraestrutura, montar redes de pesquisa e trabalhar em parceria.

Outro grande desafio para o país é criar instrumentos eficientes de estímulo à inovação nos ambientes acadêmico e empresarial. “Hoje não há uma demanda espontânea das empresas por inovação. Precisamos sair da universidade e ver qual é a demanda, qual é a agenda das empresas e onde estão os gargalos para construirmos programas que atendam às necessidades”, disse.

Já Glaucius Oliva lembrou que também devem ser priorizadas áreas estratégicas e portadoras de futuro, como fontes alternativas de energia, nanotecnologia, tecnologias da informação e comunicação, entre outras. Para o presidente do CNPq, programas importantes como a dos institutos nacionais de ciência e tecnologia (INCTs) devem ser consolidados, inclusive com apoio adicional para além dos três anos iniciais, mediante avaliação positiva do andamento dos projetos.

Hoje o Brasil produz 2,7% de toda ciência mundial e tem liderança reconhecida em várias áreas como agricultura tropical, geofísica, entre outras. A produção científica brasileira cresce cinco vezes mais do que a média mundial. Na opinião dos dois gestores, não há como avançar para a quinta posição da economia do planeta se o país não investir em educação básica de qualidade, principalmente em matemática e ciências e na formação superior de cientistas.

Fonte: Gestão C&T de 01/02/2011

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