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Maior procura para instalar negócios nas incubadoras

Projetos

 

Estudos mostram que taxa de mortalidade de empreendimentos hospedados é muito menor

 

Jacílio Saraiva

 

Para o Valor, de São Paulo

 

Incubadoras de São Paulo e do Rio de Janeiro devem receber mais de 40 novas empresas até o final do ano. Os empreendimentos hospedados recebem orientação empresarial nas áreas de vendas, marketing, finanças, jurídica, contábil e comunicação.

 

Para os gerentes das incubadoras, a supervisão permite que as companhias desenvolvam negócios com mais eficácia: estudos mostram que a taxa de mortalidade das micro e pequenas empresas, que normalmente é de 80% nos primeiros anos de atividade, cai para 20% no processo de incubação.

 

No Brasil, as incubadoras costumam funcionar junto de universidades e institutos de pesquisas para aproveitar a presença de laboratórios e pesquisadores. A ideia é que as unidades também garantam às empresas acesso ao mercado.

 

Segundo estimativas da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), há 2,8 mil empresas incubadas e mais de 2 mil companhias associadas em 400 incubadoras no país.

 

“Vamos receber mais de 20 novas empresas este ano”, afirma Sérgio Risola, diretor do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), em São Paulo (SP), com 152 incubadas – onze devem se graduar em 2011.

 

Do total de residentes, 28% são da área de tecnologia da informação e 20% pertencem ao setor de medicina e saúde. “Há também companhias de biotecnologia, eletroeletrônica, meio ambiente e química”, ressalta.

 

Para entrar no Cietec, os empreendedores precisam apresentar um projeto de produto ou serviço com inovação tecnológica e participar de um processo de seleção, baseado em um plano de negócios. “A permanência da empresa durante quatro anos será monitorada tendo como guia o plano apresentado.” No ano passado, o Cietec investiu R$ 1,8 milhão em programas de capacitação empresarial e na manutenção da equipe de consultores.

 

“O empreendedor sabe que precisa conhecer mais sobre gestão, mercado, propriedade intelectual e design”, diz Risola.

 

“Aqui, ele coloca mais foco e tempo no estabelecimento de parcerias para que o seu negócio se desenvolva em um ritmo acima da média do mercado.” Incubada no Cietec por quatro anos, a Testmat criou sistemas virtuais para treinamento na área de engenharia de materiais. “A empresa começou depois que me desliguei de uma multinacional do ramo de autopeças”, lembra o sócio Freddy Poetscher. Graduada no final do ano passado, a companhia atende clientes do governo e corporações.

 

“Vamos faturar R$ 550 mil no primeiro ano fora da incubadora”, afirma Para isso, um dos atrativos é um sistema para treinamento de soldadores que utiliza realidade virtual. “O software permite que o aluno verifique a qualidade do trabalho, sem se expor a riscos ou gastar insumos.” Na Incubadora de Empresas da Coppe, parte do Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), quatro novas companhias devem ser aceitas em 2011. Criada em 1994, a incubadora recebe empresas ligadas às instituições de pesquisa da universidade.

 

A maioria das 17 incubadas atua nos setores de petróleo, gás e energia, meio ambiente e tecnologia da informação “Dentro da Coppe/UFRJ foi desenvolvido o primeiro simulador de guindaste portuário com tecnologia 100% nacional, para o treinamento de operadores pela empresa Virtualy “, lembra Lucimar Dantas, gerente de operações da incubadora. Já a Nano Select, especializada em superfícies para coletores de energia solar, criou um material capaz de reter até 98% do calor absorvido – cer ca de 500% a mais que os revestimentos comuns.

 

“Um dos principais desafios das incubadoras é a sustentabilidade”, diz Lucimar. “Precisamos equacionar as fontes de recursos, como a taxa mensal paga pelas empresas e os projetos apoiados pelos órgãos de fomento, para custear serviços de desenvolvimento para os empreendedores.” Conseguir sucesso com soluções inovadoras também não é muito fácil.

 

“É necessário convencer o mercado da qualidade dos produtos e, principalmente, vencer a concorrência”, explica Thiago de Pontes, diretor da Kognitus, empresa da área de automação e reconhecimento de imagens que deixou a incubadora da Coppe no ano passado, depois de quatro anos de incubação.

 

“Graças a parcerias com outras companhias, temos mais de 80 clientes utilizando nosso sistema em aplicações de segurança, controle de tráfego e logística.” Com dez funcionários, Pontes espera um faturamento superior a R$ 800 mil no primeiro ano longe da incubadora.

 

Em Resende (RJ), a Incubadora de Empresas Sul Fluminense, também ligada à UFRJ, está com inscrições abertas para novas incubadas até o dia 31 de maio. Criada em 2009, hospeda duas empresas da área ambiental.

 

“Devemos receber 17 novos empreendimentos”, afirma Dilza Tomás, gerente geral da incubadora. “Serão avaliadas propostas que contribuam para o crescimento econômico do sul do Estad o”, destaca.

 

Para Dilza, as incubadoras devem contribuir para o desenvolvimento das regiões onde estão inseridas, estimulando o crescimento de empresas inovadoras, geração de emprego e renda. No interior de São Paulo, o Instituto Inova gerencia incubadoras nas cidades de São Carlos e Araraquara, com capacidade para 40 empresas. “Há projetos de ampliação, com a abertura de 42 novas vagas nas duas incubadoras, até 2012”, afirma José Octavio Paschoal, presidente do Inova. “O crescimento da demanda por negócios incubados é estimulado pelas atividades de pesquisas em universidades públicas e privadas da região”, diz.

 

No Nordeste, segundo dados da Anprotec, há 43 incubadoras em funcionamento, como o Porto Digital, no Recife (PE). O núcleo é considerado um dos principais polos tecnológicos do país, resultado da implementação de políticas públicas em parceria com a iniciativa privada, universidades e órgãos de fomento.

 

Para reconhecer iniciativas de empreendedorismo em todo o Brasil – entre incubadoras, parques tecnológicos, empresas graduadas e incubadas – a Anprotec recebe até 5 de agosto inscrições para o Prêmio Nacional de Empreendedorismo Inovador, que completa 15 anos em 2011. O evento de entrega dos prêmios acontece em outubro, durante o XXI Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas, em Porto Alegre (RS).

Fonte Valor On line