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Ligação avançada

Técnicos da Telebrás e da Angola Cable concluem em duas semanas os estudos do cabo submarino de fibra óptica de seis mil quilômetros que ligará Fortaleza e Luanda.

Em muitos países, a disseminação da fibra óptica nas redes de telecomunicações é fator estratégico para o desenvolvimento econômico e social. O Brasil já conta com mais de 350 mil km de fibra, principalmente nos backbones, a espinha dorsal das redes das operadoras. Mas, sem uma política pública definida e longe de dispor de uma meta para opticalização de sua infraestrutura de telecomunicações, o país precisa correr para alcançar os resultados de nações como Japão e Coreia, que em 2010 atingiram a meta de cobertura de fibra óptica em 95% dos domicílios.

A Comissão Europeia estabeleceu a “Agenda Digital para a Europa” com as metas de que, até 2020, todos os europeus tenham acesso à internet com velocidades acima de 30 Mbps e que pelo menos 50% dos lares sejam atendidos com velocidades acima de 100 Mbps.

Segundo dados do FTTX Council, havia 74,7 milhões de acessos residenciais (FTTH/B) no mundo em 2011, sendo 54,3 milhões na Ásia, 9,7 milhões nos Estados Unidos/Canadá, 5,7 milhões na Rússia e países vizinhos, 4,5 milhões na Europa e 0,52 milhões no Oriente Médio.

“Ainda temos o desafio da opticalização. Nosso objetivo é expandir os grandes backbones nacionais, que hoje atingem apenas duas mil cidades, para 95% dos municípios até 2022, dentro do que o ministro Paulo Bernardo vem chamando de PNBL 2.0. Mas, no caso do acesso, ainda não chegamos a um desenho nem a uma meta”, explica Artur Coimbra Oliveira, diretor do departamento de banda larga do Ministério das Comunicações.

Criado em 2010, o Plano Nacional da Banda Larga (PNBL) tem por objetivo ampliar a infraestrutura e os serviços de telecomunicações, promovendo o acesso com melhores condições de preço, cobertura e qualidade. Mas a meta sempre foi acanhada: permitir o acesso à banda larga a 40 milhões de domicílios brasileiros até 2014 à velocidade de, no mínimo, 1 Mbps.

“O objetivo do PNBL 1 foi massificar o acesso, e isso está sendo feito por meio da redução de custo e do aumento da competição. No PNBL 2.0, vamos focar o aumento da velocidade com a meta de acesso mínimo de 5 Mbps, podendo chegar a 100 Mbps até 2022”, assegura Oliveira. Para Foad Shaikhzadeh, presidente da Furukawa, a fibra óptica vai avançar no País quando houver um benefício econômico para as operadoras. “Sem isso, vamos levar 30 anos para ter o País coberto por fibra”, afirma.

O mercado aguardava com expectativa a Lei 12.715 que cria o Regime Especial de Tributação do Programa Nacional de Banda Larga para Implantação de Redes de Telecomunicações. Mas o artigo 34, que previa a possibilidade de projetos estratégicos gerarem créditos no Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel), foi vetado pela presidente Dilma Rousseff. “Mas o regime especial prevê incentivos fiscais de PIS e Cofins para expansão e modernização de redes, desde que os projetos sejam executados com tecnologia nacional”, diz Oliveira.

Para Eduardo Levy, diretor-executivo da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), qualquer desoneração é bem-vinda, mas ele adverte que as operadoras terão de submeter projetos e é possível que a contrapartida de investimentos obrigatórios seja maior do que os benefícios tributários que vão receber.

Os projetos não se restringem ao território nacional. Empresas brasileiras e estrangeiras já firmaram contratos para investir na instalação de cabos submarinos que vão ampliar a conexão do Brasil com outros países.

A fibra óptica é um filamento de vidro ou materiais poliméricos. A partir de equipamentos emissores a LED ou a laser, os sinais elétricos de dados e imagens são convertidos em pulsos de luz, que são transmitidos pela fibra. Na ponta, ficam os equipamentos eletrônicos de tecnologia WDM/DWDM (Wavelength-Division Multiplexing / Dense Wavelength Division Multiplexing), que transformam as informações de vários comprimentos de onda em um único pulso de luz, chegando a taxas de transmissão de 1,6 Terabits/s em um único par de fibras.

Desde a privatização, as operadoras brasileiras avançaram na opticalização de suas redes de transporte e praticamente todos os grandes backbones já são de fibra. O passo seguinte é a implementação de fibra no backhaul, redes metropolitanas que vão do backbone até os pontos de distribuição do tráfego. Praticamente todas as grandes cidades já têm redes metropolitanas em fibra. A última fronteira é levar o meio óptico ao acesso, correspondente à última milha da rede, que vai da central até os domicílios.

Cabos submarinos

Técnicos da Telebrás e da Angola Cable concluem em duas semanas os estudos do cabo submarino de fibra óptica de seis mil quilômetros que ligará Fortaleza e Luanda. A previsão é que as obras comecem em dois meses e estejam prontas até 2014. A capacidade e custo do projeto serão definidos no edital de licitação internacional para a realização do empreendimento.

A parceria é parte da estratégia da Telebrás de ter uma rede de cabos submarinos ligando o Brasil à África, Europa e Estados Unidos. A empresa trabalha para lançar cinco cabos submarinos – quatro internacionais e um em território brasileiro. Serão 24 mil quilômetros de rede a um custo estimado de R$ 1,8 bilhão.

“Muitos desses projetos visam a Copa do Mundo. Se não forem viabilizados, será preciso sobrecarregar a rede que já existe. Se acontecerem, folga para todo mundo”, diz Sebastião Nascimento, gerente de projetos especiais da Telebrás.

A Claro, subsidiária do grupo mexicano América Móvil, constrói com a Embratel um cabo submarino com 17.500 quilômetros que vai ligar o Brasil e os Estados Unidos. A Oi também tem plano de lançar novas redes internacionais de fibra óptica além da extensão até a Colômbia do GlobeNet que liga Tuckerton, em Nova Jersey, e Boca Raton, na Flórida, a Fortaleza e Rio de Janeiro, no Brasil, St. David, nas Bermudas, e Maiquetía, na Venezuela. Outros grupos, como Seaborn Networks, EFive e Wasace Cable Company também têm projetos de novos cabos submarinos com passagem pelo Brasil. “A necessidade de banda para conexão à internet praticamente dobra a cada ano”, diz Eduardo Tude, presidente da Teleco, empresa de consultoria em telecomunicações.

O projeto da Telebrás é estratégico para garantir ao país autonomia na comunicação internacional por meio de uma conexão de alta velocidade e qualidade. Hoje, 46% do tráfego de internet do Brasil vem de fora do País e 90% faz escala nos Estados Unidos. As novas rotas diretas também permitirão o barateamento dos custos de internet.

Hoje, o tráfego entre a Europa e a América Latina é 600 vezes menor do que com a América do Norte por falta de infraestrutura. A rede de novos cabos submarinos aumentará a capacidade do tráfego de informações do País, que hoje é de 1,8 Terabytes por segundo, para 32 Tbps. Apenas 500 Gigabytes por segundo são acessados via redes internacionais pelos cabos submarinos existentes.

A Telebrás também já firmou acordo com espanhola IslaLink para a execução de ações conjuntas que viabilizem a construção do cabo submarino entre América do Sul e Europa com passagem por Cabo Verde, na África. O cabo com saída para os Estados Unidos e chegada em Miami, Jacksonville ou Virgínia, passará pelo Caribe e conectará o Brasil à Colômbia e Venezuela. O projeto para o Cone Sul fará a ligação do Brasil com Argentina e Uruguai.

O investimento da Claro no cabo submarino AMX, com capacidade de 500 Gbps, será de US$ 1 bilhão. O traçado sai de Salvador, passa pelo Rio de Janeiro e Fortaleza até chegar a Miami. A previsão da operadora é concluir o projeto no primeiro trimestre do ano que vem. O grupo América Móvil integra um consórcio com operadores internacionais que já controla dois cabos submarinos: o Atlantis-II e o Americas-II, que ligam o Brasil aos Estados Unidos. “Este cabo submarino permitirá suportar o crescimento de tráfego previsto para os próximos anos”, diz a operadora no Plano de Melhoria dos Serviços entregue à Anatel em agosto.

A Seaborn Networks planeja o Seabras-I, entre Nova York e São Paulo. O grupo sulafricano EFive já anunciou a construção do South Atlantic Express (SAEx), para ligar a África do Sul ao Brasil e aos Estados Unidos. A Wasace Cable Company está desenvolvendo uma série de três sistemas, dois dos quais se conectam à América Latina: o Wasace Américas e o Wasace África, integrando África do Sul, Angola, Brasil e Estados Unidos. Grupos de investimento sulafricanos também já propuseram um cabo chamado BRICs desde Vladivostok, na Rússia, a Fortaleza, no Brasil, com passagem por China, Índia, Ilhas Maurício, África do Sul e Cingapura.

O primeiro cabo submarino do Brasil, parte da primeira linha telegráfica do país, foi inaugurado em 1857, tinha 50 quilômetros, 15 debaixo d’água, e ia da Praia da Saúde, no Rio de Janeiro, a Petrópolis. Hoje, sete sistemas fazem a conexão internacional do país. Eles somam quase 100 mil quilômetros. O Americas-II, que entrou em operação em 2000, liga o Brasil de Fortaleza à Guiana Francesa, Trinidad e Tobago, Venezuela, Curaçao, Martinica, Porto Rico e Estados Unidos. Tem 9 mil quilômetros de extensão, quatro pares de fibras óticas e capacidade de transmissão de 80 Gbps. O Americas-I, que segue o mesmo traçado, foi inaugurado em 1994.

O Atlantis-II tem 12 mil quilômetros. Liga o Brasil à América do Sul, EUA, Europa e África. Pertence a um consórcio internacional formado por 25 empresas, entre elas a Embratel, custou US$ 370 milhões e tem capacidade de 20 Gbps com previsão para atingir 40 Gbps. Pelo Atlantis-II o Brasil integra uma rede digital que conecta os cinco continentes e é composta por 73 sistemas de cabos de fibras ópticas com 385 mil Km de extensão.

Fonte: Valor Econômico

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