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Jovens brasileiros temem ser descartados pela Tecnologia

A Fundação Getúlio Vargas lançou uma pesquisa que tenta medir a relação dos brasileiros com a tecnologia. Chamado de Índice de Confiança Digital, ele nasce com a ideia de ser semestral e acompanhar como evolui essa relação diante de variáveis externas, sejam mudanças políticas, sociais, econômicas, ambientais ou mesmo tecnológicas.

“Acompanhar a mudança nesse indicador ao longo do tempo será uma fonte de informação importante para mapear quais fatores exercem força sobre a confiança digital e como esse fator pode indicar um comportamento no mercado como um todo”, explica o coordenador do MBA em Marketing Digital da FGV André Miceli, responsável pelo estudo em que se baseia o ICD.

O indicador varia de 1 a 5, sendo que 1 significa desconfiança e pessimismo digital, enquanto 5 representa plena confiança na tecnologia e otimismo. Ele parte de entrevistas realizadas com 1.158 pessoas em todas as regiões do país. “Os resultados serão publicados semestralmente comparando a variação do indicador com desempenhos de mercado, além de mapear qualitativamente os possíveis fatores que levaram a essa variação”, diz o trabalho.

O primeiro resultado diz que o índice de confiança digital dos brasileiros está em 3,92. Ou seja, segundo a FGV, o brasileiro, de uma forma geral, possui uma expectativa positiva em relação a tecnologia, tendo atingido 78% do valor desempenho total do indicador.

O estudo dividiu as reações em três grupos. O primeiro, mais otimista, é entendido como relacionado a “sentimento”, representado por respostas como “Eu espero sempre o melhor da tecnologia”, ou ainda “A tecnologia me ajuda a relaxar”.

Um segundo grupo reage com a sensação de ameaça. Estão aqui respostas como “A tecnologia me traz angústia e ansiedade”, ou ainda “Muitas pessoas vão perder o emprego em função da tecnologia”. E aqui o estudo verifica que os mais jovens e os mais idosos são os grupos em que a ameaça da tecnologia é mais evidente.

“Apesar dos jovens de 13 a 17 anos serem os que mais usam a tecnologia para relaxar, eles possuem 4 dos piores desempenhos das 7 perguntas do ICD. O que mais chama atenção é a sensação de angústia e ansiedade, que resulta no pior índice de confiança digital entre todas as outras segmentações por idade”, diz a FGV.

O exemplo vem da resposta de uma entrevistada de 13 anos: “Porque eu vejo as pessoas da internet, como no Youtube, fazendo um monte de coisa que eu nunca faço e aí eu me sinto assim. Eu não faço nada dentro de casa.” Já no outro extremo da pirâmide etária, os entrevistados com mais de 65 são os que mais concordam com a afirmação sobre o temor pelos empregos.

A pesquisa identifica, ainda, o que seria um terceiro grupo de respondentes. São os que enxergam especialmente oportunidades com a tecnologia. Por isso, a identificação com as respostas como “Estou mais perto dos meus amigos e parentes em função da tecnologia”, ou “A tecnologia vai criar oportunidades para as pessoas”.

Fonte: Convegência Digital

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