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Jardim Botânico do Rio busca integrar ciência e cultura

Aos 202 anos, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro está se tornando um dos pontos turísticos e culturais mais frequentados do município. As estimativas da direção do parque esperam receber neste ano cerca de 600 mil visitantes, uma média de 1.657,5 pessoas por dia. A programação prevê, em junho, reabertura do Museu do Meio Ambiente e eventos paralelos da Rio + 20, além de duas exposições de orquídeas em abril.

Os números dizem respeito apenas à visitação do Arboreto, o espaço do jardim cultivado em si onde ficam as coleções vivas de plantas como o Bromeliário, o Orquidário, o Cactário, o lago Frei Leandro, famoso pelas vitórias régias que florescem em maio, a coleção de palmeiras imperiais e o parque infantil. Não estão computados na conta os eventos no Espaço Tom Jobim, que abriga teatro de 400 lugares.

A gestão Liszt Vieira, sociólogo que preside o Jardim Botânico desde 2003, fez mudanças no conceito do parque. “Temos uma visão estratégica do Jardim Botânico, de integrar ciência e cultura, arte e natureza”, diz Vieira. Em 2008, criou o Espaço Tom Jobim, assim batizado em homenagem ao maestro que tanto amava o Jardim Botânico. Galpões subutilizados se transformaram em casa de espetáculos, abrigando o teatro, o Galpão das Artes e a Casa de Acervo do maestro e compositor. O Teatro Tom Jobim, administrado por Paulo Jobim, filho de Tom (1927-1994), se tornou referência para a cidade.

A gestão Vieira aproveitou o espaço entre o teatro e a Casa de Visitantes e criou um “corredor cultural” com exposições de fotografias, de arte botânica, cineclube e, mais recentemente, concertos. No futuro, o corredor vai ganhar também dois anexos do Museu do Meio Ambiente e um Centro de Exposições, com projeto de Oscar Niemeyer. “Só temos o projeto no papel, pois não temos dinheiro para construí-lo”, diz Vieira. Ele afirma que o jardim é uma autarquia federal que entra no orçamento da União e é ligado ao Ministério do Meio Ambiente. “Muita coisa se faz aqui com patrocinadores”, diz Vieira. “Nos últimos anos tivemos também recursos de emendas parlamentares que nos permitiu fazer muitas obras de modernização no Jardim Botânico.”

O Centro de Visitantes, instalado numa casa no estilo “colonial português”, datado de 1576, sedia o serviço de atendimento aos visitantes. A casa ganhou uma sala multimídia para palestras e projeções de filmes – desde 2009 funciona o Cineclube do Jardim, com curadoria do cineasta Walter Lima Júnior, às terças-feiras. No gramado do Lago das Tartarugas, próximo da Casa dos Visitantes, acontece nos fins de semana o Música no Jardim. O que também atrai cariocas e estrangeiros são os cursos de mestrado e doutorado em botânica no Solar da Imperatriz, onde funciona desde 2001 a Escola Nacional de Botânica Tropical.

Além de duas lanchonetes terceirizadas para atender até 5.000 pessoas, o parque vai ganhar um bistrô que será instalado ao lado do Teatro Tom Jobim. Nos planos de Vieira consta também a criação de um restaurante com algum chef renomado.

Com essa infraestrutura, o Jardim Botânico foi escolhido como espaço para sediar eventos paralelos da Rio + 20 que deverão acontecer no Solar da Imperatriz e no teatro. De 15 a 17 de junho será aberto o Congresso de Direito Ambiental Internacional; para o dia 18 está agendado o Seminário Internacional sobre Pobreza e Meio Ambiente.

Na administração de Vieira foram implantadas catracas e cancelas eletrônicas, o que permitiu a terceirização da mão-de-obra da bilheteria e a contratação de recepcionistas bilíngues. Foram adquiridos cinco carrinhos elétricos para visitas guiadas também para pessoas com deficiências físicas. E, em abril do ano passado, começou a funcionar a rede pública de acesso à internet (wi-fi) cobrindo um raio de cerca de 70 metros em torno do Centro de Visitantes. Segundo Vieira, o casamento entre cultura e ciência marca o perfil do Jardim Botânico do século XXI.

Fonte: Valor Econômico

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