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Interesse do brasileiro por ciência cresce em quatro anos

A percepção e o interesse da população brasileira pela ciência melhoraram significativamente nos últimos quatro anos. É o que revela a pesquisa “Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil”, realizada em 2010 com cerca de duas mil pessoas em várias regiões do País. A Pesquisa Nacional foi promovida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), com a colaboração da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), entre outras instituições, e executada pela empresa CP2 (Consultoria, Pesquisa e Planejamento Ltda).

O objetivo principal do trabalho foi fazer um levantamento do interesse, grau de informação, atitudes, visões e conhecimento que os brasileiros têm da Ciência e Tecnologia, tendo como público-alvo a população brasileira adulta, homens e mulheres e jovens com idade igual ou superior a 16 anos.

Em relação à enquete realizada em 2006, o percentual de pessoas muito interessadas em ciência passou de 41% para 65%, em 2010.  Para o coordenador do estudo, que é também diretor do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia do MCT, Ildeu Moreira, essa constatação é relevante porque mostra a continuidade do grande interesse pela ciência e tecnologia, como foi verificado há quatro anos.

O professor Ildeu também destaca o tema meio ambiente como o mais citado por 83% dos entrevistados. “Está empatado com hoje com medicina e saúde, o que é uma característica única em relação a vários países do mundo”, ressalta.

O otimismo do brasileiro também está em alta, 82% consideram que a ciência trouxe mais benefícios para a sua vida. Em 1987, 52% diziam que a ciência brasileira estava atrasada e hoje 50% consideram que a situação é intermediária.

Para Ildeu de Castro, as políticas públicas ajudaram a ampliar esse conhecimento. Ele cita iniciativas como a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e a Olimpíada Brasileira de Matemática nas escolas públicas, que tiveram aumento de participantes nos últimos anos, além da criação de mais museus e do reforço na divulgação.

Desafios

Apesar do aumento do interesse e do acesso à informação, por meio da televisão e da internet, a grande maioria dos brasileiros tem pouco conhecimento na área.  No total, somente 15% das pessoas abordadas foram capazes de citar uma instituição científica importante no Brasil e poucos puderam indicar o nome de um cientista famoso.

“Isso significa que nós não estamos sabendo contar a história da ciência no Brasil, nem na escola e nem nos meios de comunicação. Então precisamos ter mais programas e de melhor qualidade na televisão no rádio, nos jornais, nos meios de comunicação em geral”, recomenda.

De acordo com o professor Ildeu, a presença da população nos espaços científicos (museus, jardins botânicos e centros de ciência) é pequena e desigual, apenas 8% se declararam visitar algum museu por ano. Ele compara o Brasil com a Europa, onde 20% das pessoas têm esse hábito.

“Mesmo assim isso melhorou muito no Brasil, em 2006, era 4%, dobrou. Significa que as políticas públicas do MCT, o que instituições fizeram e alguns estados apoiaram, em muitas iniciativas de museus de ciência, em atividades de divulgação da ciência surtiram efeito”, avalia.

Como metodologia, os pesquisadores utilizaram questionários com perguntas abertas e fechadas no período de 23 de junho a 06 de julho de 2010. Foram realizadas 2016 entrevistas estratificadas quanto a sexo, idade, escolaridade, renda, região e moradia. A margem de erro é de  2%.

Confira os dados completos da enquete aqui.

Fonte: Porta MCT de 13/01/2011

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