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Inteligência artificial começa a virar tema regulatório

O tema da regulação de inteligência artificial ainda engatinha mesmo em fóruns internacionais, mas algumas iniciativas mostram caminhos que podem ser seguidos. No Brasil, apesar de ainda não haver uma abordagem concreta, a AI começa a aparecer em discussões nas contribuições da Anatel para debates: recentemente, a equipe técnica da agência sugeriu levar o tema de Princípios Éticos de Desenvolvimento da Inteligência Artificial para a Conferência Plenipotenciária da União Internacional de Telecomunicações (UIT) de Dubai, que ocorreu entre o final de outubro e começo de novembro. Porém, o Conselho da agência (ainda sob a presidência de Juarez Quadros) votou por retirar o assunto da pauta. O argumento da área técnica era de que os temas são novos e de extrema relevância, e que certamente seria abordado por outros países com interesses econômicos e políticos nas questões.

No entanto, a IA ficou de fora do conjunto de resoluções, apesar de ser mencionada em vários debates. O assunto deverá voltar à UIT nos próximos encontros, contudo. “Após muitas discussões internacionais durante este ano, penso que a IA é um ponto muito importante a se falar nessa nova era digital”, afirmou o superintendente de Competição da Anatel, Abraão Balbino, que também é vice-presidente do grupo SG3 na UIT. Em participação no evento Mobile 360 – Latam, que acontece nesta semana em Buenos Aires, ele explicou que a abordagem do tema deve ser do ponto de vista da dinâmica da regulação, com regras mais principiológicas e “mais ex post do que ex ante”.

A C-Minds, uma agência norte-americana (baseada em San Francisco) de inovação tecnológica para estratégia de desenvolvimento social e econômico, trabalha no México com a embaixada britânica para a elaboração de uma política pública em termos de inteligência artificial, o projeto IA2030Mx. A ideia é reunir conhecimento da academia, empresas (incluindo startups) e sociedade civil, mapeando o ecossistema e identificando oportunidades. Assim, criou um relatório publicado em junho último para a Estratégia Nacional de Inteligência Artificial.

A partner de novas tecnologias para inovação pública da C Minds no México, Cristina Martinez, explica que esse projeto já está em andamento naquele país, inclusive no foco em capacitação de estudantes, doutorandos e com trabalho em equipe. “Sugerimos a criação de um conselho nacional mexicano de ética, e na semana passada o governo federal do México anunciou a criação de um processo aberto de consulta”, declara. Uma outra tomada de subsídios sobre a IA em geral foi aberta ao público em setembro e contou com 1.500 contribuições. Os resultados devem ser publicados em janeiro.

Martinez diz que a taxa de crescimento médio da inteligência artificial no mercado americano, considerando um cenário positivo, é de 4%. Em estimativa neutra, é de 2,7% a 2,9%; enquanto no cenário negativo espera-se um aumento de 1,8% a 2,1%. O impacto no mercado de trabalho também foi estimado: 14% dos trabalhadores hoje contam com habilidades que podem ser complementadas por IA e outras tecnologia (a taxa nos Estados Unidos é de 33%, e na América Latina, de 13,5%). Haveria um impacto em 9,8 milhões de postos de trabalho, dos quais pelo menos 1,61 milhão seriam substituídos. “Criamos um círculo virtuoso no qual as pessoas podem aproveitar programas disponíveis para se reposicionarem em outras áreas”, sugere.

Cristina Martinez recomenda que outros países efetuem o mesmo processo de investigação e investimento em uma estratégia focada no tema. “Primeiro, mapear quem é quem e perguntar as recomendações sugeridas pelos próprios especialistas, dando voz às iniciativas”, declara. “Com essa articulação, é possível dar oportunidade para a IA.”

Iniciativa privada e privacidade

O diretor de big data e analytics da Telefónica, Alejandro Salevsky, diz que a aplicação da inteligência artificial baseada no grande volume de dados foi um passo lógico na evolução da tecnologia, e que isso pode gerar uma oportunidade de negócios para a América Latina. “Não é mistério que, para qualquer empresa de telecomunicações, a exploração dos dados e o uso da TI gera melhor eficiência e maior atenção ao cliente”, declara. O grupo espanhol também atua em nível mundial com a AI e procura coordenar as iniciativas nos países onde atua. Destaca, contudo, que o sistema e a forma que a empresa explora as informações é sempre de forma anonimizada. “Nossos princípios corporativos dizem que tem de ser sempre com o consentimento do cliente, independente de a informação ser anonimizada e agregada”, afirma. “Tudo tem a ver com os outputs da geração de dados analíticos e insight: os dados são agregados a um volume que não permite a desanonimização, e isso é importante tanto para o setor público quanto privado.”

Fonte: Teletime

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