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INT faz passeio por sua trajetória e pela história dos combustíveis no Brasil

Os 90 anos do Instituto foram contados em palestra que relembrou as primeiras experiências com combustíveis alternativos no País, nos anos 1920.

Em agosto de 1925, um Ford de quatro cilindros recebeu, pela primeira vez no Brasil, álcool etílico hidratado a 70%, com 30% de água. O desafio era fazê-lo percorrer o chamado Circuito da Gávea, no Rio de Janeiro, na primeira prova automobilística realizada pelo Automóvel Clube do Brasil. O veículo andou 230 quilômetros e, posteriormente, ainda no mesmo ano, concluiu os percursos Rio-São Paulo, Rio-Barra do Piraí e Rio-Petrópolis.

A experiência foi levada a cabo pela Estação Experimental de Combustíveis e Minérios (EECM), embrião do hoje Instituto Nacional de Tecnologia (INT), que completou 90 anos em 2011 e revelou, por meio de seu diretor Domingos Naveiro, parte de sua rica história na última terça-feira (16), em sua sede no Rio de Janeiro. E essa é apenas uma das diversas histórias que compõem a trajetória do Instituto, revelada na palestra ‘Do carro a álcool ao bioquerosene de aviação’, que integra a programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e as comemorações de nove décadas do INT.

“Quando foi criado, o Instituto tinha nos combustíveis seu principal tema. Ele surge da necessidade de estudá-los”, lembra Naveiro, a respeito da criação da EECM, originalmente instalada na Urca (hoje, o INT está perto da região do porto do Rio). Ele conta que, no início, eram apenas sete servidores (hoje são 650 funcionários), “contando com o porteiro”. E destacou personalidades fundamentais ao longo da história do INT, como Francisco de Sá Lessa e Paulo Accioly de Sá.

Outros institutos

Na década de 1930, o Instituto viabilizou a mistura do álcool com a gasolina importada, que passou a ser obrigatória, na porcentagem de 5% a 10%, estabelecida por leis municipais, estaduais e federais. Naveiro lembrou a participação do INT na criação de diversas instituições brasileiras, como a Petrobras. O Instituto estava presente na abertura, em 1939, do primeiro poço de petróleo do País, em Lobato (BA), e guarda até hoje, como relíquia, as amostras de óleo retiradas quando a existência do mineral na região era ainda uma suspeita.

Em momentos críticos da economia brasileira, o INT gerou alternativas como a tecnologia do gasogênio (que teve uma comissão criada por Getúlio Vargas), usado como substituto da gasolina durante a Segunda Guerra Mundial. E também a viabilização da mistura do álcool à gasolina, a partir da crise do petróleo, na década de 1970.

Além disso, o INT deu origem ao Instituto Nacional de Pesos e Medidas (Ipem), em 1961, e, por sua vez, ao Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), em 1973. Dois anos depois, o Instituto participou da elaboração do Programa Nacional do Álcool (Pró-Álcool) e, em 1977, teve o projeto Óleos Vegetais Brasileiros para motores, com a produção de diesel e lubrificantes à base de soja, dendê, amendoim ou babaçu.

Futuro

O diretor do INT lembrou que, nos anos 1940, já se faziam pesquisas de biocombustíveis com oleaginosas, como a mamona. Hoje, as investigações nesse campo continuam produzindo inovação. Como é o caso do etanol de segunda geração, cujo processo transforma a celulose do bagaço e da palha da cana em açúcares fermentáveis, que são convertidos em etanol. As usinas que já produzem o açúcar e o álcool de primeira geração podem, dessa forma, aproveitar a biomassa residual, aumentando sua produtividade.

Atualmente, os trabalhos dedicados a energia incluem pesquisas para a produção de hidrogênio de etanol e gás natural, além de biocombustíveis de diversas oleaginosas. Por outra parte, também estão sendo desenvolvidos novos biocombustíveis para substituição do querosene usado pelos aviões.

A alternativa, que já gerou dois pedidos de patentes internacionais do INT em parceria com o Instituto Militar de Engenharia (IME), conforme lembra Naveiro, utiliza processos inéditos. Ao contrário de outros estudos que utilizam o etanol ou as mesmas oleaginosas que produzem biodiesel, esses processos aproveitam resíduos como casca de frutas cítricas e biomassa de eucaliptos. “Temos como objetivo participar do desenvolvimento sustentável do Brasil, com pesquisa tecnológica, transferência de conhecimento e promoção de inovação”, conclui Naveiro.

Fonte: Clarissa Vasconcellos – Jornal da Ciência

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