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Inovação em design tem apoio exclusivo em Minas

Ligada à Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), a Incubadora de Empresas de Design (IED), em Belo Horizonte (MG), tem ganhado destaque no setor de inovação pelo estímulo exclusivo a companhias da área de design. Em 2010, graduou seus cinco primeiros empreendimentos, que já lançaram no mercado produtos como redutores de consumo de água e de energia, além de projetos de desenvolvimento sustentável para pequenas indústrias.

“Para acelerar a inovação em empreendimentos é preciso rever o planejamento estratégico periodicamente. Isso ajuda a vislumbrar novas possibilidades de negócios”, garante Romeu de Oliveira, coordenador da IED, que mantém hoje cinco empresas incubadas.

O programa de incubação da instituição recebe até três integrantes por vez, a maioria formada por estudantes graduados ou pósgraduados da Escola de Design da UEMG. Hoje, há empresas de design gráfico, de produto, moda e ambientes. Para manter as companhias, a IED movimenta cerca de R$ 100 mil por ano, com gastos de infraestrutura, cursos e viagens.

“Os principais desafios de uma recém-graduada do setor são conseguir linhas de financiamento com foco em design – a maioria das opções é para a área de tecnologia – e saber definir o tamanho adequado para a nova empresa”, diz. “O espaço de trabalho não pode representar um acréscimo significativo nos custos.” Graduada da IED em 2010, a Quantum Design investiu R$ 35 mil para a abertura da sede na capital mineira. A empresa, que ficou três anos hospedada na incubadora, trabalha com design de embalagens, de produtos eletroeletrônicos e de equipamentos médicos.

“Procuramos a incubadora para buscar apoio estratégico”, lembra a sócia Isabelle Maluf. “Um dos nossos objetivos é desenvolver projetos de design integrado, que envolve diversas áreas do conhecimento e evita que o cliente saia em busca de outras empresas para solucionar problemas.” Até 2012, a empresária pretende recrutar profissionais de engenharia, artes plásticas, tecnologia e arquitetura. A meta é faturar R$ 200 mil no primeiro ano de atividades fora da IED, por conta de contratos em andamento.

A Quantum já desenvolveu uma linha de aparelhos de PABX para a brasileira Leucotron, da área de telecomunicações. Na Grão Studio, graduada em 2010, o carro-chefe é o design para a indústria eletroeletrônica. “Os clientes nos procuram para criar o invólucro que vai guardar toda a tecnologia desenvolvida por eles”, diz o sócio-diretor Cristiano de Magalhães. O trabalho da empresa de seis funcionários inclui estudos de usabilidade, ergonomia e criação de moldes e protótipos.

Para abrir a companhia, Magalhães investiu cerca de R$ 20 mil na montagem do escritório, compra de mobiliário e material de divulgação. “A ideia é expandir o atendimento para outras regiões e faturar R$ 400 mil no primeiro ano.” Com clientes em Santa Rita do Sapucaí, conhecido polo de fabricantes eletroeletrônicos de Minas Gerais, o portfólio da GrãoStudio inclui redutores de consumo de energia e de água para equipamentos eletrônicos e em banheiros.

“Graças à visibilidade obtida com o projeto, o cliente conseguiu outras parcerias com investidores, que fizeram novos pedidos.” Segundo Magalhães, que vai investir R$ 100 milempesquisa e desenvolvimento em 2011, uma das maiores dificuldades das novas empresas de design é a falta deum mercado mais robusto. “Quando você tem uma dor de dente, procura um dentista. Mas poucos empresários sabem o que o design pode oferecer. Temos um enorme potencial que não é aproveitado.” Na Elementos Design de Ambientes, a estratégia para conquistar o mercado é atender pequenos e médios clientes de segmentos variados, como varejo, turismo e indústria, que precisam de soluções de desenvolvimento sustentável. “O faturamento bruto em 2010, primeiro ano de graduação, foi de R$ 96 mil, valor seis vezes maior que o obtido no ano anterior”, afirma a sócia Vanessa Dias.

Para engordar o faturamento, a designer e três sócias apostaram em parcerias com associações de empresas para se aproximar de clientes e visitas de apresentação a possíveis contratantes. “Manter boas ideias requer um setor de P&D ativo e aperfeiçoamento em cursos e treinamentos.” Segundo Ruy Quadros, coordenador do curso de especialização em gestão estratégica da inovação tecnológica da Universidade de Campinas (Unicamp), as pequenas empresas devem conhecer o setor em que atuam e os atores que lideram a cadeia de valor. “As grandes corporações são clientes potenciais.

Mas, para conseguir isso, é preciso entender seus desafios no processo de inovação e auxiliá-los na busca de oportunidades”, diz. “Relatórios setoriais, dados de mercado e participação em feiras e seminários são boas fontes de informação para os empresários.” Noinício do mês, três novasempresas entraram no período de pré-incubação da IED. “Elas começaram a elaborar os planos de negócios e as marcas que serão lançadas no mercado”, diz o coordenador Romeu de Oliveira. A Nicnilos quer atender demandas para design de superfícies de revestimentos, a Killa Design e Moda vai investir na produção têxtil, enquanto a Plano Web Design planeja prestar serviços de desenvolvimento de sites e marketing digital.

Fonte Valor Econômico

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