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Inmetro fomenta inovação dentro do Plano Brasil Maior

Conhecida pelo selo de qualidade conferido a produtos, o Inmetro terá nova missão na política industrial anunciada pelo governo federal no começo de agosto, buscando fomentar a inovação.

Para isso, mudou de nome, ganhou novo marco legal e teve orçamento descontingenciado.

O órgão -que agora carrega a palavra “Tecnologia” em seu nome- quer ser o braço da inovação junto às empresas dentro do Plano Brasil Maior de aumento da competitividade da indústria nacional.

“O eixo que estamos trabalhando no Brasil Maior é o de apoio à inovação”, afirmou à Reuters o presidente da instituição, João Jornada.

Subordinado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o Inmetro teve seu orçamento descontingenciado, saindo de uma média anual estimada de 300 milhões a 350 milhões de reais para 523 milhões de reais.

O novo marco legal do Inmetro estabelece, entre outras atribuições, regulamentar e certificar produtos de diversas áreas, combater práticas ilegais de comércio para evitar assimetrias, transferir tecnologias, realizar convênios com empresas e conceder bolsas de natureza científica e tecnológica.

“Até então, o Inmetro só podia regulamentar, por força de lei, produtos ou serviços em aspectos ligados à segurança, à saúde, ao meio ambiente”, comentou Jornada.

Em vez de ser apenas uma repassadora de tecnologia, o Inmetro utilizará sua experiência para dar suporte às empresas em processos de inovação e garantir concorrência mais justa.

“Aqueles com qualidade melhor vão efetivamente ganhar mercado e, ao ganhar mercado, terão a vantagem da escala.”

PONTO DE CONEXÃO

Entre os planos do Inmetro, está ser um elo entre empresas e instituições acadêmicas, reduzindo a distância entre elas.

Para isso, a ideia é implementar o programa Laboratórios Associados, que permite o uso de instalações de alto nível científico, para projetos inovativos, com apoio do Inmetro e de outras instituições, inspirado no que acontece hoje na associação alemã de pesquisa Fraunhofer-Gesellschaft.

Pelo modelo, os projetos são feitos em conjunto e as empresas bancam parte do estudo inovativo. “O Inmetro tem interesse em fazer a ponte”, afirmou. Com isso, avalia Jornada, permitiria reduzir a carência de mão de obra especializada.

O Inmetro, que tem 4.500 funcionários e foi rebatizado para Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia- hoje é conhecido por programas de qualidade e certificação, como o Programa Brasileiro de Etiquetagem, voltado para a eficiência energética, e a Etiquetagem Compulsória, para produtos como máquinas de lavar roupas, lâmpadas, televisores e condicionadores de ar.

O órgão lançará em novembro o novo ciclo de certificação de eficiência energética nos automóveis, para identificar os mais econômicos.

Em paralelo, a instituição estuda junto com a Fiat um projeto de trator movido a óleo vegetal natural diferente do biodiesel, reduzindo o custo para produtores rurais de pequenas propriedades.

Há ainda um programa de normatização de biocombustíveis, que garantiria mais chances de negociação como commodities. Jornada salienta acordo firmado com os Estados Unidos para criar um dos primeiros padrões internacionais sobre biocombustíveis.

Segundo o presidente do Inmetro, a União Europeia utilizou os padrões brasileiros a fim de fazer um amplo estudo de capacitação de laboratórios para medição da qualidade de biocombustíveis.

ACORDOS INTERNACIONAIS

O Inmetro firmou recentemente acordos importantes para o novo papel. Um deles, com a Coreia do Sul, trata em especial de ferramentas de apoio à inovação.

Entre os vários mecanismos, segundo Jornada, há um programa coreano nos moldes do “Médico de Família”. Pesquisadores coreanos visitam, de três a quatro vezes por ano, empresas para acompanhar e assistir em temas como medição, qualidade e inovação, estabelecendo “laços de confiança” com as companhias.

Com a China foram dois acordos: um com ênfase na metrologia, inclusive nas áreas biológica e de saúde, e outro com a Administração Geral de Supervisão de Qualidade, Inspeção e Quarentena, com escopo em regulamentação.

“Eles querem saber que tipos de produtos chineses de qualidade ruim estão entrando no Brasil”, salientou. Na visão de Jornada, os chineses não querem mais ser vistos pelo mundo como “produtores de bugigangas”, mas de produtos de alta qualidade.
Fonte: Jornal O Globo

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