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Incêndio na Antártida prejudica estudos brasileiros sobre mudanças climáticas

O incêndio que destruiu neste sábado a base brasileira na Antártida significou um retrocesso nas pesquisas do país sobre mudança climática e a interação do continente com o resto do planeta.

O governo se comprometeu a reconstruir a Base Comandante Ferraz, onde trabalhavam cerca de 60 pessoas, entre cientistas e militares, mas essa tarefa pode demorar cerca de dois anos, segundo o ministro de Defesa, Celso Amorim. Além disso, pesquisadores disseram que os equipamentos e parte dos dados coletados nos últimos meses na estação se perderam.

O diretor do Centro Polar e Climatológico da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Jefferson Simões, explicou nesta segunda-feira à Agência Efe que o programa brasileiro na Antártida tem como objetivo “entender as relações ambientais” do continente com o país e o resto do planeta.

Para Simões, o programa também tem a utilidade de derrubar alguns mitos vigentes no Brasil, como o que acredita que devido às suas características tropicais o país está isolado das catástrofes naturais que ocorrem no planeta.

“Não podemos viver mais o mito do Brasil tropical, que não é um país isolado, está tudo interrelacionado”, garantiu Simões, considerado um dos principais especialistas do Brasil na Antártida.

O cientista explicou que o incêndio, que destruiu 70% das instalações da Estação Comandante Ferraz, localizada na ilha do Rei George, destruiu “todo o bloco principal” onde se desenvolviam pesquisas biológicas, de ciências da atmosfera e geofísica.

O acidente, no qual morreram dois militares e um ficou ferido, começou na sala de máquinas onde ficavam os geradores de energia da base por causas ainda desconhecidas.

Simões explicou que o programa em seu início estava limitado a estudos em zoologia, mas que aos poucos começaram a ser feitos pesquisas ambientais.

Apesar de expressar tristeza pelo incêndio, o especialista mostrou esperança de que a reconstrução da base, anunciada pela presidente Dilma Rousseff, tenha como consequência uma estação “mais moderna, mais sustentável”.

O Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação destacou que a estação abriga “pesquisadores que realizam estudos sobre os efeitos da mudança climática na região e suas consequências para o planeta”.

Mas o desastre do sábado também despertou duras críticas contra o programa antártico por uma suposta falta de recursos e investimento público.

“A investigação polar brasileira tem no subfinanciamento sua maior tradição”, denunciou neste domingo o jornal “Folha de S.Paulo”.

Segundo a ONG Contas Abertas, que vela pela transparência dos recursos públicos, o orçamento de 2012 prevê a menor verba dos últimos sete anos para as pesquisas no continente.

A ONG denunciou hoje que o orçamento para a missão na Antártida, que em 2010 foi de R$ 27,4 milhões, caiu neste ano para R$ 11,8 milhões.

O acidente de sábado foi o segundo sofrido na Marinha em menos de uma semana. No último dia 22, um militar morreu e dois sofreram queimaduras durante incêndio no porta-aviões São Paulo, na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro.

Além disso, o navio de apoio oceanográfico Ary Rongel, usado nas operações na Antártida, está sendo consertado há quase dois meses no porto de Punta Arenas, no Chile.

E pesquisadores denunciaram que em dezembro do ano passado uma embarcação que transportava dez mil litros de combustível para a estação Comandante Ferraz naufragou a 900 metros do litoral da Antártida, na Baía do Almirantado

A Marinha, que atribuiu o naufrágio a uma “mudança repentina das condições ambientais locais”, informou que o navio será içado nos próximos dias.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

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