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IBM busca doutores no Brasil e no exterior

A oportunidade de fazer parte da equipe do novo laboratório de pesquisas da IBM no Brasil está atraindo acadêmicos com Ph.D e especialistas com pós-doutorado no Brasil e no exterior. Com unidades no Rio e em São Paulo, o IBM Research-Brasil, como foi batizado internamente, vem recebendo currículos de candidatos com perfis diversos, interessados em fazer parte do grupo, que poderá reunir cem Ph.Ds em cinco anos.Os brasileiros Sergio Borger, Ulisses Mello e Claudio Pinhanez, três doutores que estavam em áreas de pesquisas da própria IBM, nos Estados Unidos, voltaram para fazer parte da equipe que vai atender a demanda de empresas e governos, além de exportar experiências para laboratórios da companhia em outros países.

Para Borger, engenheiro de formação com mestrado e doutorado em ciência da computação, o número expressivo de interessados no projeto se deve, em grande parte, ao “momento único que o Brasil está vivendo”. Mello destaca que os doutores voltados para a pesquisa acadêmica geralmente têm boas oportunidades no Brasil. As chances são muito limitadas, contudo, para os que atuam na área de pesquisa industrial e aplicada.

Outra vantagem no caso da IBM, é a possibilidade de intercâmbio internacional. Borger, por exemplo, estava há dez anos no exterior e voltou como diretor de estratégia e operações do centro de pesquisas. Mello, por sua vez, geólogo e ex-funcionário da Petrobras com pós-doutorado em matemática, morava há 20 anos nos Estados Unidos e, desde 1994, trabalhava no laboratório Watson, em Hawthorne. Sua atuação será voltada para a área de petróleo e gás.

Já Pinhanez foi para os Estados Unidos em 1993 para cursar doutorado. Passou seis anos no Media Lab, do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e, em 1999, foi contratado também para a área de pesquisas da IBM. Seu trabalho será voltado a melhorar a participação do cidadão nos sistemas de governo. Desse modo, ele vai atuar na chamada ciência de serviços, disciplina que desenvolve ferramentas para prestação de serviços com foco no melhor relacionamento entre máquina e usuários. Borger e Mello trabalharam diretamente no plano de negócios que definiu a sede do laboratório Brasil. Mello conta que recebeu em 2009 a missão de verificar se existia a necessidade de criação de um novo laboratório no país, que seria o primeiro no hemisfério sul.

O Brasil foi escolhido entre 40 países que estavam sendo avaliados. Um dos principais motivos para isso, de acordo com Borger, é a riqueza do país e sua grandiosidade em recursos naturais como óleo, gás, mineração, água e agricultura. “Há um trabalho importante para ser realizado nos próximos dez anos em relação à Olimpíada, à Copa do Mundo e às reuniões internacionais que vão acontecer no país. São tecnologias de mobilidade urbana, trânsito, sistemas de sensoriamento, geração de informação e formação de pessoas”, diz. A IBM também vai colaborar fazendo pesquisas em parceria com empresas brasileiras no segmento de semicondutores e deempacotamento de produtos eletrônicos.

Já Mello, que nos EUA atuava na área de análises em supercomputação para empresas de petróleo, terá que dividir sua semana entre as instalações do laboratório na Avenida Pasteur, zona sul do Rio, e São Paulo, cidade onde mora. Ele diz que, por conta do mercado aquecido, precisa buscar pesquisadores nas universidades. “É preciso trazer de volta pessoas que foram estudar ou trabalhar no exterior.”

Na opinião dele, um laboratório costuma ser formado por profissionais de nacionalidades distintas. Assim, não é surpresa que muitos europeus estejam interessados em vir para o Brasil. “Eles querem vivenciar o trabalho em um país de crescimento acelerado”, diz.

Fonte: Valor Econômico