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Grupo de Nicolelis em Natal perde neurocientistas

A maior parte da equipe científica do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (IINN), fundado pelo neurocientista Miguel Nicolelis, decidiu deixar a instituição. Dos nove pesquisadores citados na página do IINN, apenas um permanecerá no instituto. Os demais continuarão vinculados apenas ao Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Uma parceria entre o IINN e a universidade permitia que os pesquisadores – concursados e contratados como professores na UFRN – integrassem a equipe dirigida por Nicolelis, um cientista de prestígio internacional. Em troca, formariam recursos humanos na área de neurociência orientando mestrados e doutorados pela universidade. Agora, para os pesquisadores que deixam o IINN, só restará o vínculo com a UFRN. A debandada foi revelada ontem pelo jornal Folha de S. Paulo.

Equipamentos. A reitora da UFRN, Ângela Paiva Cruz, solicitou a Miguel Nicolelis a retirada de equipamentos estimados em R$ 6 milhões da sede do IINN. Eles foram transferidos para um prédio alugado próximo ao câmpus central da universidade.

Segundo a reitora, o material foi adquirido com dinheiro público – em concreto, com verbas da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC).

Por isso, seria conveniente que estivesse disponível para toda a comunidade acadêmica. Havia reclamações de que o acesso aos equipamentos era restrito, obedecendo critério próprios de uma entidade privada de pesquisa – como é o caso do IINN -, mas não de uma universidade. Autorizações para utilizar os recursos deveriam ser solicitadas com antecedência.

Ângela sublinhou que “não existe qualquer conflito institucional entre a UFRJ e o IINN”. Os pesquisadores do IINN poderão usar livremente os equipamentos recolhidos pela universidade. “Nossa parceria continua e esperamos que cresça ainda mais”, afirma Ângela.

Equipamentos da UFRN que já estavam em uso no IINN não foram retirados. “Estamos dialogando para definir como podem permanecer no instituto e, ao mesmo tempo, serem usados por pesquisadores da universidade”, afirma Ângela.

O projeto para construir o “câmpus do cérebro” em Macaíba, a 25 quilômetros de Natal, também permanece de pé. A iniciativa reunirá duas construções: uma para o IINN e outra para o Instituto do Cérebro da UFRN – que, grosso modo, reúne os pesquisadores que deixaram o instituto de Nicolelis.

O Instituto do Cérebro é dirigido por Sidarta Ribeiro, que realizou seu pós-doutorado com Nicolelis na Universidade Duke, nos EUA. No início do IINN, ele havia sido escolhido por Nicolelis para ser o primeiro diretor da iniciativa.

Ribeiro não respondeu aos pedidos de entrevista, mas amigos confirmam que os desentendimentos com Nicolelis duraram meses, culminando com a retirada do seu nome da porta da sala que ocupava no instituto.

O pesquisador Sergio Neuenschwander, membro do grupo, disse que “os méritos de Nicolelis são inegáveis”, mas “houve desentendimentos quanto à coordenação” do IINN.

No Twitter, Nicolelis procurou demonstrar que não guarda ressentimentos: “Meus melhores votos aos pesquisadores da UFRN que decidiram criar seu próprio instituto. Espero que prosperem muito!” Ele também minimizou o impacto das mudanças: “Foi apenas uma colaboração científica que acabou. Coisa trivial. A missão científica continua viva!”

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

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