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Grandes colaborações estimulam o desenvolvimento científico

Grandes projetos colaborativos trazem ótimas possibilidades de pesquisa, a maioria difíceis de conseguir em grupos menores. É preciso ter em vista, no entanto, que empreendimentos do tipo exigem protagonismo na organização e grande dedicação ao diálogo com outros pesquisadores de diferentes partes do mundo.
É o que destacaram participantes do encontro Large Collaborations in Astronomy and Cosmology, promovido pelo Instituto Sul-Americano para Pesquisa Fundamental (ICTP-SAIFR) no Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista (IFT-Unesp), no dia 28 de julho de 2019.
“Grandes colaborações científicas são importantes por pelo menos duas razões. A mais óbvia é que para construir algo grande é preciso iniciar um movimento [de pesquisadores e instituições]. De outra forma, não haverá financiamento. Com essas colaborações podemos construir grandes instrumentos e ter bancos de dados bastante interessantes”, disse Tim Eifler, professor da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, e membro de consórcios como o Dark Energy Survey e o Wide Field Infrared Survey Telescope.
“Outra razão é o intercâmbio intelectual, de ferramentas e de códigos computacionais. Grandes projetos reúnem conjuntos de dados muito interessantes e se há as especialidades certas participando, normalmente a ciência avança muito mais rápido”, disse Eifler à Agência FAPESP.
Roderik Overzier, pesquisador do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro, destacou a importância de se ter papel relevante dentro da organização das colaborações, até mesmo como forma de ter melhor aproveitamento dos recursos aplicados nos projetos. “Partipei de colaborações em que grande parte do tempo era gasta com a troca de e-mails e em videoconferências, cada um tentando saber quem iria fazer o quê”, disse.
“A FAPESP quer participação [nos projetos] onde os pesquisadores do Estado de São Paulo trabalhem na gestão da colaboração em algum nível. Além disso, valorizamos as oportunidades que tragam responsabilidade pelo desenvolvimento em instrumentação, porque isso muitas vezes nos ajuda a envolver o setor produtivo do Estado”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP.
Atualmente, a FAPESP estimula a participação de pesquisadores do Estado de São Paulo em colaborações e consórcios como o Deep Underground Neutrino Experiment (DUNE), para detecção de neutrinos, nos Estados Unidos; o Grande Colisor de Hádrons (LHC), na Suíça; o Large Latin American Millimeter Array (LLAMA), radiotelescópio na Argentina; e o Giant Magellan Telescope, no Chile, entre outros.
Participaram ainda do evento Luis Raul Abramo, do Instituto de Física da USP; Beatriz Barbuy, do IAG-USP; Alessandra Silvestri, da Universidade de Leiden, na Holanda; Marko Simonovic, da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern); Rennan Barkana, da Universidade de Tel Aviv, em Israel; Rogério Resenfeld, do IFT-Unesp, e Laerte Sodré, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP).
“No evento Large Collaborations in Astronomy and Cosmology procuramos reunir alunos e professores de três escolas que ocorrem quase simultaneamente em São Paulo, envolvendo Astronomia, Astrofísica e Cosmologia”, disse Nathan Berkovits, professor do IFT-Unesp e organizador do evento.
Berkovits se refere à Escola São Paulo de Ciência Avançada sobre a Primeira Luz, que ocorre no IAG-USP de 28 de julho a 7 de agosto, a Joint ICTP-Trieste and ICTP-SAIFR School on Observational Cosmology, de 22 de julho a 2 de agosto, e a School on High Energy Astrophysics, de 5 a 16 de agosto, as duas últimas no IFT-Unesp.
O ICTP-SAIFR é um centro de pesquisas com apoio da FAPESP sediado no IFT-Unesp.
Mais informações: www.ictp-saifr.org.

Fonte: Agência Fapesp

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