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Gigantes buscam pequenas para inovar

Elas são jovens, ágeis, enxutas e criativas. Com uma capacidade de inovação muitas vezes superior à das grandes corporações – engessadas por processos, hierarquias e burocracias –, as startups frequentemente tornam-se desafiantes perigosas para as gigantes do mercado.

“Nas pequenas empresas, há menos pessoas em um ambiente menor e mais fácil. Além disso, há também flexibilidade e a agilidade que falta às grandes”, aponta Paulo Sérgio Quartiermeister, diretor do Centro de Inovação e Criatividade da ESPM.

Mas essa história não precisa ter um final infeliz. Grandes empresas estão cada vez mais descobrindo os benefícios de se aliar às pequenas para trazer esta vantagem competitiva para dentro de casa. “Há um movimento crescente de empresas maiores buscando as menores como fonte de inovação rápida”, atesta Evandro Paes dos Reis, professor de empreendedorismo e inovação da Business School São Paulo (BSP).

Um exemplo desta tendência é o Saraiva Viagens. O portal que leva o nome da livraria é, na verdade, uma operação em parceria com o Viajanet. “Muitas marcas querem oferecer esse tipo de serviço, mas é muito complexo para elas fazerem sozinhas”, explica Alex Todres, sócio da empresa.

O diretor presidente da Livraria Saraiva, Marcílio D’Amico Pousada, diz que esse é um caminho para entrar em novos segmentos. “As empresas podem optar por três caminhos: iniciar as operações sozinhas – o que pode levar mais tempo para atingir resultados satisfatórios; comprar alguma empresa do segmento – o que pode demandar elevado investimento -; ou fazer aliança estratégica com outra empresa, que foi o caminho pelo qual a Saraiva optou”, explica Pousada.

Segundo ele, a vantagem deste modelo é a maior velocidade de entrada no segmento, já que ele exige investimentos menores do que a compra de empresas ou a implantação da tecnologia para operação própria. “Como o segmento de viagens cresce de forma acelerada no Brasil e a Saraiva possui forte posicionamento em produtos e serviços relacionados à cultura, lazer e entretenimento, a parceria foi avaliada como a melhor maneira de entrar rápido no mercado”, diz o executivo.

Um ótimo negócio para a grande empresa, a parceria é também uma excelente oportunidade de crescimento para a startup. A agência de viagens online Viajanet, por exemplo, recebeu um aporte de US$ 19 milhões vindos de dois fundos de investimentos americanos, o Redpoint Ventures e o General Catalyst, no mês passado. “Temos que ter uma boa estrutura para atender clientes deste porte”, diz Todres. A meta do site é ter mais cinco parcerias nesse formato.

Boa estrutura foi essencial também para o Olho no Click, site de leilões, conseguir fechar uma parceria com a rede de postos Ipiranga. “A conversa se iniciou há um ano. Eles nos procuraram com uma ideia e, em conjunto, chegamos a uma solução”, explica Guilherme Pizzini, sócio do site. O Lances de Vantagens, parceria entre a rede de postos e a startup, é controlado pelo Olho no Click. “Em 3 meses, percebemos uma adesão interessante. TIvemos de 10 a 20 leilões acontecendo simultaneamente no site”, afirma Pizzini.

Além de iniciativas pontuais, as grandes empresas frequentemente buscam as startups para terceirizar processos. É o que o Restaurante Web, site de pedidos de delivery, faz para mais de 1000 estabelecimentos. “A gente diagrama o cardápio, cria uma área de loja virtual e deixa pronto para funcionar. O modelo de negócio é baseado em um ganho de percentual sobre o pedido efetuado mais uma taxa de adesão de até 600 reais”, explica Marco Antonio Corradini, proprietário do site.

Com clientes como China in Box, Brevitá, Gendai, Patroni Pizza e Arábia, o site recebe 1,4 mil pedidos por dia. “Nós preferimos buscar alguém com foco na parte de informática porque o nosso negócio é produzir e entregar comida”, explica Carlos Sadaki, sócio-diretor da Trend Foods, que administra o China in Box e o Gendai.

Corradini percebeu essa demanda e a receita do RestauranteWeb chegou a R$ 1,5 milhão em 2010 e deve crescer para R$ 2,3 milhões neste ano. “Eles estão mais preocupados em melhorar o produto e o atendimento ao consumidor e usar a gente como outsourcing. Além de mão de obra de TI ser cara, a empresa corre o risco de perder o foco do negócio”,

Fonte: Exame On Line

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