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Futuro promissor estimula pesquisas de biodefensivos

Entre as cerca de 100 empresas que atuam no mercado nacional de biodefensivos, muitas estão em fase de pesquisas ou em busca da regulamentação de seus produtos. Não faturam ou ganham muito pouco. Vivem de recursos destinados ao fomento ou de verbas geradas por consultorias. A maioria está instalada em incubadoras de biotecnologia ligadas a universidades e centros de pesquisa. O investimento, garantem os empreendedores, se justifica pelo potencial do mercado, pelo desenvolvimento de tecnologias de ponta e pela aposta no futuro.

A agrônoma Katia Castilho sempre se interessou pela área de fitopatologia. O interesse ganhou corpo quando se associou ao biólogo Alzimiro Castilho e criou a Agribio, em 2007, na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica em Agronegócios (Ineagro), ligada à Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Com quatro anos de mercado, a microempresa desenvolveu oito tecnologias nas áreas de controle de doenças do solo e de inseticidas biológicos e criou um biodefensivo de combate ao pulgão, batizado de Cladosbio. Mas foi o fungicida biológico de Trichoderma encapsulado, que possibilita a aplicação junto com adubo, que deu à empresa o status de inovadora.

Com isso, foi possível obter R$ 260 mil de programas da Financiadora de Projetos e Estudos (Finep), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e Fundação Biorio. “A verba nos ajudou a aperfeiçoar o produto e a estruturar a nossa biofábrica”, diz Katia. “A ideia é buscar parceiros para começar a produzir porque as inovações estão restritas ao laboratório”. Outra pedra no caminho é a regulamentação dos produtos, que tramita há mais de ano nos órgãos competentes.

A gaúcha Tecnano, criada há dois anos pelo empreendedor Cláudio Nunes Pereira e instalada na Incubadora Tecnológica Cientec, em Porto Alegre, vive o mesmo momento da Agribio. A empresa desenvolveu um produto biodegradável para dispersar os feromônios – substância usadas pelos insetos para se comunicar com indivíduos da mesma espécie – no campo. “A perspectiva é de o produto, direcionado a pragas que atacam as plantações de maçã e café, chegar ao mercado até 2013”, diz Pereira. Ele foi aplicado e testado em uma área de 15 hectares e está em fase de licenciamento e aprovação.

Com 20 colaboradores, a Tecnano faturou R$ 28 mil em 2010 apenas com as bolsas de pesquisa. “Firmamos parcerias importantes, entre elas com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), que nos garantem subsídios financeiros e nos permitem realizar testes de eficiência agronômica dos produtos em seus laboratórios, o que encurta o caminho para o lançamento e diminui os custos”, avalia Pereira.

Fonte: Valor Econômico

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