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Fundo binacional deverá estimular pesquisas entre Brasil e Alemanha

Brasil e Alemanha terão um fundo binacional para financiar projetos científicos de interesse comum entre os dois países. A medida foi anunciada
nesta segunda-feira (04/04) pelo ministro brasileiro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, e pela ministra alemã de Educação e Pesquisa, Annette
Schavan, durante o encerramento oficial do Ano Brasil-Alemanha para Ciência,Tecnologia e Inovação, em cerimônia na cidade alemã de Hannover.

De acordo com Mercadante, o fundo ajudará a aproximar e incentivar as relações científicas e econômicas entre os dois países, pois cada projeto
contará com a participação de duas instituições de pesquisa e de duas empresas,uma de cada nacionalidade. “Vamos focar nos projetos mais importantes. Os valores investidos vão depender da evolução dos programas”, disse o ministro à Deutsche Welle.

Lançado em abril do ano passado, o Ano Brasil-Alemanha teve como objetivo aprofundar uma relação estratégica iniciada há 40 anos, mas que agora promete dar novo impulso à cooperação tecnológica entre os dois países. O Brasil quer apostar no investimento em inovação para aumentar sua produção em diversos setores, conquistar mercados e fomentar a economia. Neste processo, a Alemanha poderá configurar como um de seus principais parceiros, afirmou o ministro.

De acordo com Mercadante, 1,2 mil empresas alemãs atuam no Brasil, sendo responsáveis por quase 7% da produção industrial do país. O governo brasileiro também quer reduzir o déficit comercial com os alemães – atualmente na casa dos 4,5 bilhões de dólares – trabalhando junto em uma área em que a liderança alemã já é conhecida: tecnologia.

Para a ministra alemã, o Brasil é um parceiro interessante, especialmente nas áreas de pesquisa em desenvolvimento sustentável e tecnologia ambiental. No
lançamento do Ano Brasil-Alemanha, em abril do ano passado, Schavan destacou as “excelentes pesquisas” brasileiras relacionadas ao uso dos recursos naturais.

Parcerias estratégicas

O Ano Brasil-Alemanha focou principalmente temas como tecnologias ambientais, engenharia médica, energia e eficiência energética, bio e nanotecnologias. Os dois países sediaram mais de 100 eventos na área de tecnologia.

Várias parcerias bilaterais foram firmadas ao longo dos últimos 12 meses, como o desenvolvimento de tecnologia para a exploração de minerais em
terras-raras (usados na produção de eletrônicos) e para a fabricação de próteses ortopédicas. Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Mercadante: ‘Brasil quer apostar no investimento em inovação’ Segundo Mercadante, no caso das terras-raras, o projeto é
internacionalmente estratégico, pois atualmente cerca de 95% da atividade está concentrada na China, que vem apresentando restrições ao acesso a esta
matéria-prima.

“Articulamos 40 grandes empresas no Brasil e na Alemanha, como a Petrobras, a Vale, a Bosch, para trabalharem neste projeto, que vai diversificar as fontes de abastecimento e gerar muitas divisas nos próximos 10, 15 anos”, explica o ministro.

De acordo com o Ministério brasileiro da Ciência e Tecnologia, os recursos destinados  pelo órgão e por suas agências de fomento a programas de cooperação com a Alemanha chegam a 20 milhões de reais. Entre as parcerias, a que desenvolve tecnologia para o monitoramento da Floresta Amazônica e até para produção de foguetes.

Novas matrizes

Perguntado sobre a possibilidade de o governo alemão rever o suporte financeiro para a construção da usina nuclear de Angra 3, o ministro de Ciência
e Tecnologia afirmou que o Brasil vai acompanhar todos os novos protocolos de segurança que surgirão a partir do acidente na usina de Fukushima, no Japão. E destacou que as medidas poderão trazer benefícios para o Brasil.

“Essas discussões vão acabar encarecendo a energia nuclear e consolidando a necessidade de fontes alternativas limpas, e nisso temos bastante
competitividade. Estamos avançando no uso do etanol, uma alternativa de futuro”, disse o ministro, ressaltando que cerca de 47% da matriz energética brasileira são energia limpa, e só 2%, nuclear.

Fonte: MCT

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